(Fonte da imagem: Reprodução/PC Magazine)

Tentar fazer qualquer tipo de previsão sobre o futuro é uma atividade arriscada e sujeita a erros. Em um mundo que muda a todo momento, a uma velocidade surpreendente, com quebras subsequentes de paradigmas, com a subversão e a substituição de técnicas e tecnologias, qualquer palpite sobre o amanhã não será mais do que mera especulação.

Não é a toa que muita gente famosa já tentou predizer o que aconteceria com a sociedade diante de uma novidade disruptiva e, por azar do destino, se viu completamente contrariada pelos fatos objetivos. De Bill Gates a executivos da IBM que não acreditam na viabilidade comercial do computador, o setor da tecnologia é especialmente cheio de previsões erradas.

Em parte, essas afirmações apressadas e equivocadas aparecem quando a possibilidade de enxergar a aplicação prática de um produto é limitada ou até mesmo impossível para o contexto da época. Em outros casos, o erro está na resistência de aceitar uma novidade ou menosprezar seu alcance e sucesso. E há situações também em que os indícios apontavam um caminho, mas o trajeto escolhido foi – inexplicavelmente – outro.

É interessante notar esses casos hoje, com previsões há muito tempo ultrapassadas pela realidade, e perceber como a análise de qualquer tendência sobre o mercado atual pode recorrer a esses mesmos furos.

Com a chegada de novos dispositivos que prometem revolucionar a maneira como lidamos com o dia a dia, como os óculos e relógios inteligentes, entre outros computadores de vestir, podemos buscar as referências históricas que nos mostram que, quando se trata de tecnologia, não é possível desvendar o futuro, nem tentar palpitar sobre a aceitação de um produto.

Confira abaixo algumas das previsões erradas mais conhecidas do setor de tecnologia.

Computadores

(Fonte da imagem: Reprodução/Crowl)

“Não há nenhuma razão para alguém querer um computador em casa” (Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipment Corp. em 1977)

É impensável hoje uma residência sem um; mesmo que não seja um PC ou um desktop tradicional, o computador está nas casas na forma de notebooks, tablets e smartphones – e até as próprias residências começam a ganhar sistemas inteligentes, interligados e conectados com a internet e com os sistemas computacionais. Olson viu sua previsão furada o assombrar até o final da vida.

“Eu acredito que há mercado para talvez cinco computadores” (Thomas Watson, presidente da IBM em 1943)

É preciso defender Watson sobre essa afirmação: quando disse isso, o então presidente da IBM lidava com computadores gigantescos, que chegavam a ocupar o espaço de uma casa inteira. Ele não tinha como saber que o sistema chegaria a um formato tão compacto e com tantas funcionalidades como temos hoje.

Telefones

(Fonte da imagem: Divulgação/Apple)

“Os americanos precisam do telefone, nós não. Nós temos muitos garotos mensageiros” (Sir William Preece, chefe da agência britânica de correios em 1876)

Essa é quase uma anedota do século retrasado; como alguém pôde pensar que o telefone não seria uma forma mais rápida de comunicação? Nesse caso, podemos pensar que Sir William Preece estava querendo defender seu posto de trabalho e o emprego dos seus mensageiros. Mas, no fundo, quem não gosta de um pouco da arrogância britânica em relação aos Estados Unidos?

“US$ 500? Todo subsidiado? Com um plano? Eu digo que este é o telefone mais caro do mundo. E ele nem é atraente para o trabalho porque ele não tem um teclado, o que faz dele uma máquina de email não muito boa” (Steve Ballmer, presidente executivo da Microsoft no lançamento do iPhone, em 2007)

Ballmer devia estar olhando o aparelho da rival com uma certa dose de inveja e desejando muito que o lançamento não caísse no gosto dos consumidores, ou será que ele acreditava mesmo na bobagem que estava falando? Seja como for, a justificativa do presidente-executivo da Microsoft parece mesmo uma piada. O iPhone não apenas se tornou um dos principais produtos da Apple como também revolucionou o segmento de telefonia, abrindo caminho para a linha de smartphones.

Televisão

(Fonte da imagem: Reprodução/Daily Mail)

“A televisão não vai conseguir se segurar no mercado por mais de seis meses. As pessoas logo vão se cansar de olhar para uma caixa de madeira todas as noites” (Darryl Francis Zanuck, produtor de cinema e um dos fundadores do estúdio 20th Century Fox, em 1946)

A verdade é que Zanuck estava preocupado com o futuro da indústria cinematográfica e de como a televisão poderia roubar o público das salas de cinema. De fato, a invenção do televisor teve um impacto sobre o modelo comercial hollywoodiano, mas o que vemos hoje é que as duas mídias coexistem e se influenciam mutuamente, tanto em linguagem quanto em formato – e as caixas televisivas deixaram de ter o acabamento de madeira para se assemelharem cada vez mais ao tamanho e ao aspecto das telas de cinema.

Comunicação via satélite

(Fonte da imagem: Reprodução/Diario21)

“Não há praticamente nenhuma chance de satélites espaciais de comunicação serem utilizados para melhorar os serviços de telefonia, telégrafo, rádio e televisão dentro dos Estados Unidos” (Tunis Augustus Macdonough Craven, representante da Comissão Federal de Comunicação dos EUA, em 1961)

Aqui vale a regra do nunca diga nunca. Pouco tempo depois dessa afirmação, Craven viu os Estados Unidos colocarem o primeiro satélite com fins comerciais no espaço, em 1965. E, hoje, não viveríamos – tão conectados! – sem eles.

Internet

(Fonte da imagem: Reprodução/Slide Share)

“Em dois anos, o problema do spam estará resolvido” (Bill Gates, fundador da Microsoft, em 2004)

Essa é o tipo de previsão que gostaríamos muito que tivesse de fato se tornado realidade. Infelizmente, os spams continuam por aí e correspondem a uma grande parcela de todas as mensagens enviadas por email em todo mundo. E não apenas isso, pois essas pragas aparecem agora também na forma de mensagens nos smartphones e em comunicadores instantâneos. Nunca mais nos engane assim, Bill Gates.

“Eu prevejo que a internet vai crescer como uma supernova e então, em 1996, sofrer um colapso catastrófico” (Robert Metcalfe, fundador da 3Com, em 1995)

O melhor sobre essa previsão não é o fato de Metcalfe ter errado feio, mas é ele ter prometido durante a entrevista para a revista InfoWorld que comeria suas palavras caso isso não acontecesse. Dito e feito! Dois anos depois, em 1997, durante a Conferência Internacional da World Wide Web, Metcalfe pegou uma cópia do texto com seu discurso e, na frente da plateia, colocou o papel no liquidificador, bateu com um pouco de líquido e ingeriu o conteúdo. Esse sim é um homem de palavra, não?!

Sistema operacional

(Fonte da imagem: Reprodução/Our-picks)

“Nós nunca vamos desenvolver um sistema operacional de 32 bits” (Bill Gates, em 1989)

E aí está Bill Gates nos enganando novamente. Na época, a Microsoft havia acabado de fazer a transição para os sistemas operacionais de 16 bits, e Gates não acreditava que mais uma mudança vinha pela frente. Em 1998, a empresa lançou o Windows 98 com sistema híbrido de 16 e 32 bits. Hoje, a Microsoft trabalha com sistemas operacionais de 64 bits. A pergunta que fica é: será que nesse caso gostaríamos que Gates também tivesse acertado sua previsão e descontinuado o Windows?

Apple

(Fonte da imagem: Reprodução/Apple)

“A Apple já está morta” (Nathan Myhrvold, então diretor de tecnologia da Microsoft, em 1997)

Esse era mais um funcionário da Microsoft que desejava o fim da empresa rival. A verdade é que, na época em que Myhrvold soltou essa afirmação, a Apple estava mesmo muito mal e todos da indústria davam como certa a falência da companhia de Jobs. A revista TIME, um ano antes, chegou a dizer que “a Apple é uma bagunça caótica, sem visão estratégica e certamente não tem futuro”.

A volta de Jobs ao comando da empresa, em 1997, mudou tudo. A Apple revolucionou o setor tecnológico com alguns dos produtos mais importantes da atualidade, como o iPhone, o iPad e o iPod, e neste ano foi eleita a marca mais valiosa do mundo, superando a Coca-Cola, no Best Global Brands. Nada mal para uma empresa defunta, não?