A despeito da possibilidade de vender músicas em serviços digitais, a indústria fonográfica ainda se contorce um bocado para encontrar um formato de apelo semelhante aos discos físicos. Será um aplicativo com mimos extras a resposta? Há quem diga que sim — no que se inclui o rockstar Paul McCarteney, que acaba de disponibilizar cinco álbuns clássicos de sua carreira solo como apps para o iPad.

Band on the Run, McCartney, McCartney II, RAM e Wings Over America ganharam formato interativo e recheado de extras, a fim de atender as exigências da moderna App Store. Os discos foram relançados pelo selo Concord Music Group por aproximadamente R$ 20 cada — muito mais atraente do que os preços praticados com os formatos digitais vendidos no iTunes, onde alguns dos álbuns chegam a custar mais de R$ 40.

Cada um dos apps/álbuns traz as faixas originais remasterizadas, entrevistas, fotografias raras, artes conceituais, vídeos com ensaios e documentários. Embora os álbuns dos Beatles ainda sejam exclusivos do iTunes, os discos solo de McCartney também podem ser ouvidos em diversos serviços de streaming como Spotify e Grooveshark.

A indústria fonográfica atrás de um novo formato

Vale lembrar, entretanto, que o ex-beatle não foi o primeiro a apostar no novo formato. Antes dele, Björk, Lady Gaga, Jay-Z e Snoop Lion também transformaram as versões relativamente “limitadas” de suas músicas em formato digital em interfaces recheadas de conteúdos extras e apelo visual interativo.

Dado o crescimento exponencial da plataforma da Apple e as possibilidades cada vez mais ilimitadas da grande rede, não é de se admirar que os artistas tenham optado pelos aplicativos como formato capitalizável — em uma tentativa óbvia de recolher os cacos dos discos em mídia física, estilhaçados pela internet.

O cenário, de fato, é um convite ao experimento. Conforme colocou o analista Mark Mulligan no site MusicIndustryBlog, em 2013 os apps já respondiam por 62% da renda obtida via iTunes, ficando as músicas com menos de um quarto. Dessa forma, trata-se, naturalmente, de uma forma inteligente para arrecadar mais alguns tostões com músicas já lançadas.

Resta saber apenas se quem já comprou esses álbuns em outros formatos vai mesmo se interessar em gastar novamente — mesmo que se trate de uma quantia relativamente módica.

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