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Celulares usados da Samsung encostam na valorização do iPhone, mas ainda não passam

Com valorização de quase 60%, celulares usados da Samsung ganham fôlego extra com softwares mais atuais e hardwares resistentes.

Avatar do(a) autor(a): Wellington Arruda

schedule17/02/2026, às 18:30

Celulares usados da marca Samsung estão quase 60% mais valorizados no momento de recompra, quando são colocados novamente à venda, em comparação com as últimas gerações. É o que indicam dados revelados pela Assurant, tendo como base dispositivos considerados de ponta — Galaxy S, Galaxy Z e linha FE. Isso significa que, apesar de ainda não ultrapassar a Apple, a sul-coreana chega mais perto no que toca a valorização de seus smartphones.

Prática comum de mercado, a revenda de dispositivos seminovos no Brasil apresenta uma desvalorização maior de gadgets Android em relação aos iPhones. Tendo como exemplo as duas últimas gerações do Galaxy S25 e do iPhone 16, a diferença após 12 meses entre os respectivos lançamentos é de aproximadamente 20% (R$ 700) no varejo:

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  • Galaxy S25 (256 GB): lançado por R$ 6.999, cerca de 12 meses depois o menor preço registrado ficou na faixa dos R$ R$ 3,5 mil (novo);
  • iPhone 16 (256 GB): lançado por R$ 7.799, cerca de 12 meses depois o menor preço registrado ficou na faixa dos R$ 4,2 mil (novo).

Essa diferença vem diminuindo, segundo o levantamento, tendo impulso no programa Troca Smart. Os dados da Assurant apontam que a valorização de modelos usados do Galaxy S24 e do S24 FE foi de 57% no momento de recompra, comparando-os com o S23 e o S23 FE, respectivamente.

DispositivosEvolução no valor de recompra
S21 FE (Jan. 2025) vs S23 FE (Jan. 2026)+41%
S22 Ultra (Jan. 2025) vs S23 Ultra (Jan. 2026)+42%
S23 (Jan. 2025) vs S24 (Jan. 2026)+57%
S23 FE (Jan. 2025) vs S24 FE (Jan. 2026)+57%

Um dos pontos principais que impulsionou a valorização destes smartphones é o suporte estendido de software — além de evoluções em câmeras, bateria, durabilidade, performance e IA. Desde o Galaxy S24, dispositivos das faixas mais caras passaram a contar com sete anos de atualizações garantidas, considerando o sistema operacional e correções de segurança.

Além disso, segundo a Samsung, 80% dos consumidores que trocam seu smartphone atual por um novo fazem isso em dois anos de uso ou mais. Dos que optam por um dispositivo Galaxy topo de linha, considerando o serviço de trade-in oferecido pela marca, 70% entregam o seu aparelho atual como forma de conseguir mais descontos no valor final.

Troca Smart: como os preços de celulares usados são escolhidos?

A Samsung possui um programa chamado Troca Smart em parceria com as empresas Assurant e Trocafy. O consumidor pode oferecer o seu smartphone atual na hora de adquirir um novo, e então a companhia oferece um valor que será abatido do valor final da compra.

Diferente dos modelos lacrados, ainda que de gerações passadas, eles tendem a custar menos e são opções bem vistas. Por outro lado, consumidores relatam que os valores oferecidos podem ser considerados baixos:

  • Ao trocar um Galaxy S24 Ultra (lançado por R$ 10.999) por um Galaxy S25 Ultra, ambos com 512 GB, o valor sugerido de pré-avaliação é de R$ 2.129*;
  • Ao trocar um Galaxy Z Fold 6 (lançado por R$ 13.799) por um Galaxy Z Fold 7, ambos com 512 GB, o valor sugerido de pré-avaliação é de R$ 2.339*.
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De acordo com a Samsung, a marca não define os preços dos dispositivos usados. (Imagem: Samsung/Divulgação)

"O modelo de negócio da Assurant e da Trocafy é baseado na compra de um produto usado, o recondicionamento e a venda desse produto. Então a valorização ou a desvalorização está muito ligada ao negócio desses parceiros, que querem cada vez mais valorizar esses produtos para conseguir valores de revenda também relevantes", cita Rafael Aquino, Diretor de Produto de Mobile Experience da Samsung Brasil.

De acordo com José Augusto Codesso, diretor de Operações na Assurant, a empresa “conduz o fluxo logístico de envio, realiza a avaliação técnica do dispositivo recebido e valida as condições informadas no momento da contratação”. A partir desse processo, que ocorre após a pré-avaliação online, o valor final é informado ao cliente.

Alguns fatores são levados em consideração nas avaliações de smartphones usados no Troca Smart: “a integridade física, o funcionamento geral, a condição da tela, o desempenho da bateria e a presença de danos ou desgaste”, diz Codesso.

Fator primordial nessas trocas, a integridade dos aparelhos gera “um novo comportamento de cuidado, em que acessórios de proteção deixam de ser vistos como opcionais”. Ou, como ressalta Codesso, “quanto melhor o estado físico e funcional do item, maior o retorno financeiro”.

Além disso, são considerados importantes “o valor do aparelho novo no mercado, estado de conservação, relevância da marca e modelo e a existência de programas de troca que ampliam a percepção de valor”.

O trabalho de recondicionamento dos produtos inclui, ressalta Aquino, a possível substituição de peças (como telas danificadas ou baterias), tendo em vista o custo de operação e também de revenda.

Reforçando a importância do programa, o executivo afirma que "a Samsung não tem participação" na escolha dos preços e que “essa é uma decisão independente” dos parceiros. Segundo ele, não há nenhuma relação comercial entre a Samsung, Assurant e Trocafy.

"Eu entendo o que você disse, de que a percepção é de que o produto perdeu valor ao longo do tempo. Mas os números mostram que as pessoas estão satisfeitas, senão elas não fariam essa troca”, diz Aquino.

Brasileiros trocam de smartphone a cada três anos

As recentes tendências de mercado são refletidas no consumo. Brasileiros tendem a trocar de smartphone a cada três anos, em média, enquanto os modelos mais caros vêm se tornando mais atraentes. O preço é o principal fator: em 2025, os celulares ficaram até 36% mais caros e a expectativa é de que os preços continuem subindo em 2026.

Para se ter uma ideia, a parcela de consumidores que troca de smartphone todo ano é de apenas 7%. 30% desses consumidores realizam a troca a cada três anos, enquanto 27% o fazem a cada dois anos. Já os que passam mais tempo até fazer um upgrade podem levar quatro anos (19%) ou até mais que isso (16%). Em contrapartida, 86% desses clientes optam por adquirir um dispositivo novo no lugar de um usado. (Mobile Time)

Com o aumento nos preços e a estabilização do mercado nacional, o ticket médio em 2025 seguiu um leve crescimento e atingiu R$ 1.665, enquanto o consumidor tem escolhido mais produtos de ponta.

  • 2022: R$ 1.705
  • 2023: R$ 1.441
  • 2024: R$ 1.592
  • 2025: R$ 1.665

*Valores obtidos no site oficial da Samsung Brasil em 13/02/2026.