Nas últimas semanas a internet está sendo tomada por notícias envolvendo bonecas e robôs para finalidades sexuais. No entanto, especialistas conduziram um estudo que atesta que, apesar de oferecer experiências para pessoas idosas, deficientes ou que sofrem com problemas de interação social, o uso dos androides também podem influenciar em tendências preocupantes de comportamento, como no aumento da objetificação da mulher.

As informações estão contidas no relatório da Fundação pela Robótica Responsável, a FRR. O grupo admitiu que os robôs podem, sim, ser uma “revolução” sexual, mas também podem distorcer as percepções de consentimento e até mesmo serem usados para satisfazer desejos que, na prática, são ilegais.

É o caso do modelo “RoxxxyGold” que contém um modo chamado "Frigid Farah”, ou “Farah Frígida”, que é descrita como “reservada e tímida”, com sua fabricante indo mais longe e descrevendo a experiência com o robô: “se você tocá-la em suas partes íntimas, o mais provável é que ela não apreciará muito seus avanços” – o que é suficiente para que a interpretação seja de que a coisa toda estimula fantasias relacionadas a estupros.

Noel Sharkey, um dos envolvidos com o documento e professor de inteligência artificial e robótica na Universidade de Sheffield, explica: “Algumas pessoas podem até dizer que é melhor que estuprem robôs do que pessoas reais – é um dos argumentos. Mas outras pessoas estão dizendo que isso vai encorajar ainda mais os estupradores”.

Outra ideia que causa medo é que a indústria vá mais longe e crie modelos de robôs sexuais baseados em crianças. Na verdade, isso já existe no Japão, criação de uma empresa de um pedófilo confesso que afirma que os robôs previnem que ele abuse de crianças de verdade.

“Tratar pedófilos com robôs sexuais de crianças é uma ideia duvidosa e repulsiva. Imagine tratar o racismo deixando que uma pessoa abuse de um robô com tom de pele mais escura: isso funcionaria? Provavelmente não”, explica Patrick Lin, diretor de ética e ciências emergentes na Universidade Politécnica do Estado da Califórnia.

Ainda assim, os especialistas acreditam que o que é preciso é buscar um equilíbrio. Dra. Aimee van Wynsberghe, professora assistente em ética e tecnologia na Universidade Tecnológica de Delft e co-diretora da FRR, diz: “É claro que existem benefícios na tecnologia, mas, como todas as outras coisas, existe um equilíbrio. Você tem que encontrar a harmonia entre não ter regulamentação alguma – o que abre precedentes para bonecos de mulheres como objeto e crianças – e ter regulamentação demais, o que pode fazer com que a tecnologia fique muito rígida”.

“Se estamos falando de indivíduos que não apenas sofrem com deficiência mas também com traumas, de alguma forma isso pode ser um instrumento benéfico para, de alguma forma, ajudá-los em seu processo de recuperação”, explica a doutora.

Atualmente, quatro grandes empresas são conhecidas por fabricar robôs sexuais, com preços que vão de US$ 5 mil (R$ 16,4 mil) até US$ 15 mil (R$ 49,3 mil). Alguns lugares já fazem aluguel dos androides nos Estados Unidos e uma cafeteria com “ciborgues eróticos” como atendentes está sendo cogitada para abrir em Londres.

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