Usuários de notebooks sabem que usar seu computador em ambientes externos é um exercício de frustração. Reflexos na tela, baixo contraste, cores sem vida e formas difusas são os principais problemas encontrados em telas de portáteis, e são muito mais perceptíveis em ambientes muito iluminados. Isso se deve a própria característica física da luz, e é um dos principais desafios enfrentados pelos fabricantes desses equipamentos.

Uma nova leva de telas, entretanto, consegue melhorar o desempenho dos monitores embutidos em computadores através do uso de camadas de tratamento. Na sua maioria, os fabricantes nomearam essa tecnologia com os termos BRITE ou BRIGHT (brilho, em inglês. A forma BRITE é uma adaptação fonética). Para entender como esse desenvolvimento permite telas melhores e com cores mais vivas é importante entender o porquê dos problemas originais.

A luz

Lâmpadas elétricas são apenas umas das inúmeras fontes luminosas conhecidas pelo homem.Sem luz não há imagem e, portanto tudo o que você vê depende da existência de radiação luminosa. Durante o ensino médio, nas aulas de física se aprendia que a velocidade da luz é constante para cada meio de transmissão. Esse valor – 299.792.458 metro por segundo (m/s) quando no vácuo – é a constante C da famosa fórmula da energia de Einstein: E=M.C2 (energia igual à massa vezes o quadrado da velocidade da luz no vácuo).

Porém, em qualquer outro meio, a velocidade da luz diminui. No ar terrestre, por exemplo, a velocidade da luz é igual a 299.702.547 m/s. Pode parecer uma diferença pequena, mas são essas diminuições de velocidade são responsáveis por diversos fenômenos essenciais ao funcionamento – e por defeitos – das telas de computador.

Para facilitar os cálculos, os cientistas criaram um valor chamado Índice de Refração (IR), que serve de guia para o cálculo da velocidade da luz em diversos meios. No vácuo, o IR é igual a 1, o menor valor possível para esse índice. Para a comparação fazer sentido, no ar IR = 1,0003, ; na água 1,3330, e no vidro – usado nos monitores – o valor do índice é de 1,5. Na prática, isso significa que a luz perde 0,5 da sua velocidade – atingindo “apenas” 199,861,638 m/s – no vácuo ao mover-se para um meio vítreo.

Por que isso importa?

Diamantes são exelentes refratores de luz. Quando lapidados, suas faces funcionam como prismas.Quando a luz passa de um meio para outro, ela sofre o efeito de três fenômenos: a absorção, a refração e a reflexão. Dependendo do meio inicial e do material para o qual a luz passa, diferentes níveis de cada um desses fenômenos irão ocorrer.

Em um diamante – (IR = 2,417 –) a luz ou é refratada ou refletida, sofrendo “dobras” no seu trajeto. É por isso que estas pedras preciosas brilham tanto depois de lapidadas. Cada face da gema é transformada em um prisma que direciona a luz para uma única direção dentro da joia, até que ela atinja uma face superior, lapidada em ângulo apropriado para deixar a luz atravessar novamente.

Telas normais

Tratamento anti-glare em monitor LCD. O polarizador é físico, e atua como várias lentes minúsculas.

Se uma tela de computador tratasse a luz como um diamante faz, seria impossível identificar qualquer coisa que o LCD estivesse mostrando devido à exagerada reflexão da fonte externa de luminosidade. Para evitar esse problema, as telas comuns recebem um tratamento chamado anti-glare, ou antibrilho. De maneira simplificada, o anti-glare é uma película plástica fosca colocada sobre o vidro do monitor. O fosco do anti-glare funciona distribuindo a reflexão da luz em diversas direções, graças a seu relevo irregular. Dessa forma, não existem brilhos extremos que impediriam a leitura da tela, porém a luz enviada pelo backlight do monitor também é influenciada por esta superfície irregular, perdendo nitidez e intensidade – por isso elementos muito pequenos parecem borrados, e as cores perdem vivacidade.

A tecnologia antirreflexiva

No tratamento antirreflexivo, o vidro recebe uma camada química que diminui a reflexão da luz.

Ao contrário do anti-glare, as telas BRITE recebem um tratamento químico com fluoreto de magnésio (MgF2), substância que diminui o IR de uma superfície, aproximando-o do índice do ar. Com o tratamento, o vidro que recobre o LCD reflete menos luz, permitindo que boa parte da iluminação ambiente seja absorvida pelo LCD e, portanto, não apresente brilhos na superfície da tela.

Além disso, como não existe o componente físico irregular do tratamento anti-glare, a imagem criada no cristal líquido do monitor não sofre a mesma influência das telas comuns, sendo totalmente transmitida em direção ao usuário. Ou seja, graças à diminuição do índice de refração do vidro que recobre o monitor, a imagem criada pelo LCD é mais nítida e com cores mais vibrantes, já que a luz emitida pelo backlight não é desviada pelas irregularidades da superfície existentes em telas comuns.

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