Jacson Schenckel e (Fonte da imagem: Divulgação)

Ontem (31), a equipe de redação do Tecmundo convidou o Campeão do Master Overclocking Arena Free Style 2013, Ronaldo Buassali (rbuass) e seu companheiro do Team Corsair Jacson Schenckel (schenckel bros), o overclocker melhor classificado na América Latina da Liga de Overclockers extremos, para realizarem uma sessão de overclocking extremo no laboratório de testes do Tecmundo.

A razão deste convite é a de querer entender melhor o trabalho que vem sendo realizado por eles, pois além dos sucessivos recordes quebrados, existem muitas curiosidades envolvidas, como por exemplo a preparação do equipamento e a transformação das placas.

Segundo Ronaldo, o objetivo era manter a liderança 3D na Pro Cup, campeonato promovido pela Liga Mundial de Overclocking, em que participam somente competidores profissionais e patrocinados – a categoria de elite do Overclocking Mundial.

Os preparativos

Ronaldo explicou que, como membro da "United Overclockers", composta pelos overclockers Xtreme Addict, SF3D e Giorgioprimo, ficou com a incumbência da categoria 3D a ser disputada com as placas Nvidia, ou seja, o Benchmark Catzilla. Os outros benchmarks ficaram separados em: Xtreme Addict (Unigine Heaven, benchmark 3D com potencial para placas de vídeo AMD), SF3D (HWBot Prime e Cinebench R15, ou seja, os testes 2D da competição) e GiorgioPrimo com o Cheapazchips (que é a categoria 3D a ser disputada com placa de vídeo de baixo custo, no caso, uma placa de entrada R7 240 da AMD).

(Fonte da imagem: Divulgação)

Com o objetivo traçado, a dupla realizou uma completa sessão de "isolação" do equipamento e, depois de um verdadeiro "banho" de vaselina, o equipamento foi vestido por uma borracha especial (Armaflex), papel e toalhas absorventes. “Tudo isso é necessário, pois quando o equipamento começa a trabalhar sobre refrigeração extrema, diga-se, refrigerado a Nitrogênio Líquido a -197 C, o contato desse ‘vapor Gelado’ com o ar quente e as partes expostas causa um verdadeiro "lago" de condensação”, explica a dupla.

Para o processador, a história é mais simples, pois depois de achar sua temperatura ideal de trabalho, é possível aprender com os seus parâmetros e manter com muito mais facilidade o seu controle, mas para a parte 3D, ou seja, a placa de vídeo, a dificuldade é muito maior.

Além de ter o processador "correndo" em condições extremas, é preciso controlar simultaneamente três tensões diferentes, que são ajustadas durante todo o tempo e mesmo durante os testes, de acordo com as frequências de trabalho (tensões do ciclo gerador de clock da placa de vídeo, das memórias e do processador gráfico).

Foco no rendimento

A dupla verificou também que a diferença de rendimento é brutal de acordo com a temperatura de trabalho, ou seja: é preciso saber as partes do benchmark que consomem mais da placa, de acordo com as indicações dos multímetros.

Conforme eles vão marcando em seus "relatórios" as temperaturas e quedas de tensão em determinadas partes do teste, o sistema é mais ou menos alimentado com nitrogênio líquido, A substância tem a função de manter a tensão e temperatura ideal para que se obtenha o maior rendimento possível.

Não podemos esquecer que para que o equipamento possa suportar esse comportamento, são realizadas, em muitos casos, modificações físicas na placa. Este exemplar, uma ASUS GTX 780Ti DCUII, tem o seu sistema de alimentação original substituído por um de maior capacidade (EVGA Epower Board).

(Fonte da imagem: Divulgação)

Além disso, as proteções de corrente são removidas por meio de alteração de resistências, é feita a remoção de fases de alimentação e seus indutores para inclusão do novo sistema, além de alteração de BIOS e inclusão de pontos de leitura de tensão e potenciômetros para ajustes de tensões "on the fly". Tudo isso é feito para a posterior isolação da placa e inclusão de um container especial para nitrogênio, que fica sempre acompanhado de um "termoprobe" para o monitoramento de temperatura a cada segundo.

Brasileiros overclockers

São poucos os overclockers brasileiros que realizam esse tipo de trabalho. Eles foram os primeiros e únicos a modificar a GTX 780Ti de referência (mostrada anteriormente em recordes quebrados por eles). Nesse caso específico foi ainda mais difícil, pois o chip PWM (chip que controla a tensão da placa), foi renomeado pela fabricante.

O tradicional CHL8318 foi substituído pelo VRM DIGI+ da placa especial da ASUS e, para o seu funcionamento, foi necessário estudar a semelhança dos dois em relação à sua "pinagem", para obter as conclusões finais para o sucesso do trabalho. Ronaldo explica que um trabalho de 20 horas em cima da placa, só pode ser confirmado após pronto.

"Não sabíamos se iria funcionar. Utilizamos os parâmetros e semelhança da pinagem do chip do PWM, avaliamos as resistências e determinamos o caminho a ser seguido, mas o que foi sucesso poderia muito bem ter significado a morte da placa”, afirma. “Tivemos sorte dessa vez, mas não é sempre assim. Muitas vezes, as coisas não dão certo. Aliás, muitas vezes perdemos horas e horas arrumando o equipamento e não obtemos nenhum resultado", completa.

(Fonte da imagem: Divulgação)

Ronaldo explica ainda que uma pequena diferença em um teste pode permitir que o rendimento melhore o suficiente para conquistar os pontos necessários e isso só consegue ser obtido com muita atenção ao teste. Por isso, o teste deve ser acompanhado e ajustado durante todo o tempo.

“Ajustados todos os parâmetros do processador, e da placa de vídeo, pudemos vivenciar a grande dificuldade e alguns tipos de problemas usuais enfrentados nessas condições. Por que travou? Por que a pontuação foi prejudicada? Por que o sistema não quer ligar? Por que sumiu quantidade da memória? Foram tantos os problemas enfrentados que a cada novo evento, aprendíamos um pouco sobre essa arte”, completa.

(Fonte da imagem: Divulgação)

O resultado desta sessão foi que eles melhoraram pouco a pouco os resultados, e depois de muito tempo e problemas enfrentados, conquistaram uma fantástica pontuação de 38.006 marks, novo recorde mundial e que mantém eles (United Overclockers) e o Brasil na liderança desta categoria. As empresas Corsair, Kabum e Just PCs apoiaram a iniciativa.

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