Você se lembra do Segway? Apresentado em 2001, o veículo elétrico prometia ser uma verdadeira revolução no transporte pessoal — e, embora tenha colaborado bastante com avanços tecnológicos nesse setor, jamais se transformou em um produto realmente popular entre as massas. Por fim, em abril do ano passado, sua fabricante foi adquirida pela chinesa Ninebot (que, por sua vez, recebeu um aporte milionário da Xiaomi).

Ninguém conseguia adivinhar o que estaria por vir após essa compra inusitada. Meses depois, a marca asiática surpreendeu o mundo ao anunciar o Mini, uma versão mais compacta, leve e intuitiva do Segway. A promessa era de que o automóvel seria bem mais fácil de controlar e ainda mais seguro ao usuário final, além de ter um corpo mais portátil para incentivar seu uso no transporte intermodal (para levá-lo no metrô, por exemplo).

Graças à Dropboards, empresa brasileira que é parceira da Ninebot e está prestes a iniciar a comercialização do produto aqui em nosso país, o TecMundo teve a oportunidade de testar o Mini e conferir se a novidade realmente tem potencial para se transformar em uma febre. Com lançamento previsto para outubro, o diciclo deve custar R$ 6,990 em sua versão Pro — descubra agora mesmo se esse investimento valerá a pena ou não.

Especificações técnicas do Ninebot Mini

Um redesenho completo

Visualmente falando, o Ninebot Mini é muito mais atraente do que a linha Segway. O veículo tem um design futurista e se resume a uma plataforma com duas rodas de 6 polegadas dispostas paralamente em suas extremidades. No centro de tal plataforma encontra-se uma haste usada para controlar a direção do diciclo — é necessário manter suas coxas pressionadas contra os dois apoios de borracha posicionados no topo do produto.

Também é no centro do Mini que se encontra seu botão de liga/desliga e um pequeno display LCD monocromático que possui duas funções: exibir o nível atual de carga da bateria e mostrar se o modelo está conectado a um dispositivo móvel via Bluetooth. Abaixo, temos a lanterna LED dupla, que, de acordo com a própria Ninebot, consegue iluminar até cinco metros à sua frente.

Na traseira, o Mini possui luzes que se acendem em vermelho ao frear e em amarelo ao realizar curvas. Porém, tais cores podem ser customizadas pelo usuário através de um aplicativo dedicado para celulares Android ou iOS (falaremos mais sobre esse item em um tópico posterior). Vale observar que o diciclo possui certificação IP54, o que significa que ele pode operar durante chuvas fracas sem qualquer problema.

O Ninebot Mini possui semelhanças visuais com a linha Segway

Confie nos sensores!

O produto se encarrega de manter você sempre em equilíbrio

Como dissemos anteriormente, a grande sacada do Mini é, teoricamente, a sua facilidade de uso. De acordo com a própria Ninebot, bastam três minutos para que você aprenda a pilotar o diciclo. Demoramos mais do que isso para nos acostumarmos com o veículo, mas, de fato, confirmamos que ele é muito simples de operar — uma vez que você esteja com os dois pés na plataforma, o produto se encarrega de manter você sempre em equilíbrio.

Isso acontece graças a um conjunto de sensores que trabalham o tempo todo para identificar os mínimos movimentos que você faz e compensar o balanço das rodas. Para ir para frente, basta inclinar seu corpo para frente; caso queira frear, basta inclinar para trás. Na hora de virar e fazer curvas, é necessário usar as pernas para “empurrar” a haste central para a direita ou para a esquerda.

Essa interface é realmente intuitiva, visto que tudo o que você precisa fazer é se movimentar naturalmente como se estivesse correndo. O que atrapalha é aquele medo inicial de que você vai cair caso se incline demais, e demora um pouco até que o usuário consiga pegar confiança no Mini e entender que ele é inteligente o suficiente para te manter estável em praticamente qualquer situação.

Os sensores do veículo conseguem te manter em equilíbrio em praticamente qualquer situação

Na prática

Uma vez que você tenha pego a prática, pilotar o Ninebot Mini se torna algo bastante divertido. O diciclo se movimenta a uma velocidade média de 16 km/h, atingindo até 18 km/h em momentos pontuais. Não se trata de um automóvel ágil para percorrer grandes distâncias e trafegar no trânsito, mas sim de um meio de transporte para trajetos curtos, como passeios no parque ou pelo seu bairro.

Estamos falando de um equipamento que incentiva o transporte intermodal

Vale lembrar que estamos falando de um equipamento que incentiva o transporte intermodal — ou seja, você pode usá-lo no caminho até a estação de trem, desligá-lo ao entrar no vagão e reativá-lo assim que sair para continuar o trajeto até seu local de trabalho. É muito mais confortável, rápido e divertido do que andar a pé — além disso, o Mini é capaz de subir ladeiras com até 15 graus de inclinação.

Sua autonomia é de 20 km, mais do que o suficiente para que você consiga usar o diciclo duas ou três vezes antes de colocá-lo na tomada (afinal, você dificilmente vai percorrer tal distância de uma só vez utilizando este pequeno automóvel). São necessárias entre três a quatro horas para que a bateria de 60V do modelo esteja pronta para outro passeio.

É fácil e divertido controlar o Ninebot Mini

Conexão com o smartphone

Um dos grandes destaques do Ninebot Mini é a sua capacidade de se conectar a um dispositivo móvel equipado com Android ou iOS — basta baixar o app Ninebot, disponível gratuitamente para ambos os sistemas operacionais. Uma vez pareado com o diciclo, é possível usar o smartphone para controlar o veículo remotamente, conferir estatísticas de uso variadas e até mesmo ativar um alarme para proteger o automóvel.

Em sua mais recente atualização (v3.0), o programa também ganhou uma espécie de rede social própria e uma plataforma através da qual você consegue detectar Ninebots nas proximidades, tal como participar de um ranking online que compara com os seus amigos o uso que cada um faz do seu próprio veículo.

É possível controlar remotamente o veículo usando o app Ninebot

Mini vs Mini Pro: qual é a diferença?

Vale a pena observar que existem duas versões do diciclo da Ninebot, o Mini normal (que testamos) e o Mini Pro. Como você deve ter adivinhado, esta segunda edição possui configurações mais robustas: seu motor é de 2x800W, a potência máxima é de 1600W e a bateria é de 320 Wh. Isso, na prática, se traduz em uma autonomia maior (30 km contra os 20 km do Mini normal) e uma capacidade elevada de carga (100 kg).

Outra vantagem importante é o fato de que a haste de controle do Mini Pro é extensível — dessa forma, caso você seja alto demais, é possível aumentar consideravelmente a altura dos apoios de borracha para que eles fiquem na altura da sua coxa. Também existem algumas pequenas diferenças visuais entre os dois modelos — a mais perceptível é o desenho dos aros.

Aqui no Brasil, somente a edição Pro poderá ser adquirida pela Dropboards — e ela custará R$ 6,990. Porém, basta realizar uma rápida pesquisa em marketplaces como o Mercado Livre para encontrar a versão convencional por preços que começam em R$ 2,299.

Há diferenças visuais entre o Mini normal e a versão Pro

Vale a pena?

Não há dúvidas de que o Mini é um veículo muito interessante e divertido. A Ninebot de fato conseguiu aprimorar o sistema de estabilização desenvolvido pela Segway, tornando-o muito mais seguro em comparação com os antigos diciclos da companhia. O dispositivo se mostra ágil em usar seus sensores para detectar os mínimos movimentos do corpo do usuário e reagir proativamente para impedir que ele se desequilibre.

A interface de pilotagem também ficou muito mais intuitiva com a remoção do guidão. Agora, basta inclinar suas pernas para o lado que deseja seguir, empurrando a alavanca central para a esquerda ou para a direita. Trata-se de um conceito mais natural e que lhe permite se movimentar com maior fluidez. A curva de aprendizagem é bem menor, o que faz o Mini mais atraente para um público mais amplo.

Não é desta vez que veremos um novo meio de transporte revolucionário nascer

A autonomia do veículo também impressiona. Aguentar 30 km longe da tomada é uma façanha incrível para um automóvel criado para percorrer curtas distâncias. O tempo de recarga também agrada — bastam quatro horas para que o modelo esteja pronta para outra viagem. Junte todas essas características, adicione o controle remoto via Bluetooth e o resultado é um gadget muito criativo e curioso.

Por outro lado, não é desta vez que veremos “um novo meio de transporte revolucionário” nascer. Ao testar o produto, nossa impressão foi a de que ele é útil somente para dar algumas voltas no parque, explorar pavilhões em alguma feira ou dar uma volta pelo condomínio. Sua baixa velocidade e a incapacidade de subir aclives mais íngremes o torna pouco útil nas ruas (especialmente as brasileiras, esburacadas e acidentadas).

Embora tenha uma autonomia interessante, o Mini não é apropriado para transporte urbano no Brasil

Discorda de nossa visão? Então saia na porta de sua casa, dê uma conferida na sua calçada e imagine andar por ali com um Ninebot Mini. Entendeu? A menos que você seja corajoso o suficiente para rodar com o veículo no trânsito (e trafegar a 18 km/h ao lado de carros a mais de 50 km/h não nos parece ser uma boa ideia), você vai ficar limitado a andar em ciclovias e outras áreas com piso plano — e sem buracos, de preferência.

Resumindo, o Ninebot Mini é, de fato, um veículo elétrico muito inovador e divertido. Porém, poucas pessoas poderão pagar quase R$ 7 mil para ter um automóvel que, aqui no Brasil, possui uma área de atuação tão limitada. Frente à nossa realidade, o modelo mais se parece com um brinquedo high tech do que com um meio de transporte alternativo para o cenário urbano — e você provavelmente não vai querer pagar tanto por uma brincadeira.