Com a proposta de simplificar todo o processo dos torrents de uma forma que até mesmo usuários leigos conseguissem assistir a filmes piratas sem dificuldades, o Popcorn Time acabou se tornando um fenômeno que chegou a incomodar até mesmo o Netflix. Até recentemente, a identidade do criador da plataforma permanecia um mistério e ele era conhecido apenas como Sebastian, mas agora o desenvolvedor de 29 anos resolveu abrir o jogo.

Em uma entrevista ao site norueguês DN, o designer argentino Federico Abad revelou suas motivações para criar o software, os motivos para que seu time abandonasse o projeto e até mesmo algumas ofertas milionárias recebidas de cibercriminosos. Segundo ele, a velocidade da internet na Argentina é muito lenta e os filmes só saem nos cinemas nacionais até seis meses depois de sua estreia nos Estados Unidos. A situação foi um dos motivadores do Popcorn Time.

De acordo com Abad, a ideia original era criar uma forma para que a pirataria de filmes se tornasse algo mais simples, visualmente aceitável e condizente com a realidade argentina, algo que até mesmo a própria mãe do desenvolvedor conseguisse usar. Quando a ideia começou a ganhar força, outros programadores se interessaram – pelo menos até as coisas esquentarem.

Sacrifícios e tentações

Abad afirma que o projeto chegou a tal ponto que o grupo original acabou se desesperando e o deixou sozinho, mas isso não o desmotivou. Reunindo colaboradores do mundo todo, o desenvolvedor acabou contando com uma equipe de cerca de 100 pessoas dedicadas ao ponto de levarem broncas de seus chefes em seus empregos. O próprio criador do Popcorn Time chegou a priorizar o projeto sobre sua vida pessoal e chegou a perder sua namorada.

Ainda assim, Abad ressalta que o dinheiro nunca foi a motivação de suas ações e que seu time chegou a recusar ofertas tentadoras de cibercriminosos. “Eles diziam que podíamos ganhar até US$ 10 mil por semanas. Ofereceram nos dar cinco dólares cada vez que alguém instalasse malwares e spywares que modificavam os anúncios de uma forma que redirecionasse o lucro dos cliques”, revela.

O Popcorn Time também recebeu ofertas de criminosos interessados em roubar informações a respeito dos usuários, incluindo logins e senhas. De acordo com as estimativas de Abad, caso sua equipe tivesse aceitado as propostas, poderiam ter acumulado um total de US$ 100 milhões. “Nós rejeitamos todas as ofertas. Não estávamos fazendo isso pelo dinheiro. Só queríamos fornecer um bom serviço, não algo que detonasse a máquina das pessoas”, explica.

O fim que virou um começo

Mesmo sem o financiamento dos criminosos virtuais, o popcorn Time continuou crescendo a o time ficou cada dia mais tenso com a possibilidade de os proprietários dos direitos sobre os filmes tomarem medidas agressivas. Ainda que os desenvolvedores usassem nomes falsos e ferramentas feitas para que se tornassem anônimos, não demorou muito para que percebessem que estavam sendo observados.

Repentinamente, todos os programadores do popcorn Time notaram que suas páginas pessoais no LinkedIn tinham recebido uma visita de um advogado do estúdio Warner Bros. – uma atitude que intrigou os programadores e os deixou apavorados. Decidindo que entrar em uma disputa judicial seria ir longe demais, Abad e seus colaboradores abandonaram o Popcorn Time no dia 14 de março de 2014 – mas não sem antes abrir seu código para quaisquer interessados.

Hoje, a comunidade se apropriou do projeto e várias versões do software foram criadas. Abad, no entanto, afirma que só confia bastante na variante PopcornTime.io. Segundo ele, isso se deve ao fato de que o código fonte dessa variante é público, permitindo que ele verificasse que não há malwares no programa e que ele funciona da mesma forma que o original. Ainda que prefira permanecer de fora, o argentino diz não ter arrependimentos.

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