O site Cartório Virtual é a mais nova página polêmica da internet a ser alvo de uma ação judicial. O Ministério Público de São Paulo vai investigar como o site tem acesso a informações pessoais sigilosas que, normalmente, são divulgadas a terceiros somente via autorização judicial.

A página oferece uma série de possibilidades, que vão desde a consulta ao proprietário de uma conta de email até detalhes sobre os bens de uma pessoa apenas ao fornecer nome ou CPF. Anteriormente, era possível até contratar a visualização de conversas do WhatsApp e obter um registro detalhado de ligações efetuadas por um número de celular. Entretanto, esses serviços foram retirados do site depois que a polêmica começou.

Os contratos do Cartório Virtual são todos pagos. É possível ter acesso a dados pessoais de qualquer pessoa a partir do IP (R$ 1.500) ou email (R$ 498), entre muitos outros exemplos.

Estamos tão expostos assim?

O promotor responsável, Cassio Roberto Conserino, alega que o site comercializa dados confidenciais e viola a privacidade de cidadãos, além de abrir brechas para a realização de golpes. Já as contas de telefone e os logs de WhatsApp são violações ainda mais graves. O objetivo é suspender completamente as atividades da página.

O dono do site é Marcelo Lages Ribeiro de Carvalho, que é tabelião em cartório e perito judicial. A profissão pode auxiliá-lo na quebra de sigilos, na divulgação de documentos e na resolução de casos, mas o acusado negou que tenha recebido um ação judicial — além de não revelar que banco de dados utiliza para obter tantas informações. Ele ainda afirmou que os serviços prestados são legais (ou seja, só liberados quando o cliente tem um bom motivo, como um processo em andamento contra alguém) e que faz tudo por uma boa causa. "Tenho acesso aos cartões de crédito, se fosse de má-fé, já estaria milionário", afirmou ao Estadão.

O TecMundo já revelou o quanto estamos expostos na internet brasileira. Confira aqui o nosso Superespecial.

O caso é diferente de outro site que polemizou no Brasil recentemente, o Tudo Sobre Todos. Enquanto a página alegava apenas reuniu informações pessoais de qualquer pessoa a partir de dados expostos na internet, não há como os responsáveis pelo Cartório Virtual terem acesso a certos documentos de forma legal.

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