Review Surface Pro 6: ótimo notebook, tablet mais ou menos

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A Microsoft está na frente de todo mundo quando o assunto é “hardware” para computadores 2-em-1, aqueles dispositivos que podem ser um tablet e um notebook ao mesmo tempo. A empresa inclusive tem ido bem no mercado, e a marca “Surface” já é uma das mais compradas nos EUA. Mas será que a fórmula da Microsoft é a melhor entre computadores híbridos?

Nós resolvemos analisar o Surface Pro 6 com uma Type Cover e uma Surface Pen para tentar responder a essa pergunta. O computador e os acessórios foram emprestados para o TecMundo pela SLMIT, uma revendedora dos produtos da Microsoft aqui no Brasil que trabalha com empresas e pessoas físicas.

Design impactante

Quem busca um Surface Pro sempre está interessado em portabilidade. Afinal, esse aparelho é basicamente um tablet poderoso com um teclado destacável que não fica devendo nada para notebooks tradicionais. Em teoria, você tem o melhor de dois mundos com a sexta edição do Surface Pro.

No aspecto do hardware, é isso mesmo. O produto é absurdamente bem construído, e você percebe isso assim que coloca as mãos no Surface Pro 6. Ele é extremamente fino, mas, mesmo assim, consegue entregar uma porta USB-A de tamanho normal.

O aparelho ainda é equipado com uma Display Port, mas considero essa conexão completamente inútil em pleno 2019. A USB-C já se consolidou como padrão para vídeo de alta resolução e transferência de dados em geral.

Surface Pro 6Surface Pro 6

O Surface Pro 6 é leve o suficiente para você o segurar com uma só mão, mas isso quando a Type Cover não está acoplada. Com o peso acumulado, é bem difícil manusear o computador sem as duas mãos. Felizmente, é muito fácil remover e recolocar o teclado de volta no tablet.

Outro destaque do design é o que a Microsoft chama de “kickstand” — esse pezinho na parte de atrás. Ele pode ser usado em praticamente qualquer ângulo e é a razão pela qual o Surface é muito mais estável no seu colo ou em uma mesa do que qualquer outro concorrente.

Esse suporte é integrado diretamente na carcaça do computador e não faz parte da capinha. Isso gera mais segurança e deixa o sistema todo mais rígido do que um iPad Pro com a capa original da Apple, por exemplo.

Surface Pro 6Surface Pro 6

Tela muito brilhosa

A tela do Surface Pro 6 é de excelente qualidade. Ela mede 12,3’’ na diagonal e usa a tecnologia “PixelSense” da própria Microsoft. A resolução que fica entre 2K e 3K, e isso garante uma ótima densidade de pixels para um computador — são 267 ppi.

Considerando que você não coloca uma tela dessas tão perto do seu rosto como acontece com um celular, essa densidade já é mais do que suficiente.

Tudo isso faz com que a tela do Surface Pro 6 consiga reproduzir imagens com muita qualidade, mas é preciso destacar também a calibração de cor que a Microsoft fez. Ela é bastante precisa, e quem trabalha com foto ou vídeo vai adorar esse display.

Surface Pro 6Surface Pro 6

Outro aspecto importante é o nível de brilho. Eu nunca vi um computador com uma tela tão brilhosa quanto a do Surface Pro 6. Dá até para trabalhar tranquilo ao ar livre com esse dispositivo.

Bateria suficiente

O Surface Pro 6 usa processadores Intel, mas a sua autonomia de bateria faz parecer que ele roda com algum chip mobile. A fabricante diz que ele consegue executar mais de 13 horas de vídeo continuamente com uma carga, mas, no dia a dia, dura algo entre 8 e 10 horas de uso misto. Isso para navegar na web, usar apps do office e realizar tarefas mais cotidianas.

Você também tem uma ótima autonomia para desenhar com o aparelho usando a Surface Pen e até mesmo fazer anotações no OneNote. Você realmente não precisa levar o carregador do computador para todo lado. Se a bateria tiver mais de 50% de carga, é possível ir para o trabalho, a faculdade ou qualquer outro lugar sem medo de ficar sem carga no meio do dia.

Acessórios são necessários

A Microsoft vende o Surface Pro sozinho, sem acessórios, mas a realidade é que esse dispositivo não brilha sem a Type Cover. A capa que se transforma em teclado é bastante versátil e oferece uma excelente experiência de digitação. Dá para usá-la em repouso direto na mesa ou reclinada em um segundo ângulo.

No Brasil, a Type Cover representa algo entre R$ 800 e R$ 780 a mais no orçamento final.

O retorno que as teclas dão para o dedo é muito bom; parece que você está digitando em um teclado muito maior e com teclas mais profundas. O layout e o tamanho das teclado me agradaram bastante, e não me senti desconfortável ao digitar por muito tempo. É realmente impressionante o que a Microsoft fez com esse acessório.

Surface Pro 6Surface Pro 6

A Surface Pen não chega a ser um acessório tão necessário quanto a Type Cover, mas ela é bastante útil. Você consegue rabiscar com ela em vários apps, incluindo o OneNote e algumas ferramentas de desenho. A caneta custa R$ 350 por aqui.

Há ainda o Surface Dock, que se conecta à porta de carregamento do tablet e oferece um bocado de conexões extra. Para quem quer tornar o Surface Pro 6 uma verdadeira estação de trabalho, esse acessório é bem necessário.

Desempenho satisfatório, mas não em tudo

O desempenho do Surface Pro 6 depende da combinação de processador e RAM que você escolhe, mas, no geral, trata-se de um computador bem otimizado para oferecer uma boa performance em todas as categorias. Nós testamos a versão com Intel i5 de oitava geração e 8 GB de RAM e tivemos bons resultados em praticamente todos os testes.

surface pro 6

O computador consegue se dar bem com muitas abas abertas no Chrome sem apresentar engasgos ou travamentos e também lida facilmente com programas profissionais como Photoshop e Lightroom. Mas isso no modo desktop. Eu pedi para o nosso designer Fernando brincar com o Surface Pro 6 e fazer algumas ilustrações, mas a experiência dele não foi tão boa.

Confira o que ele achou:

Sou um grande fã do design e da proposta da linha Surface. Como ilustrador, sempre tive muito interesse no produto, pois ele parecia uma boa opção à linha MobileStudio Pro da Wacom (cujo modelo mais básico custa algo próximo dos US$ 1,5 mil). Porém, testar o Surface Pro 6 me mostrou que ele talvez não fosse para mim.

Com a promessa de me entregar o que o iPad Pro não faz, o Surface se mostrou uma decepção. O aparelho esquenta e ficou durante todo o teste com a tela quente — o que se tornou um incômodo para desenhar por mais de 5 minutos seguidos. E apesar de possuir especificações suficientes para rodar o Photoshop sem problemas, o programa apresenta uma série de engasgos (mesmo com arquivos em 72dpi) no modo tablet. O uso dos dedos em pinça para rotacionar e dar zoom na tela de trabalho não funciona consistentemente, e a precisão não é constante.

Mas nem tudo é ruim. A resolução da tela e a sensação de toque da caneta são os pontos altos. Arrisco dizer que é até uma sensação mais gostosa que a proporcionada pelo iPad Pro e pelo Cintiq, além de contar com cores supervivas e um bom contraste. Levando tudo isso em consideração e o fato de que o iPad Pro vai receber a versão completa do Photoshop, caso você seja um ilustrador e queira um bom aparelho para desenhar sem precisar de um computador, o iPad Pro parece ser a melhor opção no momento.

Surface Pro 6Surface Pro 6

Isso reforça o fato de o Surface Pro 6 ser um excelente notebook, mas não exatamente o tablet dos sonhos que a Microsoft faz parecer. Para o usuário comum, que vai só marcar PDFs e fazer desenhos amadores aqui e ali, nada disso que o Fernando apontou seria realmente um problema.

Acontece que computadores, e até tablets, estão cada dia mais sendo utilizados para atividades profissionais e menos para lazer. O celular e outros aparelhos estão fazendo esse papel muito melhor. Por isso, ser um dispositivo excelente para profissionais é essencial nesse segmento.

Seja como for, o Surface Pro 6 não é um computador gamer. Ele até tem um chipset interessante e uma quantidade de RAM que permitiriam jogar alguns títulos mais básicos, sem uma taxa de frames muito alta. Mas como ele não conta com USB-C, que possibilita a conexão de uma GPU externa, é melhor deixar essa máquina só para o trabalho mesmo.

Também fizemos alguns testes de benchmark. Confira o resultado:

cpuzCPU avalia o desempenho das unidades de processamento do chipset

crystaldiskEste teste avalia o desempenho do SSD

geekbenchJá este avalia o desempenho geral, separando resultados entre multi e single core

Software

Sabe quando você está animado para fazer um trabalho da faculdade e começa muito bem, porém vai perdendo o interesse do meio para fim — e acaba com um negócio mais ou menos? Isso é o Windows 10 para tablets.

Ele tinha muito potencial, mas parece que a Microsoft não terminou de aplicar todas as mudanças necessárias para tornar o SO realmente amigável em uma tela sensível ao toque.

A alternância automática do modo tablet para o desktop gera mais inconvenientes do que praticidade. Você tem dificuldade para acessar apps comuns que já estavam abertos e, mesmo no “modo touch”, muita coisa não foi otimizada.

Eu também esbarrei em alguns bugs estranhos. O trackpad parou de funcionar algumas vezes, e tive que tirar e colocar de volta a Type Cover para resolver o problema. Nada disso compromete inteiramente o desempenho do Surface Pro 6, mas chega a ser irritante em alguns momentos.

Surface Pro 6Surface Pro 6

É importante destacar, contudo, que depois de algumas atualizações de software esses problemas mais irritantes desaparecem.

Mas o fato é que o Windows 10 nos aparelhos Surface tem muito menos bugs do que se vê em computadores de outras marcas. Não é uma experiência 100%, mas talvez seja a que chega mais perto disso.

Apesar desses probleminhas, o computador normalmente roda muito bem e com muita agilidade. Você não fica esperando para janelas de programas carregarem, e as transições são praticamente instantâneas. De resto, não há nada de especial: é o mesmo Windows 10 que você já conhece.

Câmeras

Não podemos esperar muito da câmera de um tablet, muito menos da de um notebook. Entretanto, o Surface Pro 6 tem duas câmeras funcionais que servem para o que se propõem: videochamadas. Na verdade, elas são de excelente qualidade para isso, especialmente a da frente. Você também consegue fazer fotos com ambas, mas os resultados não são incríveis.

Extras

O principal recurso extra do Surface Pro 6 é, sem dúvida, a biometria facial. Trata-se do Windows Hello da Microsoft funcionando por meio de infravermelho para desbloquear a tela do computador. Isso é muito prático principalmente para quem tem mais de um usuário no sistema. A biometria consegue fazer o login sem você ter que interferir em nada, mas nem sempre é tão ágil quanto deveria.

Há também os alto-falantes frontais. Eles entregam som de excelente qualidade para um notebook e ficam posicionados de forma que você não consegue abafá-los com tanta facilidade. Eu também gosto da possibilidade de expandir o armazenamento interno com um cartão micro SD.

Surface Pro 6Surface Pro 6

Vale a pena?

O Surface Pro 6 é um PC caro, mas é necessário entender que produtos similares aqui no Brasil também estão com os preços nas alturas. Essa versão com Intel i5, 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento sai por quase US$ 1 mil lá fora, que é praticamente o mesmo valor de um novo iPad Pro com a mesma quantidade de armazenamento. Convertendo direto, sem considerar impostos, você pagaria algo entre R$ 3,8 mil e R$ 4 mil.

Se você prefere suporte e garantia local, o jeito é pagar um preço mais alto e comprar em uma loja nacional. No site brasileiro da Apple, o mesmo iPad Pro sai por R$ 9,6 mil, e esse Surface Pro 6 que testamos custa R$ 10.250 na SMLIT.

Surface Pro 6Surface Pro 6

A diferença de preço é gigante, mas o mercado realmente está cobrando isso por computadores “super premium” e compactos. Um Dell XPS 13, por exemplo, começa em R$ 10,5 mil na loja oficial da marca.

Mas será que um computador vale tudo isso? O Surface Pro 6 é realmente um dispositivo impressionante, mas não é exatamente o sonho de um designer ou profissional criativo. O modelo é um excelente notebook, muito portátil, com bom desempenho e armazenamento rápido, mas como tablet deixa a desejar. A tela é excelente e o WiFi, muito veloz; por outro lado, a seleção de portas é limitada e vai obrigá-lo a comprar adaptadores ou mesmo um hub oficial bem caro.

Se eu fosse comprar um computador desses, pediria para algum amigo trazer de fora e arriscaria ficar sem garantia mesmo. Isso porque não acho que o Surface Pro 6 ou iPad Pro valham todo esse dinheiro que eles custam aqui no Brasil.

Porém, se orçamento não é um problema, vá em frente. Contanto que você não espere que Surface Pro 6 seja um bom tablet, ele não vai decepcioná-lo.

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