Você se lembra da esquete "Delação", do grupo de humor Porta dos Fundos? Ele tira sarro das investigações seletivas e das delações premiadas da Polícia Federal e, por criticar a instituição, virou alvo de uma grande campanha na internet. Ele se tornou um dos vídeos mais negativados do YouTube no Brasil, graças ao esforço de "descurtidas" de usuários de todo o Brasil.

E como foi a reação do Porta dos Fundos? Com um novo vídeo — agora satirizando os próprios comentaristas que sugeriam que o grupo possui ligações e até recebe dinheiro do governo do PT. Em "Reunião de Emergência 3, A Delação 2", Antonio Tabet, Fabio Porchat, João Vicente de Castro e Gregorio Duvivier atuam como eles mesmos em um cenário fictício: como se o Porta dos Fundos realmente fosse comunista, sustentado pelo governo com rios de dinheiro e só vestido com camisetas do PT, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) ou do Movimento dos Sem-Terra (MST).

As brincadeiras metalinguísticas vão longe: há piadas sobre Duvivier "dar muita pinta" sobre seu apoio ao governo (ele é declaradamente um militante da esquerda) e sobre montagens mal feitas no Facebook "desmascararem" o tal esquema. Só que não sobram críticas ao próprio PT na fala dos humoristas, que falam com ironia que o partido é mesmo santo. "A internet é uma ferramenta maravilhosa", diz a descrição da postagem, citando várias conspirações impossíveis como grandes feitos realizados online.

Vai dar briga?

Artistas posicionados a favor do governo, como Letícia Sabatella e Wagner Moura, são mencionados — assim como os radicalmente contrários, como o músico Lobão, que constantemente escreve longos textos ou tweets para criticar Lula e Dilma Rousseff. Por enquanto, nenhum deles se manifestou.

Até o momento de publicação desta matéria, menos de uma hora e meia após a esquete ir ao ar, o vídeo possui uma proporção relativamente baixa de descurtidas: quase 3 mil negativadas, contra 29,2 mil "joinhas". Além disso, a campanha para que os usuários cancelassem a inscrição no canal não funcionou em larga escala: segundo o jornal O Globo, nas primeiras 48 horas da campanha, 38 mil seguidores se desinscreveram, mas 11,5 milhões ainda acompanham as postagens.

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