O anime Dragon Ball Super retoma as aventuras de Goku e companhia depois da saga Majin Boo. A animação ganhou muito destaque na internet nos últimos dias, mas infelizmente não pelos motivos normais. Após a exibição do quinto episódio da série, os fãs começaram a reclamar imensamente da baixíssima qualidade apresentada.

O estúdio por trás do desenho, Toei Animation, já possui certa fama de economizar na produção de suas séries animadas, para depois refazer praticamente tudo nos lançamentos internacionais e nos Blu-Rays/DVDs. Diogo Prado, do site Genkidama, faz um contraponto interessante a respeito de toda essa repercussão, explicando a diferença entre quadros principais e secundários em uma animação.

Ele explica que imagens estáticas e fora de contexto geralmente não são um bom parâmetro para julgar a qualidade de uma animação. E um usuário do Reddit ainda apontou o fato de a Toei não possuir animadores principais o suficiente para manter a qualidade do episódio consistente. Ainda assim os traços apresentados na breve luta entre Goku e Bills no quinto episódio, estão aquém de qualquer justificativa. Vegeta com duas mãos esquerdas então é indefensável.

E apesar de muitos do que estão reclamando serem fãs que assistem na internet ao episódio ainda não licenciado fora do Japão, mesmo os espectadores japoneses têm falado em fóruns online que o visual da série está mesmo muito ruim.

[Atualização 14/08/15 13:50]

Para entender um pouco melhor o motivo da péssima animação que tem sido vista não apenas nos episódios de Dragon Ball Super, mas também em outras animações japonesas, nada melhor do que ouvir um especialista. O animador francês Thomas Romain é um dos poucos artistas estrangeiros trabalhando hoje na indústria do anime, e postou em sua conta no Twitter um texto extremamente revelador sobre o assunto.

Ele explica que a indústria de desenhos animados japoneses continua funcionando mais ou menos da mesma forma de quando surgiu, no pós-guerra da década de 50. Isso quer dizer que os estúdios ainda hoje contam com um orçamento extremamente limitado para produzir suas séries, o que faz com que precisem contratar freelancers para dar andamento em seus projetos. Manter profissionais fixos geraria um custo proibitivo, com todos os encargos e tributações governamentais.

Esses freelancers nem sempre são animadores formados ou com experiência no trabalho, e o fazem apenas pelo dinheiro. O problema é que o pagamento nesses casos é muito baixo, o que obriga esses animadores a trabalharem em diversas animações simultaneamente, o que compromete ainda mais a qualidade final do trabalho.

Made in Phillipines

Como essa vida não parece encher os olhos de muita gente, às vezes é necessário que o estúdio contrate até mesmo freelancers em outros países, por escassez de mão de obra qualificada. É o caso do quinto episódio de Dragon Ball Super, que foi animado por uma subsidiária da Toei nas Filipinas. Se não fizer isso, ainda mais produzindo mais de uma dezena de seriados paralelamente, a companhia não consegue entregar os episódios a tempo para a exibição.

Por isso, mesmo animadores medíocres são escalados com frequência para a produção de animes, por pura falta de opção dos estúdios. E caso você tenha se aborrecido com a péssima qualidade apresentada no último episódio de DBS, temos uma péssima notícia para você: a mesma subsidiária ficou responsável pela produção dos episódios 8 e 9 do desenho animado.

Já que o problema aparentemente é falta de dinheiro, um fã da série resolveu promover uma campanha de arrecadação de fundos no site de financiamento coletivo Indiegogo para custear a produção dos próximos episódios. Uma vez que a Toei já prometeu que DBS terá um total de 100 episódios, essa talvez seja uma ideia interessante. Se quiser, você pode contribuir com a campanha através deste link.

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