Review Samsung Galaxy A52: excelente, mas faz sentido para quem?

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Na geração anterior da família Galaxy A, o A51 e o A71 eram os que mais chamavam atenção. O primeiro por ter um conjunto "bem-redondinho" para um celular intermediário, e o segundo por apresentar um pacote melhor ainda por só um pouco a mais de dinheiro. Dos dois, o A71 foi o que me agradou mais e teria sido o intermediário que eu recomendaria para a maioria das pessoas se a própria Samsung não tivesse lançado o M51, que tinha tudo o que o A71 tem e ainda uma bateria maravilhosa.

Agora, a geração seguinte chegou com melhorias para o A52 que o fazem subir de nível com relação ao A51, mas acaba tão próximo daquilo que o A71 já tem que, depois de 2 semanas de uso, fiquei me perguntando: por mais que ele seja um celular excelente e exista o A71 e o M51 como intermediários, bem como o Galaxy S20 Fan Edition como um top de linha mais antigo que já está na mesma faixa de preço, qual é o sentido deste aqui?

Design

Olhando de frente, o A52 é igualzinho ao A51: bordas pequenas em todos os lados da tela e um furo pequeno para a câmera frontal no meio. Já na traseira a mudança foi grande, pois o plástico acrílico da geração anterior, que poderia até se passar por vidro, foi trocado por um mais assumido, que vai até a parte de cima do calombo das câmeras (tem cara, textura e som de plástico mesmo). Eu não achei feio, mas o antecessor era mais bonito, na minha opinião — pelo menos ele não escorrega como o A51 escorregava; na verdade, a pegada do A52 é bem segura e confortável no uso. Mesmo sendo um pouquinho mais pesado do que o anterior, ainda é um aparelho leve, o que não atrapalha o uso.

Samsung Galaxy A52Samsung Galaxy A52. (Felipe Santos/TecMundo)

Os botões de energia e de volume continuam no lado direito, assim como a entrada USB-C, o plug para fone de ouvido e o alto-falante inferior ainda estão voltados para baixo. Uma mudança bem-vinda de uma geração para cá é que o A52 vem com certificação IP67 de resistência à água, o que, segundo a Samsung, permite aguentar até 30 minutos de submersão a 1 metro de água doce parada. Não é a primeira vez que a gente vê isso na família, já que os Galaxy A de 2017 vinham com IP68, que é até melhor, sendo um dos pontos que pode ser comparado ao A71.

Desempenho

Para o hardware, o processador é o Snapdragon 720 G, que tem um desempenho muito, mas muito próximo ao do Snapdragon 730 do A71. A diferença é que esse aqui ganha um clock 0,1 GHz mais rápido, enquanto o outro oferece um pouco mais de desempenho na GPU. Na prática, ambos são igualmente ótimos para o uso em geral, sem qualquer sinal de engasgo ou travamento. Até um jogo pesadão como Genshin Impact roda sem problemas, desde que você deixe os gráficos na configuração baixa.

Aqui, vale ressaltar para os desatentos que existe um modelo diferente, que é o A52 5G. A principal mudança dele é o processador 750 G, que, além de ser um pouco mais poderoso, tem conectividade às redes móveis de quinta geração (quando elas estiverem amplamente funcionais no Brasil). Esse A52 que eu testei, sem 5G no nome, funciona apenas nas redes 3G e 4G.

No Brasil, o A52 vem com 6 GB de RAM e 128 GB de armazenamento, dando para expandir o espaço interno usando um cartão micro SD; desde que você não queira usar dois chips de operadora, já que o espaço para o cartão na bandeja é híbrido.

Samsung Galaxy A52Samsung Galaxy A52 (Felipe Santos/TecMundo)

Interface

De fábrica, o A52 vem rodando a versão 3.2 da OneUI da Samsung, que é o nome dado para sua modificação do Android 11. Então, vemos todos os principais recursos mais tradicionais da marca rodando de forma fluída no sistema.

Assim como no S21, agora dá para escolher exibir o Google Discover no lugar da tela da Samsung ao deslizar para esquerda a partir da home. Fora isso, nada de muito fora do comum, sendo uma experiência sólida e familiar.

Tela

A tela do A52 tem 6,5 polegadas, resolução Full HD+ e um painel Super AMOLED, o que garante aquele conjunto de cores excelentes, brilho forte e ótima qualidade de imagem que a Samsung domina muito bem. E aqui entra outra vantagem do novo aparelho sobre a geração anterior, que é a taxa de atualização de 90 Hz, o que torna tanto a navegação quanto a jogatina em games compatíveis algo mais agradável. O resultado é uma experiência excelente para quem se importa, mas que não faz falta se você nunca teve contato com isso antes. Eu gosto bastante.

Samsung Galaxy A52Samsung Galaxy A52. (Felipe Santos/TecMundo)

Câmeras

É nas câmeras que o A52 é mais parecido com o A71. Sensor principal de 64 MP com abertura de f/1.8, um ultrawide com ângulo de 123°, sensor de 12 MP e abertura de f/2.2, macro de 5 MP com abertura de f/2.4 e sensor de profundidade de 5 MP. A única diferença é que o sensor principal tem também estabilização ótica, o que ajuda a tirar fotos e criar vídeos ainda mais estáveis e focados.

Por padrão, a câmera principal junta vários pixels em um para fazer fotos com exposição mais equilibrada, e você ainda pode ativar o modo de 64 MP, se preferir, mas, na maioria das vezes, é preferível usar o modo normal. Seja como for, as fotos diurnas com os três sensores são ótimas, ricas em detalhes e com cores vivas. A ultrawide perde um pouco de detalhamentos nos cantos, como é normal em câmeras do tipo, mas isso não impacta muito o resultado. O sensor de profundidade faz bons retratos com fundo desfocado. Em lugares com bastante luz, a macro ajuda a fazer fotos boas bem de perto dos objetos — só no escuro realmente não serve para nada.

Samsung Galaxy A52Samsung Galaxy A52. (Felipe Santos/TecMundo)

À noite, a câmera principal consegue tirar fotos excelentes no modo "normal", mesmo com um pouco de zoom, e a ultrawide mostra um pouco de ruído e perde cores, mas ainda produz resultados dignos. Ativando o modo noturno, as cores da câmera principal ficam até um pouco exageradas e pouco naturais, mas os problemas da ultrawide acabam praticamente todos resolvidos. Portanto, no escuro, use o modo "normal" para fotos e só ligue o noturno se quiser usar o sensor com ângulo mais aberto.

Samsung Galaxy A52Samsung Galaxy A52. (Felipe Santos/TecMundo)

Nos vídeos, o A52 faz gravações em 4K a 30 quadros por segundo com as câmeras traseira e frontal. A estabilização ótica da câmera traseira ajuda a produzir vídeos muito mais estáveis do que na geração anterior, o que se soma à ótima qualidade da imagem. É possível, ainda, ativar o Superestável se você quiser menos chacoalhões e não se importar em gravar em Full HD.

A câmera frontal vem com um sensor de 32 MP e abertura de f/2.2, igualzinho ao do A71. Assim, também tem aquilo de juntar pixels para fazer fotos com HDR melhor, mas você pode mexer no botão de proporção para usar a resolução total — igualmente, não vejo muita vantagem. Seja como for, as selfies diurnas saem bem legais com a luz a seu favor e ainda ficam boas com luz forte no fundo. No escuro, o ruído aparece no modo normal, mas as selfies ainda ficam utilizáveis. Usando a tela como flash, o ruído diminui, mas eu achei o brilho forte demais nesse aparelho, dando também para tentar usar o modo "noturno", mas sem um tripé ou apoio o foco fica difícil.

Bateria

Para alimentar o conjunto, o A52 vem com uma bateria de 4,5 mil mAh, que é maior do que a do antecessor direto e igual à do A71. Mesmo com o consumo maior da tela a 90 Hz, isso resultou em uma ótima duração das reservas de energia. Depois de um longo dia de uso, com mais de 10 horas de tela ligada e muito tempo em jogos não muito exigentes, eu consegui guardar mais de 10% de carga.

Samsung Galaxy A52Samsung Galaxy A52. (Felipe Santos/TecMundo)

Acabar com a energia dele em menos de 1 dia foi algo que eu só consegui fazer apelando para bastante tempo de games mais pesados. Em um uso mais moderado, com apenas algumas horas de redes sociais, mensageiros e fotos, não é um absurdo esperar que ele consiga passar 2 dias inteiros sem recarga.

Falando em recarga, o A52 é compatível com carregadores de até 25 W, por mais que o que venha na caixa tenha só 15 W. Com esse acessório, o aparelho levou aproximadamente 2 horas para ir de 0 a 100%, o que não é dos piores resultados que eu já vi, mas também está longe de ser rápido. Pelo menos não tiraram o carregador da caixa e usaram a desculpa do meio ambiente, como fizeram com o S21.

Samsung Galaxy A52Samsung Galaxy A52. (Felipe Santos/TecMundo)

Extras

O áudio é outro ponto em que o A52 melhorou, com o som estéreo de boa qualidade saindo tanto do alto-falante na parte de baixo quanto do que fica voltado para a frente, logo acima da câmera frontal. O volume máximo é forte e não diminui perceptivelmente a qualidade do som. Só é uma pena que a Samsung tenha parado de incluir os fones na caixa. O leitor ótico de digitais continua posicionado sob o vidro, é fácil de alcançar na tela e funcionou rapidinho praticamente todas as vezes que eu encostei, então sem reclamações aqui.

Vale a pena?

Ok, então o poder de fogo do A52 subiu para um nível muito próximo do A71, a tela ganhou uma taxa de atualização mais elevada, a câmera principal agora tem estabilização ótica e o aparelho se tornou resistente à água. Juntas, essas são melhorias bem significativas, certo? E até justificariam um preço um pouco maior. Mas é aí que começa o problema.

Samsung Galaxy A52Samsung Galaxy A52. (Felipe Santos/TecMundo)

Primeiro, o valor de lançamento do A52 não foi só um pouco maior, foi bastante maior. Ele foi lançado por R$ 3.299, o que faz ser muito fácil encontrar aparelhos top de linha superiores da concorrência custando menos. Uma coisa curiosa é que agora, menos de 1 mês depois do lançamento aqui no Brasil, já dá para comprar o A52 por valores a partir de R$ 2.299 à vista em varejistas online, o que é uma baita queda em um prazo tão curto.

Por R$ 1,8 mil, você consegue encontrar o Galaxy M51, que é basicamente o mesmo aparelho que o A71, só que com uma bateria monstruosa de 7 mil mAh. Não é à prova d’água nem tem as outras pequenas vantagens deste, mas traz uma experiência muito boa e por bem menos dinheiro. E se você quiser uma certificação IP68 e uma experiência ainda melhor do que a do A52 em quase todos os pontos, aí pelos mesmos R$ 2,3 mil você consegue ter o Galaxy S20 Fan Edition. Então, eu repito a pergunta: qual é o sentido do Galaxy A52? A resposta neste momento é "nenhum". Talvez ele se torne uma opção excelente quando o preço baixar, mas até lá há smartphones melhores.

O que você achou do Galaxy A52? Deixe sua opinião e as dúvidas que tiver nos comentários abaixo.

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Afiliação

Smartphone Samsung Galaxy A52, 128GB

Smartphone Samsung Galaxy A72, 128GB

Smartphone Motorola Edge XT2063-3, 128GB

Smartphone Xiaomi Pocophone Poco X3, 128GB

Smartphone Apple iPhone SE 2, 128GB

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