Quem é graduado na arte de desfrutar de bons games no PC sabe que a experiência começa antes de apertar o play e detonar nos comandos do teclado.

Tirando os gamers endinheirados que já possuem uma placa de vídeo de ponta, a maioria dos mortais começa a brincadeira antes de instalar o jogo, quando é preciso verificar o hardware e pensar na questão da compatibilidade.

Há jogadores que não se importam com qualidade ou performance, sendo que a possibilidade de rodar o game já é motivo de satisfação para experimentar uma nova aventura. Esses são os gamers que apenas habilitam a opção automática e desfrutam da história sem enrolações.

No entanto, quem é integrado ao mundo hardware adora mergulhar em um jogo mais difícil: o de testes incessantes para encontrar um ponto de equilíbrio entre visual e desempenho. Esses jogadores gostam de experimentar cada configuração, efetuar medições de frame rate e fazer inúmeras comparações para ver a capacidade de suas máquinas.

Essa é mais ou menos a rotina de quem, assim como eu, trabalha analisando produtos de hardware. O teste completo de uma placa de vídeo, por exemplo, exige horas de verificações da peça em diversas situações, desde as mais simples até as mais estressantes. É preciso atenção aos detalhes e repetições de processos para conferir toda a performance do produto.

Não há muitos segredos para essa rotina, mas é importante ter uma base de conhecimento e as ferramentas adequadas para embarcar nas sessões de benchmark. Hoje, eu vou contar para vocês como se dá parte das análises de hardware aqui no TecMundo, de modo que você pode repetir alguns processos no seu PC para verificar o desempenho do seu computador.

Qual é o propósito de um benchmark?

Os aplicativos de benchmark já são velhos conhecidos no mundo da informática. Há programas para testar placas de vídeo, processador, ambientes de rede, dispositivos de armazenamento, memórias e muito mais. O propósito desses programas é identificar a performance das peças para tarefas específicas.

No caso dos testes gráficos, cenas que simulam a utilização de efeitos avançados são usadas para averiguar a capacidade das placas em situações extremas. Com medições constantes, os softwares conseguem verificar o desempenho da placa de vídeo (ou do processador, que também é usado em vários casos) em cada simulação.

Os jogos a que você tem acesso dificilmente apresentam qualidade gráfica similar a de um benchmark, já que, muitas vezes, esses programas trazem inovações que ainda não foram aplicadas em engines. Eles são configurados para exagerar nos testes de estresse, então os resultados não servem como base representativa da performance do hardware em games.

Importante notar, no entanto, que tais aplicações são bastante utilizadas para conferir a performance das placas em comparação com outras similares. Considerando a diversidade de produtos no segmento, os resultados dos testes servem para o jogador verificar se o produto adquirido entrega os resultados prometidos pela fabricante.

Através de um benchmark, é possível averiguar, por exemplo, se não há problemas de temperatura, tensão ou firmware. Uma placa que tenha um sistema de refrigeração fraco talvez não entregue resultados pífios em um jogo, mas ela pode superaquecer em um teste pesado, de modo que o jogador poderá descobrir uma falha rapidamente.

Abaixo, você pode conferir exemplos de alguns benchmarks comuns em testes de placas de vídeo. É importante notar que os softwares citados neste artigo são os mais famosos, os quais são mais recomendados, devido à enorme base de usuários, o que vem a calhar na hora dos comparativos — não por acaso, alguns são referência para recordes e competições mundiais.

3DMark

  • Compatibilidade: celulares, tablets, notebooks, desktops
  • Recomendação: qualquer máquina com placa de vídeo dedicada
  • Requerimentos: placa de vídeo compatível com DirectX 9.0c ou DirectX 12 (recomendado 3 GB para o teste com o TimeSpy), processador dual core de 1,8 GHz (AMD ou Intel), 2 GB de memória RAM, Windows 7 ou Windows 10
  • Custo: gratuito e pago (para testes específicos)

Se você acompanha testes de placas de vídeo, certamente já está familiarizado com o 3DMark. Esse é o programa mais famoso do segmento, sendo que ele conta com vários testes para diferentes dispositivos. Na atual versão, o 3DMark conta com os seguintes testes:

Ice Storm e Ice Storm Extreme: teste com gráficos mais simples, voltados para celulares e tablets;

Cloud Gate: aplicação com visuais levemente incrementados, apropriada para uma análise de notebooks de entrada e PCs domésticos;

Sky Diver: prova com uso moderado de recursos gráficos, eficiente para notebooks com chip gráfico dedicado e modelos gamers de entrada;

Fire Strike e Fire Strike Extreme: aplicações mais robustas voltadas para placas de vídeo de desktop ou notebooks mais poderosos, bem como para as placas mais avançadas da atualidade;

TimeSpy: demonstração com as tecnologias mais recentes, incluindo DirectX 12, ideal para averiguar a capacidade dos componentes com gráficos futuristas;

VRMark: simulação de um cenário com elementos comuns em títulos de Realidade Virtual, ideal para conferir a competência do computador com os novos óculos VR.

Os testes do 3DMark geralmente são divididos em etapas, que são programadas para testar os componentes em diferentes situações. Essa separação de tarefas é válida para que o usuário possa entender os pontos fortes e fracos de sua máquina, uma vez que a pontuação geral (e as médias de fps) nem sempre garante uma compreensão adequada da performance.

A demonstração FireStrike, por exemplo, inclui provas gerais de gráficos (com tessellation, iluminação volumétrica, simulação de fumaça e iluminação dinâmica de partículas), análise de processamento de física e cenários que mesclam inúmeras partículas, simulando um game de qualidade muito avançada.

Vale notar que o 3DMark tem duas versões: Basic e Advanced. Se você pretende apenas rodar testes simples, a opção gratuita é suficiente para suas necessidades, sendo possível avaliar a performance da sua placa nas opções de fábrica. Para aqueles que buscam resultados personalizados e configurações avançadas, o software pago pode ser mais recomendado.

Unigine Heaven Benchmark

  • Compatibilidade: notebooks, desktops
  • Recomendação: qualquer máquina
  • Requerimentos: ATI Radeon HD 4000 (ou superior), Intel HD 3000 (ou superior), NVIDIA GeForce 8000 (ou superior), 512 MB de memória de vídeo
  • Custo: gratuito e pago (com opções avançadas)

Um dos testes mais clássicos tem alguns recursos muito importantes para averiguar toda a performance da sua máquina em diferentes situações.  O Unigine Heaven suporta as APIs DirectX9, DirectX 11 e OpenGL 4.0.

Sendo um dos primeiros compatíveis com o DirectX 11, esse programa usa recursos avançados de tesselação, partículas volumétricas, oclusão de ambiente em todo o espaço de tela e iluminação global em tempo real.

Esse programa conta com informações próprias para você acompanhar a temperatura e os status da sua placa de vídeo. Além do teste de benchmark, você pode explorar o cenário muito detalhado de forma livre.

O Unigine Heaven Benchmark é compatível com Windows (XP, Vista, 7, 8 e 10), Linux e Mac OS X (versão 10.8 ou superior).

Unigine Valley Benchmark

  • Compatibilidade: notebooks, desktops
  • Recomendação: qualquer máquina
  • Requerimentos: ATI Radeon HD 4000 (ou superior), Intel HD 3000 (ou superior), NVIDIA GeForce 8000 (ou superior), 512 MB de memória de vídeo
  • Custo: gratuito e pago (com opções avançadas)

Em questão de tecnologias, o teste Valley tem muitas similaridades com o Heaven. Os visuais ainda são produzidos pela engine Unigine 1, mas as diferenças ficam por conta do cenário mais amplo com um nível de detalhes surpreendente.

Uma mudança significativa nesse software é a geração de conteúdo de forma procedural, ou seja, o cenário pode mudar a cada nova execução. Além disso, você tem como efetuar regulagens no clima de forma dinâmica, o que permite averiguar a performance em diferentes situações de jogo.

Assim como o Heaven, o teste Valley conta com ferramentas para monitorar temperatura e clocks da placa de vídeo — o que poupa recursos da máquina, já que não é preciso ativar outro software de monitoramento.

Esse benchmark é compatível com Windows (XP, Vista, 7, 8 e 10), Linux e Mac OS X (versão 10.8 ou superior).

Unigine Superposition

  • Compatibilidade: notebooks, desktops
  • Recomendação: qualquer máquina
  • Requerimentos: AMD Radeon HD 7000 (ou superior), Intel HD 5000 (ou superior), NVIDIA GeForce GTX 600 (ou superior), 2 GB de memória de vídeo
  • Custo: gratuito e pago (com opções avançadas)

Lançado em 2017, o teste Uniginie Superposition conta com as mais recentes tecnologias do mercado. Ele é bastante adequado para ter noção quanto ao desempenho da máquina em cenários de games atuais, que usam efeitos avançados comuns em jogos que adotam o DirectX 12 ou a tecnologia Vulkan.

Baseado na nova engine Unigine 2, esse benchmark utiliza efeitos de iluminação dinâmica, incluindo SSRTGI (Iluminação Global com Traçados de Raios no Espaço de Tela), mais de 900 objetos interativos e elementos que testam com extrema precisão a estabilidade do hardware.

Novamente, a Unigine embutiu nesse software as ferramentas para monitorar temperatura e clocks da placa de vídeo — o que poupa recursos da máquina, já que não é preciso ativar outro software de monitoramento. A versão paga ainda tem experiência com realidade virtual (Compatível com Oculus Rift e HTC Vive, mas somente no Windows).

Esse benchmark é compatível com Windows (7, 8 e 10) e Linux.

Catzilla

  • Recomendação: qualquer máquina
  • Custo: gratuito e pago (com opções avançadas)

Um benchmark alternativo bastante utilizado pela comunidade gamer é o Catzilla. Se você quer rodar mais um teste para conferir a pontuação do seu sistema, vale experimentar esse software que tem várias configurações de resoluções.

FurMark

  • Recomendação: gamers e entusiastas que precisam testar temperatura e estabilidade de placas de vídeo para desktops
  • Custo: gratuito

Para finalizar, temos a recomendação de um programa de benchmark mais simples, mas muito comum entre a comunidade de gamers e entusiastas que realizam testes extremos com suas placas de vídeo.

O FurMark é um aplicativo que engana pelos gráficos básicos e até pouco atrativos, mas que exige muito potencial da máquina. É importante usar os testes com parcimônia, pois o uso prolongado pode implicar em um aumento significativo de temperatura, o que pode causar algumas inconsistências. Então, use com cuidado!

Benchmarks dentro dos jogos

Se todas essas opções de benchmark ainda não foram suficientes para saciar sua sede por performance, então vale mergulhar no mundo dos jogos e começar a fazer testes com as ferramentas que as desenvolvedoras disponibilizam ou mesmo por conta própria.

Normalmente, quem pretende comparar muitas placas de vídeo (que é o caso de análises especializadas) costuma realizar dois tipos de testes:

Benchmarks próprios dos games: há cenários específicos que rodam exatamente as ações e simulam o uso máximo de determinadas situações do jogo, o que permite uma comparação justa entre diferentes componentes.

Alguns jogos com benchmarks próprios: Batman Arkham Knight, Deus Ex Mankind Divided, Far Cry Primal, Ghost Recon Wildlands, GTA V, Rise of the Tomb Raider, The Division, Shadow of Mordor, Metro Last Light, GRID Autosport, F1 2015 e Hitman Absolution. Além desses games, é possível que o seu jogo favorito tenha uma ferramenta similar, então vale conferir as opções.

Testes em jogo: o jogador pode tentar realizar ações similares e usar ferramentas externas para relatórios de performance. Contudo, aqui não há a possibilidade de conseguir exatamente a mesma precisão na execução das cenas, o que pode causar alguma distorção nas comparações.

Testes em jogos

Para os testes com jogos, você pode usar programas como o Fraps ou o MSI Afterburner (associado com o Riva Turner) para obter informações sobre o desempenho dos componentes na tela. O Fraps é um software mais limitado, mas bastante simples de configurar. O aplicativo da MSI é completo, porém exige um pouco de atenção na hora da configuração.

Com esses programas, você pode observar o desempenho em tempo real e até criar arquivos de registro para obter um relatório detalhado da performance da sua máquina. Após executar o game e capturar as informações durante o jogo, você pode conferir se o seu PC dá conta do recado em situações específicas.

Como é possível conferir até mesmo as taxas mínimas de frames por segundo, bem como frametime, uso de CPU e outros dados, você pode entender qual é a parte falha da sua configuração ou mesmo se é preciso ajustar as configurações do jogo para uma experiência aprimorada.

É importante observar, contudo, que esse tipo de teste não é recomendado para comparar diferentes computadores, já que é bastante complexo realizar exatamente as mesmas jogadas. Então, se você vai testar a sua placa de vídeo em jogo, você só poderá utilizar os resultados como parâmetros de performance para a sua configuração.

Enfim, existem outras ferramentas para testes e benchmarks, bem como vários jogos antigos que contam com configurações para avaliar a performance da placa de vídeo. O negócio é baixar os gratuitos e começar a brincar. Boa sorte e boa jogatina!

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