A Motorola Solutions — não confundir com Motorola Mobility — anunciou ontem uma pareceria com a startup Neurala para implementar o software dessa pequena empresa em suas câmeras de monitoramento utilizadas por policiais em suas fardas. A câmera Si500, equipada com o sistema da Neurala seria capaz de escanear pessoas em meio à multidão em tempo real e ajudar os policiais a encontrar desaparecidos e também suspeitos em fuga.

Esse software usa inteligência artificial para identificar determinados aspectos do corpo das pessoas, tais como cor das roupas do cabelo e de outros acessórios que elas possam estar utilizando. Contudo, a Motorola e a Neurala esclarecem que a ferramenta não usa reconhecimento facial para identificar com precisão um indivíduo.

Privacidade

Mesmo com essa limitação, pessoas preocupadas com a privacidade dos cidadãos comuns levantaram dúvidas acerca das possibilidades de uso das imagens gravadas pelas câmeras dos policiais. Elas teriam que estar ligadas o tempo todo para identificar indivíduos de interesse e poderiam gravar pessoas que não gostariam de ter sua privacidade atacada sem nenhum motivo.

Contudo, o cofundador da Neurala, Max Versace, explicou que a tecnologia não seria usada para fins que atacassem a privacidade das pessoas na rua. Em vez disso, a inteligência artificial seria capaz apenas de reconhecer determinadas características do corpo de quem passa e cruzar essas informações com alertas emitidos pela polícia.

Ou seja, se alguém de cabelo marrom desaparece com uma camiseta branca e bermuda azul, as câmeras poderiam conferir esses detalhes em todas as pessoas que os policiais veem e alertá-los para uma possível correspondência. Ainda assim, os oficiais teriam que abordar o indivíduo para descobrir de fato se aquela pessoa é mesmo a que está sendo procurada.

Por enquanto, não há informações claras sobre quando essas câmeras começarão a entrar em circulação ou se elas serão de fato aprovadas por autoridades para utilização em forças policiais. É interessante notar que, nos EUA, esse tipo de equipamento se tornou popular nos últimos anos por demanda popular, dada a quantidade de casos de abuso de autoridade em várias partes do país. Contudo, os oficiais são obrigados a avisar os cidadãos que eles estão sendo gravados no momento da abordagem e, caso a pessoa peça, eles precisam desligar a câmera.

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