Não é novidade para ninguém que a Netflix já criou diversos filmes e está com muitos outros no forno, como “War Machine”, longa estrelado por Brad Pitt. Por conta do alto nível de produção, a empresa foi concorrer pela primeira vez no Festival de Cannes com a obra “Okja”. Até aí, nada demais, não? Acontece que durante o festival o filme foi vaiado.

A trama traz Mija, uma garota que vai lutar para evitar que uma empresa poderosa sequestre a sua melhor amiga, Okja, que é uma criatura enorme. Como você pode ver, a polêmica não tem nada a ver com a história. Então qual é o rolo? Basicamente, os cineastas não estão gostando do interesse da Netflix em publicar filmes primeiramente em serviços de streaming.

De acordo com relatos, assim que o longa-metragem começou e o logo da empresa apareceu, houve uma grande sequência de vaias. Para piorar, por conta de uma confusão da equipe técnica do Festival de Cannes, o filme começou a ser exibido no enquadramento (aspect ratio) errado. Após reiniciar com a proporção adequada, outra onda de vaias (ainda mais forte, segundo o Hollywood Reporter) começou quando a marca da Netflix apareceu.

A polêmica se tornou ainda maior depois do anúncio de que os cinemas da França sequer receberiam o filme, pois uma lei do país diz que um longa-metragem deve ficar fora de serviços de streaming por pelo menos 36 meses depois do lançamento nos cinemas. Como você pode imaginar, a Netflix não iria lançar nas telonas e ficar fora do catálogo do serviço por três anos.

O Festival de Cannes não gostou da ideia de a Netflix tentar lançar o longa nos cinemas franceses no mesmo dia que ele sairia para a plataforma. Pouco depois, o evento disse que no próximo ano só poderão participar obras que forem lançadas nas salas de cinema da França. “Okja” está concorrendo pela Palma de Ouro.

A resposta dos representantes da Netflix

Durante a conferência de imprensa, o diretor do filme, Bong Joon-ho comentou sobre Pedro Almodovar havia ter dito uma semana atrás que o filme não deveria estar no festival de Cannes. Com bom humor, Bong disse que admira muito o trabalho do diretor espanhol e que fica feliz que ele tenha comentado sobre o filme.

A atriz Tilda Swinton também respondeu com classe: “A verdade é que não viemos aqui pelos prêmios. Nós viemos para mostrar o filme para o Festival de Cannes e para as pessoas de todos os cantos do mundo que se reuniram aqui. Eu acho que é o começo de uma conversa enorme e muito interessante, mas a verde é que sabe o que eu realmente acho? Eu acho que, de qualquer modo, tem espaço para todo mundo”.

Elenco de Okja

A declaração de Swinton (que fez “Precisamos Falar Sobre Kevin”, “Doutor Estranho”, “Expresso do Amanhã” e outros) reforça um ponto bem importante: no final, importa tanto assim que o filme tenha que estar no cinema para participar? Afinal, trata-se de um festival para promover filmes ou para promover marketing de lançamento no cinema?

De uma forma ou de outra, essa foi mais uma pedra no sapato da indústria cinematográfica, que vem lutado com garras e dentes para parar o avanço da Netflix no ramo de filmes e séries. E aí, você acha justo que o Festival de Cannes realize medidas que afastem produtos da empresa de streaming?

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