(Fonte da imagem: Reprodução/Netflix)

Ao entrar na Netflix pela primeira vez, você pode ficar um pouco perdido, sem saber exatamente o que assistir ou como encontrar uma lista com todos os títulos disponíveis no serviço.

A verdade é que essa lista não existe, pelo menos não organizada em ordem alfabética para que você passe os olhos por todos os filmes, séries, documentários, shows e materiais existentes, já que a Netflix possui um sistema de visualização muito mais eficiente: as sugestões personalizadas.

Se você já usa o serviço há algum tempo, deve ter percebido que, quanto mais filmes e seriados você assiste, mais apuradas são as sugestões na página inicial. É possível chegar a um ponto no qual você nem precisa mais usar a caixa de pesquisa, já que tudo o que você quer assistir está mostrado na tela inicial. Como é que essa mágica acontece?

Um catálogo bem organizado

A verdade é que a mágica das recomendações personalizadas começa bem antes de chegar ao usuário final: para saber o que sugerir, o serviço precisa conhecer muito bem os títulos disponíveis e organizá-los em categorias, subcategorias, gêneros, tipos etc.

A Netflix mantém o seu arquivo totalmente organizado usando metatags, que são “etiquetas” virtuais que classificam os filmes, seriados, documentários, shows e todo o resto do conteúdo do site. Essas tags são bastante descritivas e não param apenas nos gêneros tradicionais como “romance”, “ação” ou “terror”.

Cada página inicial é diferente, de acordo com o usuário e suas preferências. (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Os engenheiros por trás dos algoritmos da Netflix contam que tudo sobre um filme é levado em conta: a época em que ele foi filmado, as classificações dadas pelos usuários, os prêmios recebidos, os atores envolvidos, quem dirigiu as cenas, quem escreveu o roteiro etc.

Obviamente, aspectos da história também contam bastante. O personagem principal é mulher ou homem? O filme é parado ou cheio de ação? Existe corrida contra o tempo? É uma história baseada em quadrinhos? Quem responde a essas perguntas e classifica o título é um time de especialistas freelancers, já que uma máquina não conseguiria ser tão detalhista assim.

Muitas vezes a importância de um critério na classificação depende bastante de acordo com o filme. Por exemplo, materiais que tenham a direção do espanhol Pedro Almodóvar costumam ser, mesmo dadas as diferenças de roteiro, bem mais similares entre si do que os filmes dirigidos pelo Spielberg seriam entre si. Assim, no primeiro caso a classificação do diretor tem mais peso do que no segundo.

Conhecendo os usuários

Com um catálogo tão bem organizado, não é de se surpreender que a Netflix seja boa em sugerir conteúdo para todos os tipos de público, mas a pergunta agora é: como é que eles sabem exatamente em que tipo de público você se enquadra?

O Top 10 muda bastante, dependendo do seu histórico recente. (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Essa resposta pode parecer óbvia demais, já que eles pedem para que você classifique o que você viu e conte para o serviço o que você mais gosta de ver, porém isso é apenas a pontinha do iceberg da Netflix. A verdade é que o serviço conhece você muito melhor do que você imagina, juntando absolutamente todo tipo de informação para isso.

Em um post feito em um dos blogs da Netflix americana, eles explicam que o sistema de ranking e classificação por estrelas e por respostas é apenas uma das variáveis no algoritmo de indicações, mas que eles não confiam muito nesse sistema — em outras palavras, eles não confiam nas respostas que você dá e possuem boas razões para isso.

Muito além das cinco estrelas

Nem sempre a classificação em estrelas reflete o que você realmente quer ver. (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Muitas pessoas, se não todo mundo, já mentiu alguma vez nesse tipo de classificação. Dar mais estrelas para um filme aclamado pela crítica ou ficar com vergonha de classificar bem um besteirol são comportamentos comuns dos usuários da Netflix, e o serviço está preparado para lidar com isso. É claro que as estrelas que você marca contam, mas bem menos do que o seu histórico de navegação e visualização.

Se você classificar bem e falar que gosta de ver filmes estrangeiros independentes, mas na prática assistir bem mais comédias românticas do que o primeiro tipo de filme, essas comédias vão aparecer mais bem ranqueadas na sua tela inicial. Tudo o que você faz, desde as pesquisas, a forma como você desliza pelas páginas e carrosséis e o que você vê contam no resultado final.

Até o modo como você rola os carrosséis de filmes conta para o algoritmo da Netflix. (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Diferentes horários e dispositivos

Experimente isso: abra a Netflix no computador ou televisão e depois faça o mesmo em uma tablet ou celular. As recomendações podem variar um pouco de um caso para o outro; você sabe qual o motivo disso? De acordo com os engenheiros do serviço de streaming, a mídia usada para acessar o site diz muito sobre o que você quer ver.

Até o horário de acesso conta: se você pega o iPad para assistir a um filme à noite, é muito possível que queira ver algo bem diferente do que se você estiver usando a televisão no meio da tarde. Isso é feito de acordo com a observação do que o usuário procura nesses períodos e pode variar bastante dependendo da pessoa.

Gêneros personalizados

Quando você junta um catálogo extremamente organizado e um perfil detalhado do usuário, é possível cruzar os dados e ter uma boa ideia do que ele deseja ver. Dessa forma, a classificação de gêneros é bastante personalizada, sendo possível encontrar divisões como “Filmes estrangeiros com mulheres fortes” ou “Seriados arrepiantes dos anos 90”.

Os gêneros personalizados são criados de acordo com as suas preferências pessoais. (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Esses gêneros variam de acordo com a pessoa que está assistindo e juntam elementos que o serviço acha que você pode gostar com dados de conteúdos que você já assistiu. Quanto mais você usar a Netflix, mais esses gêneros vão ser personalizados para tentar atender ao que você deseja ver, combinando as metatags com o seu histórico pessoal.

Dados técnicos e classificação visual

O algoritmo da Netflix é extremamente complexo e técnico, sendo que vários aspectos disso são revelados em um dos blogs do serviço (textos em inglês), que você pode conferir clicando aqui. Além das preferências pessoais e das metatags do catálogo, é preciso saber como mostrar isso para o usuário de forma que ele visualize e possa decidir pelo que assistir.

Quanto mais à esquerda e acima, mais importante é no critério de classificação personalizada. (Fonte da imagem: Reprodução/Tecmundo)

Abra a sua página inicial e analise o que está mais à esquerda e acima: é essa a área mais “preciosa” do seu perfil, que possui as recomendações que a Netflix acha que você mais vai gostar, baseado no seu histórico recente. Quanto mais para baixo ou à direita um conteúdo estiver, menos provável é que o usuário clique nele para assistir, mas as opções precisam estar lá mesmo assim.

As recomendações sociais são, de acordo com o blog da Netflix, um dos carrosséis mais importantes, já que é muito comum que você tenha gostos parecidos com os dos seus amigos. Os títulos mais conhecidos também estão por cima, já que a maior parte dos usuários quer assistir a filmes e seriados de sucesso, e não títulos dos quais nunca ouviram falar.

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