Costumeiramente focamos nossos artigos sobre hardware no ramo de desktops, pois produtos voltados a esse mercado são os que chegarão até você. Hoje, todavia, vamos fugir da rotina e falar de outro tipo de computadores: os servidores.

E se falamos de servidores, vamos ao que há de mais novo, que é uma nova série da linha de processadores Intel Itanium. Portanto, hoje, você vai conferir algumas informações sobre o futuro dessa série, como a concorrente está se portando e entender o porquê de tanto poder num único chip.

O início do Itanium

A linha de processadores Intel Itanium foi lançada em 2001. Baseada na arquitetura EPIC, criada pela HP, essa série era voltada a servidores e teve grande repercussão num primeiro momento. O que a tornava diferente era a arquitetura IA-64, a primeira a trazer suporte para instruções de 64 bits no ramo de servidores.

Amostra de Itanium para fabricação em larga escala (Fonte da imagem: Divulgação/Wikimedia Commons)

Ocorre que CPUs Itanium não tiveram sucesso algum, sendo consideradas como um grande fracasso da Intel. Apesar de inovadoras e robustas, tais unidades não tiveram mercado para atender, visto que traziam uma tecnologia que exigia mudanças significativas nos sistemas operacionais e nos aplicativos.

As dúvidas quanto à utilização de um Itanium sempre ocorreram. O motivo é simples: ele é compatível apenas com instruções de 64 bits, sendo impossível executar quaisquer softwares 32 bits. Tal detalhe afastou muitos consumidores — ou seja, administradores de redes de grandes companhias — dessa linha de CPUs, visto que alguns aplicativos não tinham versões de 64 bits (ou porque simplesmente não compensava investir em licenças novas).

Nota: atualmente, alguns softwares rodam por emulação nas CPUs Intel Itanium. O resultado, porém, nem sempre é satisfatório e depende muito do sistema operacional utilizado.

A Intel, no entanto, não recuou e investiu alto nos processadores Itanium. Prova disso é o lançamento dos processadores Itanium de codinome Tukwila, que chegaram ao mercado em 2010. Modelos da linha Itanium 9300 Series trazem até quatro núcleos e no máximo 24 MB de memória cache L3.

(Fonte da imagem: Divulgação/Wikimedia Commons)

Mostrando empenho em manter tais CPUs vivas, a fabricante revelou no início do ano — e confirmou no dia 19 de agosto — que vai insistir na linha Itanium com uma nova leva de processadores de codinome Poulson. Abaixo detalharemos um pouco sobre as informações que foram divulgadas sobre os novos chips.

Mais de 3 bilhões de transistores

As primeiras informações impactantes da linha Poulson dizem respeito à miniaturização do processador. Com o tamanho reduzido de 699 mm² para 544 mm², a inclusão de mais de 1 bilhão de transistores e o processo de fabricação de 32 nm (nos Tukwila, era usado o de 65 nm), a Intel pretende criar um chip menor e mais potente.

Outra grande mudança é no quesito desempenho. A fabricante duplicou a quantidade de núcleos — passando de quatro para oito cores — nos modelos mais potentes, assim ela criou modelos capazes de trabalhar com até 16 threads. Para acompanhar esse aumento de processamento, as CPUs da série Poulson trarão até 32 MB de cache L3, e no total um máximo de 54 MB de memória cache.

A arquitetura do Itanium Poulson também é diferente. Além das diferenças físicas, os novos modelos contam com funções inovadoras, as quais vêm para aprimorar o desempenho com aplicativos mais robustos. A mais notória é a função Intel Instruction Replay Technology, a qual funciona como um buffer para eventuais recuperações contra erros. Com essa novidade, o processador consegue obter a última informação útil sem ter de reiniciar o processo do zero.

A linha Poulson ainda trará novas instruções e melhorias em diversos aspectos. Entre tantas novidades, uma que vem a calhar é a largura de banda, que tem um amento de 33%, possibilitando velocidades mais altas e maior quantidade de dados trafegando.

E considerando os novos softwares, a arquitetura Poulson contará com novos dados, instruções de pipelines, pontos flutuantes e instruções de buffer. A nova série de CPUs Itanium chegará apenas em 2012, contudo, a boa notícia para os administradores de grandes redes é que os novos processadores usarão o mesmo soquete dos Tukwila, ou seja, basta adquirir um Poulson e instalá-lo na placa-mãe para ver grandes diferenças no processamento.

A concorrente vem com tudo

Não é de hoje que a AMD bate de frente com a Intel, contudo, por incrível que pareça a AMD não tem um produto específico para brigar com o Itanium. O Opteron é o processador da AMD voltado ao mercado de servidores, no entanto, sua arquitetura e desempenho comprovam que ele foi feito para dividir mercado com o Xeon, da Intel.

(Fonte da imagem: Divulgação/AMD)

E apesar de, em algumas situações, o Opteron ser um produto mais fraco, ele consegue superar até os recentes Poulson em algumas características. Enquanto os futuros chips da Intel trarão oito núcleos, a AMD já comercializa processadores com doze.

Os modelos mais avançados da linha Opteron trazem apenas 12 MB de cache L3, todavia, essa quantidade de memória tem sido suficiente para gerenciar os softwares mais recentes com boa velocidade. A AMD ainda não anunciou detalhes sobre o futuro das CPUs para servidores, no entanto, a briga deve continuar quente, ainda mais que a AMD comercializa produtos tão robustos quanto os da Intel, mas com preços mais baixos.

Para que tudo isso?

Talvez você nunca tenha visto as especificações de um servidor. E agora pode vir uma surpresa: uma única máquina que faça parte de um servidor pode contar com quatro ou mais processadores. Imaginar a real potência de um computador desse tipo não é fácil, ainda mais que nossos padrões de referência, geralmente, são jogos e programas como AutoCAD.

Não que softwares e games de última geração para desktops não sejam “pesados”, mas ocorre que o nível de desempenho dos servidores está num outro patamar. Desse modo, também são completamente diferentes os aplicativos que são executados em máquinas servers.

A primeira diferença está no sistema operacional, que muitas vezes nem utiliza interface gráfica. Outras mudanças notáveis estão nos programas que são executados, ou seja, não pense que usam máquinas desse tipo para brincar com Photoshop ou CorelDRAW. Claro, CPUs desse naipe são capazes de executar diversos aplicativos como esses sem quaisquer dificuldades, mas o propósito do alto nível de processamento é outro.

Como o próprio nome sugere, servidores são próprios para servir outras máquinas. Eles funcionam como computadores-mestres, que cuidam de grandes sistemas, os quais mantêm uma rede estável e possibilitam que uma empresa execute softwares específicos para atender a um grande público — seja local ou remoto.

Tome como exemplo um servidor da Google. Eles são compostos por diversas máquinas interligadas e cada qual conta com múltiplos processadores (não vamos nos referir a marcas aqui). O poder de processamento de um servidor desses, por exemplo, é capaz de sustentar múltiplas requisições do YouTube.

Caso o mesmo trabalho fosse realizado por CPUs voltadas para desktops, atender a um mesmo nível de requisições poderia demorar 20 vezes mais tempo — isso se formos modestos e estivermos supondo que um processador de última geração é realmente poderoso. Assim, basicamente, se não houvesse chips como o Itanium, Opteron ou Xeon, usar a web seria muito demorado, pois os servidores não conseguiriam atender a tantos pedidos.

Um atraso de muitos anos nos desktops

Não há uma estatística ou estudo que comprove essa teoria, mas fazendo uma análise básica no lançamento dos processadores, tanto da Intel quanto da AMD, podemos concluir que atualmente existe um atraso de mais de cinco anos para que as CPUs para desktop alcancem um desempenho similar ao dos servidores.

Isso quer dizer que para uma CPU voltada aos desktops conseguir alcançar o nível de um Xeon ou Opteron comercializado atualmente será preciso esperar até 2016. Claro, esse tempo está se reduzindo gradualmente, pois tanto a AMD quanto a Intel vêm lançando e anunciando processadores absurdamente potentes para desktops.

(Fonte da imagem: Divulgação/Intel)

Talvez na competição entre uma única CPU contra outra, o desempenho se iguale antes do que prevemos. Contudo, quando falamos das máquinas como um todo, não há como apostar que um desktop conseguirá um desempenho de ao menos 10% de um servidor por um simples motivo: as placas-mãe compatíveis com Itanium e outros processadores de servidores possibilitam instalar múltiplos processadores.

Não existe motivo para tristeza

Com certeza bateu um pouco de tristeza ao saber que seu amado Intel Core i7 de última geração não chega aos pés de um Itanium. Entretanto, não existe razão para choro, pois os processadores de desktops atuais oferecidos pelas fabricantes são mais do que excelentes para todas as atividades. Você já conhecia algum processador como o Itanium? Sinta-se à vontade para comentar!

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