Você sabia que a Coreia do Sul é um dos países com a maior taxa de suicídio no mundo? São cerca de 17 mil pessoas que tiram a própria vida anualmente no país asiático — no Brasil, a taxa também é alta e fica em 11 mil pessoas por ano. Os motivos são vários e já renderam diversos estudos, mas isso não vem ao caso. A questão é: como diminuir esse número?

De acordo com a BBC News, algumas empresas da Coreia do Sul estão tentando reverter o quadro ao simular o funeral dos próprios funcionários. A ideia é que, ao notarem a morte, os trabalhadores aproveitem mais a vida.

Os relatos, segundo a BBC, indicam que muitos sul-coreanos reclamam de jornadas de trabalho excessivas e estressantes — e isso seria um forte agravante para o suicídio. Então, em vez de focar nesta questão, as empresas resolveram "dar um susto" nos funcionários.

"Nossa companhia sempre incentivou os empregados a mudar as velhas maneiras de pensar, mas era difícil conseguir qualquer diferença real", explicou o presidente do Centro de Cura Hyowon, Park Chun-woong.

Funeral

O ritual montado pelas empresas começa assim: os funcionários de uma companhia "X" têm alguns momentos para redigir cartas de despedida para os parentes próximos. Todos ficam vestidos com roupões brancos durante a escrita das cartas — e tudo isso já está embalado por um som de pessoas chorando e lenços de papel sendo puxados; só para dar aquele "climinha bacana".

Agora, o que a empresa faz? Para emocionar os funcionários, são exibidos vídeos de pessoas em diversas situações difíceis. Por exemplo: eles mostram um paciente terminal com câncer aproveitando ao máximo os últimos dias e outra pessoa que nasceu sem os membros superiores e inferiores aprendendo a nadar.

Para fechar com chave de ouro a experiência, os participantes sobem e entram nos caixões de madeira. Eles se deitam, e cada um abraça uma foto de si mesmo, que está envolta em uma fita preta. Dentro do caixão, eles veem um homem vestido de preto com um chapéu grande (uma representação do Anjo da Morte) fechar o caixão: essa é a deixa para os funcionários ficarem refletindo sobre o sentido da vida.

"Depois da experiência do caixão, percebi que deveria tentar viver um novo estilo de vida. Percebi que cometi um monte de erros. Espero ser mais apaixonado pelo meu trabalho e passar mais tempo com minha família", comentou Cho Yong-tae, que havia acabado de passar pela experiência quando conversou com a BBC.

Trabalhar para viver, viver para trabalhar

De acordo com a Associação Neuropsiquiátrica Coreana, um quarto dos entrevistados em uma pesquisa no país asiático sofria com altos níveis de estresse. A principal causa? Problemas no trabalho.

Para combater de certa forma o esgotamento dos trabalhadores, a prefeitura de Seul tentou mudar um pouco essa cultura ao permitir aos funcionários um cochilo diário de 1 hora. Contudo, ironicamente, eles deveriam chegar uma hora antes ou sair uma hora depois para compensar os momentos de relaxamento.

O Centro de Cura Hyowon, local onde a BBC conheceu a prática de levar caixões para a empresa, também tem outra prática um pouco diferente: todas as manhãs, os funcionários se juntam e fazem exercícios de alongamento misturados com risadas altas e forçadas. Mesmo que seja estranho ser obrigado a rir, o CEO Park Chun-woong comenta que "há uma influência positiva. Já que há pouco do que rir em um ambiente de escritório normal, este tipo de riso ajuda".

Se o sorriso ajuda mais que o caixão, não sabemos, mas uma das mulheres que trabalham no Centro de Cura disse: "Assim que você vê o rosto dos colegas, acaba rindo junto", deixando claro que a situação forçada vira natural.

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