Já pensou se a próxima geração de smartphones tivesse uma antena que pudesse tomar qualquer forma, caber em qualquer espaço e ainda ter o dobro de performance no sinal?

Pesquisadores da Faculdade de Engenharia da Universidade de Drexel, na Filadélfia, desenvolveram uma antena que pode ser fabricada a partir de um pulverizador (spray), como numa aplicação de tinta aerossol. O material utilizado é o MXenes, um composto descoberto pela própria Universidade de Drexel, em 2011, e que consiste em folhas de carboneto de metal 100 mil vezes mais finos que uma folha de papel. Essas folhas são condutoras de metal e mantém sua condutividade mesmo quando são sobrepostas, possibilitando a fabricação das antenas transparentes e flexíveis.

Em seu estado inicial, o MXenes se apresenta como um pó, que pode ser diluído na água. Depois disso ele pode ser borrifado, criando as antenas, que são tão finas que são chamadas de 2D (apenas dois lados). Elas já possuem desempenho similar ao de uma antena de smartphone comum, mas apresentam vantagens que podem revolucionar o design desses gadgets e, inclusive, permitir a criação de novos dispositivos, os quais, com a tecnologia de antenas que temos atualmente, seriam impossíveis de existir: ocupam menos espaço, são mais leves, se fixam a qualquer superfície sem a necessidade de utilização de um outro material (solda ou cola) e ainda podem ser transparentes, possibilitando hardwares com uma aparência limpa e discreta.

Sobre seu desempenho, o professor assistente de pesquisa da Drexel, Babak Anasori, diz que as antenas de MXenes estão apenas em seu estágio inicial de desenvolvimento, o que significa que a tecnologia ainda tem muito a ser melhorada. De acordo com ele, com o investimento de mais tempo e recursos, será possível obter antenas ainda mais finas e com sinal mais potente. Anasori também acrescentou que, desde que o artigo sobre o produto foi publicado na revista Science Advances, a universidade já foi contatada por algumas empresas interessadas.