Você sabe o que é um “troll de patentes”? Por mais que pareça o nome dado a algum adepto de zoeiras da internet, na verdade o termo se refere a algo bastante sério. A expressão é utilizada para se referir a um tipo de escritório de advocacia que se especializa em comprar brigas com grandes empresas por conta de supostas quebras de patentes que não pertencem a elas. Agora, os pioneiros desse tipo de companhia nos Estados Unidos, a Niro Law Firm, estão fechando as portas.

A história começou no fim da década de 1990, quando Raymond Niro se tornou famoso ao representar uma companhia chamada TechSearch em processos de patentes. A companhia em questão seguia um modelo de negócio que envolvia comprar patentes, licenciá-las e, sempre que possível, processar quem se recusasse a pagar royalties por supostamente usar suas ideias. Uma das empresas a entrar na mira foi a Intel, que passou a depreciativamente chamar a TechSearch de “patent troll” – ou “troll de patente”, em tradução livre.

O hoje falecido Raymond Niro

Ascensão e queda

A Niro Law Firm rapidamente se tornou extremamente bem-sucedida ao se posicionar como “defensora dos interesses dos pequenos inventores”, incomodando grandes companhias com processos recorrentes e conquistando júris com argumentações eloquentes. Muitas gigantes da tecnologia odiavam o escritório por conta de processos que julgavam ser um abuso do sistema legal.

Em 2015, Raymond Niro sofreu um ataque cardíaco enquanto estava de férias na Itália e acabou falecendo. Até então, estima-se que sua empresa já tinha faturado mais de US$ 1 bilhão entre acordos judiciais e vereditos de processos julgados, mas a empresa vinha encolhendo e contava com menos da metade dos advogados que tinha em seu auge.

Os chamados "trolls de patentes" causaram muitas dores de cabeça para grandes empresas de tecnologia

O modelo de negócios pelo qual a Niro Law Firm ficou famosa, no entanto, foi ficando arriscado com o passar do tempo. Também em 2015, o escritório recebeu a ordem de pagar mais de US$ 4 milhões em taxas legais para a HTC devido à descoberta de que os advogados da “troll de patentes” sabiam que o inventor que defendiam havia feito alegações falsas ao US Patent and Trademark Office.

Um novo começo

Depois da morte de Raymond Niro, os demais sócios da companhia resolveram que era hora de fechar as portas. Um grupo central, incluindo Dean Niro, o filho do fundador, resolveu seguir adiante com uma nova empresa chamada Vitale Vickrey Niro & Gasey. “Queríamos um novo começo. O escritório Niro se tornou sinônimo de processo por quebra de patente, e alguns de nós queríamos uma firma com um foco mais abrangente”, afirmou Paul Vickey, um dos sócios.

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