Pode parecer estranho para você quando confirmações como essa surgem, mas sim: empresas privadas também se envolvem na política — e, quanto maiores, mais envolvidas.

Semana passada, 30 mil emails de Hillary Clinton, candidata democrata à presidência dos EUA, foram postados no WikiLeaks. Neles, uma revelação interessante sobre a Google apareceu. Em 2012, segundo uma troca de mensagens entre a equipe de Clinton e um executivo da Google, a Gigante das Buscas estava trabalhando em uma ferramenta para apoiar os movimentos contrários ao presidente Bashar Assad, da Síria, na região.

"A minha equipe está planejando lançar uma ferramenta... Que vai rastrear e mapear publicamente os desertores na Síria e de quais partes do governo eles vêm", escreveu Jared Cohen, que era líder da divisão "Google Ideas", em email para a equipe de Clinton.

Desde que a "Google virou Alphabet", a divisão Ideas foi movida e rebatizada dentro da companhia. Agora, ela se chama Jigsaw. Veja abaixo o print do email.

o esforço em destronar Assad ajudou o crescimento do Estado Islâmico (ISIS)

Como você pode notar, Cohen disse que a ferramenta ajudaria a desestabilizar o regime do presidente sírio Assad. Em resposta, Jake Sullivan, chefe de equipe de Clinton, respondeu que essa era "uma ideia muito boa".

"A nossa lógica por trás disso é que enquanto muitas pessoas estão rastreando as atrocidades, ninguém está visualmente representando e mapeando as deserções, algo que nós acreditamos que seja importante para encorajar mais pessoas e dar confiança a oposição", comentou Cohen na troca de mensagens. O plano seria que a Google também liberasse "sorrateiramente" a ferramenta para a mídia no Oriente Médio, segundo o Washington Examiner — notando que a Google trabalhou com o canal árabe Al Jazeera para veicular as deserções.

O WE também comentou que o envolvimento da Google com a política internacional ainda gera riscos. No caso, "mesmo que Cohen considerasse o esforço como uma ajuda aos interesses norte-americanos, o esforço em destronar Assad ajudou o crescimento do Estado Islâmico (ISIS), que eventualmente preencheu um vácuo e resultou na perda de controle total de Assad sobre a Síria".

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