O MasterChef acabou na última terça-feira (23) e a maior parte da audiência comemorou a vitória do Leonardo – o menino talentoso e, principalmente, humilde, que chegou ao topo sem tentar prejudicar os concorrentes. Com uma aceitação de mais de 90% do público, seria fácil, e óbvio, imaginar que qualquer negócio aberto por ele faria um estrondoso sucesso. Por que não?

Mas, desde a noite de ontem (25), só se fala na fracassada tentativa do trio Leo + Bel Pesce + Zé Soares de montar uma hamburgueria em São Paulo. A ideia era simples: você, que gostou do novo vencedor do MasterChef, doaria uma quantia e contribuiria ativamente na construção de um sonho: “um novo conceito de hamburgueria”.

As recompensas? Seriam imensas: você poderia ganhar desde um kit com adesivo, boné e camiseta – numa vibe meio eleições 2016, só faltava vir um santinho –, até uma incrível viagem com o trio para o Peru – claro, para isso seria necessário abrir a carteira e deixar incríveis 10 mil reais, nada menos que 11 salários mínimos. Detalhe: com esse valor, você consegue fazer uma viagem para Bali com o seu amor – e sem o trio.

Mesmo os fãs do Leo não apoiaram o projeto

A gente também não pode deixar de pensar: “O que pode ser feito de tão inovador em uma hamburgueria”? Não é o tipo de projeto que costuma aparecer em sites de financiamento. A gente espera coisas realmente inovadoras, que despertem curiosidade, mas, ao mesmo tempo, sejam tão arriscadas que não atraiam a atenção dos tradicionais financiadores.

Há também as campanhas filantrópicas, com objetivo de ajudar pessoas com graves doenças e que necessitam de muito dinheiro para salvar as suas vidas. Claramente, um pão com carne não entra em nenhuma das duas categorias.

Robin Hood às avessas

Não é difícil entender por que as pessoas não gostaram. Em um país onde ser esforçado e talentoso nunca foi sinônimo de sucesso, é difícil acreditar que pessoas que tenham a faca e o queijo na mão ainda queiram tirar vantagem da situação.

Em um país onde ser esforçado e talentoso nunca foi sinônimo de sucesso, é difícil acreditar que pessoas que tenham a faca e o queijo na mão ainda queiram tirar vantagem da situação.

A história é quase um Robin Hood às avessas: tirar dos pobres para dar aos ricos. E, caso você não saiba quem são os outros componentes da sociedade, a gente te deixa por dentro.

Bel Pesce gosta de ser conhecida como “A Garota do Vale”. A jovem, que já publicou três livros, estudou no renomado Massachusetts Institute of Technology (MIT), e se formou em Engenharia Elétrica, Ciências da Computação, Administração, Economia e Matemática. Tá achando pouco? Com apenas 28 anos, ela foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes pela Revista Época, e uma entre os 30 jovens mais promissores do Brasil pela revista Forbes.

Curiosamente, em 2014, Bel havia pedido ajuda pela mesma plataforma para uma série de palestras que faria pelo Brasil para divulgar seu último livro. Ela conseguiu nada menos que R$ 889.410,37 e quebrou o recorde de arrecadações no Kickante.

A história é quase um Robin Hood às avessas: tirar dos pobres para dar aos ricos.

Sem falar dos diversos cursos que são oferecidos em seu site. Só o “Criatividade Conectada”, por exemplo, custa R$ 1.297,00 por aluno – com 200 vagas, você nem precisa ser formado em matemática para saber que ela pode lucrar 280 mil por curso!

Já Zé Soares, do blog "Do Pão ao Caviar", estudou Economia, mas teve a chance de deixar para trás escritórios convencionais para viajar pelo mundo e compartilhar seus conhecimentos gastronômicos na internet.

Não deu

“A geração que”

Os três “empreendedores” fazem parte do grupo da exceção, daqueles textos já batidos que começam com “A geração que...”, e dizem que você pode largar sua vida real para viver um ano sabático nas ilhas Maldivas.

Por um momento, toda essa ideia me lembrou o polêmico texto publicado ontem no veículo “Meio e Mensagem”, que dizia que você, funcionário, deveria motivar o seu chefe.

Nós, do outro lado, somos realmente a “geração que”: faz uma faculdade com esforço, tem que equilibrar os boletos que não param de chegar e passa boa parte do dia em um ônibus preso no trânsito.

Por um momento, toda essa ideia me lembrou o polêmico texto publicado ontem no veículo “Meio e Mensagem”, que dizia que você, funcionário, deveria motivar o seu chefe.

Não é difícil imaginar por que não daria certo. Mas, de alguma forma, para o trio ‘Zebeléo’, essa parecia uma boa ideia.

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Veja as reações na internet:

1. Até o momento, a campanha já arrecadou mais de R$ 16 mil

#Zebeléo

2. Para quem fez o curso “#Fail”, da Bel Pesce

#Zebeléo

3. Tem também o “A Arte da Escrita”

#Zebeléo

4. Um novo módulo no curso “Introdução a Inovação”

#Zebeléo

5. Um exemplo a se usar no “Papo do Bem”

#Zebeléo

6. Pelo menos ganhamos um novo adjetivo 

#Zebeléo

7. De tudo a gente pode tirar uma lição

#Zebeléo

8. Guarde isso na memória

#Zebeléo

9. O famoso “sqn”

#Zebeléo

Via Mega Curioso.

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