Um ex-engenheiro da Google e da Microsoft chamado Dan Luu estava com uma pulga atrás da orelha. Ele tinha a impressão de que computadores novos, desenvolvidos, construídos e comprados em 2017 aparentavam na verdade serem mais lentos que aqueles feitos nos anos 1980. Como um engenheiro de software, ele sabe que os aparelhos de hoje são imensuravelmente mais poderosos que os daquela época, mas o que vinha lhe incomodando é o tempo de resposta dos novos aparelhos aos comandos feitos pelos usuários. Em outras palavras, a latência.

Por conta disso, Luu resolveu testar uma série de computadores lançados desde os anos 1980 até 2017. Ele mediu o tempo que leva para cada um desses aparelhos responder a um aperto no teclado para descobrir se os dispositivos de hoje são de fato menos responsivos que os de antigamente. Será que o lag é coisa da nossa década?

Será que o lag é coisa da nossa década?

De acordo com os resultados encontrados por Luu, sim. Um Apple IIe, lançado originalmente pela Maçã em 1983, acabou ficando com o primeiro lugar entre todos os aparelhos testados por Luu. Ou seja, esse dispositivo foi o de menor latência que ele pôde encontrar.

Máquinas modernas são muito mais capazes do que as das décadas passadas, mas elas também rodam sistemas operacionais mais modernos, versáteis e "pesados". Por isso, o procedimento para registrar um aperto de teclado no Windows 10 pode ter uma quantidade muito maior de “passos” para ser completado do que no sistema do Apple IIe.

dan luu

Computadores pessoais antigos vinham com sistemas muito simplistas e pouco versáteis, que não aceitavam uma grande variedade de periféricos ou mesmo acessórios básicos, como teclados fabricados para outras máquinas. Por isso, o Apple IIe, que tem um processador rodando a apenas 1 MHz, conseguiu responder ao teste do aperto de tecla em apenas 30 milissegundos. Em contrapartida, um desktop PowerSpec G405 com Intel Core i7-7700K de 4.20GHz levou 200 ms.

Variáveis

Para entender se existiam outras variáveis que afetavam a latência dos computadores atuais, Luu resolveu testar alguns modelos com monitores de taxas de atualização diferentes (24 Hz, 60 Hz, 120 Hz…). Ele descobriu que o mesmo desktop citado acima poderia ter uma latência de apenas 90 ms com um monitor de 60 Hz e que um PC com um processador Intel Haswell-e de 2014 poderia ter vários resultados, saindo de 140 ms em um monitor de 24 Hz para 50 ms em uma tela de 165 Hz.

Plataformas mais fechadas como o iOS e o Chrome OS  conseguiram boas taxas de latência

O engenheiro ainda descobriu que determinados sistemas operacionais conseguem mais desempenho nessa questão da latência do que outros. Os SOs customizados e simplistas das máquinas dos anos 1980 tiveram vantagem, mas plataformas mais fechadas como o iOS, o Chrome OS e também uma versão básica do Linux conseguiram boas taxas de latência. Enquanto isso, coisas mais complexas como o Windows 10 e o macOS High Sierra ficaram nas últimas colocações. Como descrito antes, isso tem a ver com a complexidade do software a sua versatilidade.

Os testes foram realizados com duas câmeras, uma apontando para o teclado enquanto Luu apertava uma tecla, e outra para o display da máquina em teste. Uma delas era capaz de fazer 240 quadros por segundo, enquanto a outra chagava a 1.000 quadros por segundo.

Não pôde colocar todas as máquinas nas mesmas condições de testes

Naturalmente, não é possível considerar esses resultados obtidos por Luu como algo escrito em pedra. Primeiro porque ele não é exatamente um especialista em hardware antigo e não pôde colocar todas as máquinas nas mesmas condições de testes. Fora isso, as câmeras que ele usou para medir o tempo poderiam ser mais capazes na questão dos quadros por segundo caso ele tivesse um laboratório mais completo à disposição.

Em outras palavras, o teste de Luu, apesar de ter sido feito de forma improvisada, revela que nossos dispositivos se tornaram infinitamente mais poderosos, mas infelizmente eles estão respondendo um pouco mais lentamente a nossos comandos. Por conta disso, empresas como a Apple e Razer estão colocando telas com altas taxas de atualização em seus aparelhos portáteis, a fim de diminuir o lag.

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