Quem acompanhou o encerramento das Olimpíadas do Rio de Janeiro no último domingo (21) sabe que a próxima edição da competição vai ter como sede Tóquio, capital do Japão. Provando que já está se preparando para os novos jogos olímpicos, o país divulgou um vídeo em que aparecem figuras famosas como Hello Kitty, Doraemon, Pac-Man e Mario — com direito ao primeiro ministro local, Shinzo Abe, aparecendo saindo do icônico cano presente nas aventuras do personagem.

No entanto, aquele que pode ser um dos aspectos mais interessantes das próximas Olimpíadas ficou de fora da apresentação. Segundo o Nikkei Asian Review, o governo japonês planeja usar celulares e outros aparelhos eletrônicos descartados como base para a produção das medalhas que devem ser oferecidas aos atletas campeões.

Em vez de retirar ouro, cobre, prata e outros metais do meio-ambiente, os japoneses planejam retirar esses elementos de gadgets que foram jogados fora. Embora o Japão não seja rico em recursos naturais, muitos consideram que o país tem uma “mina urbana” de metais preciosos encontrada nos aparelhos eletrônicos descartados por seus habitantes.

Preocupação com a sustentabilidade

O plano começou a ser discutido entre os organizadores dos jogos, membros do governo local e organizações não governamentais. O objetivo é aumentar a conscientização sobre o problema do “e-lixo” e melhorar a estrutura local para o recebimento e a reciclagem de dispositivos eletrônicos.

Metais preciosos contidos em aparelhos descartados podem ser transformados em medalhas

Segundo o Nikkei, a prata e o ouro presentes nos dispositivos descartados corresponde a 16% e 22% do suprimento global atual, respectivamente. Caso os esforços feitos pelo país surtam efeito, a quantidade de metais retiradas dos gadgets considerados como lixo deve ser suficiente para produzir medalhas para todos os atletas.

“Para que todos os cidadãos japoneses possam participar da Olimpíada de Tóquio, pedimos que as companhias proponham um plano de coleta concreto e trabalhem com o comitê organizador para tornar isso possível”, afirma Yuko Sakita, da ONG Genki Net para a Criação de uma Sociedade Sustentável.

O Nikkei afirma que, anualmente, o Japão produz 650 mil toneladas de e-lixo, sendo que somente 100 mil toneladas são coletadas — a maior parte desse montante é direcionada de volta às linhas de fabricação. Embora muitos municípios se mostrem incapazes de cumprir os objetivos determinados pelo Ministro do Meio-Ambiente, a esperança é que as Olimpíadas estimulem autoridades a tomar as medidas necessárias para lidar de maneira efetiva com o problema.

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