Lembra-se de toda aquela polêmica que ocorreu anos atrás quando a Samsung e a HTC foram acusadas de trapacear para trazer melhores resultados nos benchmarks de seus aparelhos? Pois parece que toda essa história acaba de ganhar um novo capítulo – dessa vez, protagonizado pela OnePlus e a Meizu.

Tudo começou quando o site XDA Developers estava tentando entender o que permitia ao novo chip Snapdragon 821 da Qualcomm abrir aplicativos com maior velocidade. Foi então que um dos membros da equipe envolvida nos testes notou algo curioso que ocorria ao usar o OnePlus 3T em seu software de monitoramento: após abrir certos apps no aparelho, suas velocidades não voltavam para o que era normal no modo de espera. Essa diferença, vale notar, não ocorria com outros dispositivos que usavam o mesmo processador.

Com isso, a XDA se uniu ao famoso serviço Geekbench em uma série de testes usando um aplicativo de benchmarks disfarçado. O objetivo era um só: descobrir se o OnePlus era programado para notar apps específicos como o AnTuTu ou o próprio Geekbench e aumentar o clock de seus processadores durante o uso para fingir ter um desempenho maior do que teriam normalmente.

Em testes com múltiplos núcleos, a diferença de desempenho é bastante notável

A resposta encontrada por eles? Sim, os aparelhos faziam exatamente isso, como é possível ver logo acima.

OnePlus não está sozinha

O pior de tudo, como falamos antes, é que a OnePlus não é única empresa a fazer isso. A Meizu, pelo visto, fez algo parecido com seu aparelho Meizu Pro 6, programando os núcleos mais poderosos de seu smartphone para entrarem em ação quando o smartphone era colocado para rodar certos apps. Isso incluía, obviamente, aplicativos de benchmark.

Essa funcionalidade, vale notar, deveria fazer parte do “Modo Performance” do Pro 6. Mas é aí que vem a parte mais decepcionante: quando o Geekbench usou seu app de benchmarks disfarçado no smartphone, a empresa descobriu que o aumento de desempenho oferecido por esse modo simplesmente não existia. Pois é. Uma das funções mais alardeadas do celular era só um enfeite.

Ao rodar benchmarks, Pro 6 tem quase duas vezes seu desempenho normal

Não tão ruim quanto pensávamos?

Em defesa do OnePlus, é importante comentar que, depois de questionada sobre esse truque pela XDA, a empresa rapidamente explicou que isso era uma função originalmente feita para que o OxygenOS trouxesse um melhor desempenho ao rodar apps pesados. Ela também deixou claro que isso não tinha como alvo os serviços de benchmark e que, por isso, esse erro seria corrigido.

“Para dar aos nossos usuários uma melhor experiência em apps e games que pedem intensos recursos, especialmente aqueles graficamente intensos, nós implementamos certos mecanismos na comunidade e nas builds Nougat para engatilhar o processador a rodar mais agressivamente. O processo de gatilho para apps de benchmarking não vão estar presentes nas próximas builds OxygenOS no OnePlus 3 e OnePlus 3T”

Seja como for, não há como negar que a volta de um problema como esses promete gerar muitas preocupações e polêmicas no mercado por algum tempo. Então é bom ficar atento na próxima vez que for usar um benchmark para decidir se deve ou não comprar um celular.

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