As placas da NVIDIA com o final "60" são as mais aguardadas pelos consumidores. Entender o motivo disso não é difícil: o custo-benefício é uma das marcas registradas dessa linha. No começo do ano, a fabricante de GPUs disponibilizou o modelo de referência da GTX 960 para que mais empresas pudessem "brincar" com a esse componente.

O TecMundo já teve a oportunidade de analisar a variante fabricada pela EVGA, a GeForce GTX 960 SuperSC. Agora, chegou a ver de avaliarmos um modelo disponibilizado pela MSI: a GeForce GTX 960 Gaming 2G. Vamos ver como ela se saiu em nossos testes?

Especificações da GeForce GTX 960 Gaming 2G.

MSI GeForce GTX 960 Gaming 2G.

Design e sistema de refrigeração

Quem acompanha as nossas análises sabe que nós já testamos a irmã mais velha dessa placa – a GeForce GTX 970 Gaming 4G. A variante baseada na GTX 960 possui um design e sistema de refrigeração muito semelhante e segue a tendência da série Gaming da MSI.

Batizado de Twin Frozr V, o sistema de refrigeração é composto por duas hélices de 10 centímetros que cobrem praticamente toda a extensão da placa. O dissipador de calor também é enorme, o que contribui para afastar o calor da GPU.

Um dos destaques do conjunto são os ventiladores, que mesclam dois formatos de pás diferentes para garantir um fluxo de ar mais eficiente. De acordo com a MSI, essa construção gera 19% mais corrente de ar sem aumentar a resistência para um desempenho mais alto e um funcionamento mais silencioso.

MSI GeForce GTX 960 Gaming 2G.

  • Pá do ventilador tradicional: maximiza a corrente de ar para baixo e a dispersão de ar ao dissipador de grandes dimensões;
  • Pá do ventilador de dispersão: gera mais corrente de ar para maximar o fluxo de ar ao dissipador.

Os tubos metálicos da arquitetura proprietária SuperSU completam o sistema e, de acordo com a fabricante, representam a melhor solução de refrigeração para placas de vídeo. Na GTX 960 Gaming 2G, a GPU esfria graças a uma base de cobre revestida de níquel que se conecta aos condutores de 8 milímetros.

MSI GeForce GTX 960 Gaming 2G.

No geral, a placa é muito bonita e possui um visual bastante agressivo. Cores vermelhas e pretas se misturam na carcaça, e a ausência de um backplate é o único ponto que pode desagradar no design.

Maxwell GM206

O chipset que integra essa GTX 960 da MSI é o GM206, um dos modelos mais recentes da família Maxwell. Essa arquitetura foi criada para ser mais eficiente do ponto de vista energético, mas sem deixar de lado a performance.

Com a GTX 960, a NVIDIA quer convencer os consumidores que ainda possuem uma placa antiga da mesma categoria a fazerem o upgrade. A promessa é um bom ganho de performance sobre a arquitetura anterior, além do dobro de desempenho por watt consumido.

MSI GeForce GTX 960 Gaming 2G.

Como destaques da arquitetura Maxwell, podemos mencionar o suporte ao filtro antisserrilhado MFAA, o efeito de iluminação global e o DSR. Além disso, o GM206 também está preparado para o DirectX 12.

GeForce GTX 960 Gaming 2G

A GTX 960 herda o poder de overclock das placas 970 e 980. No caso da placa da MSI, o incremento a partir do modelo de referência foi modesto, mas há espaço para mais melhorias. O clock turbo consegue chegar até 1.279 MHz. A substituição do conector de 6 pinos por um de 8 e o sistema de refrigeração da MSI são outros aspectos que dão margem para mais overclock.

MSI GeForce GTX 960 Gaming 2G.

Porém, diferente de suas irmãs mais velhas, a GTX 960 possui apenas 2 GB de memória RAM. Esse ponto tem sido um gargalo nos jogos da nova geração, especialmente naqueles que trabalham com texturas de alta resolução. Apesar disso, o foco dessa linha não é trabalhar com resoluções altas, como o 4K, o que acaba minimizando esse ponto negativo. A NVIDIA ainda garante que a tecnologia de compressão dos dados vai ser capaz de otimizar em até 30% o uso da memória.

Evolução da família GeForce

A GeForce GTX 960 também conta com as principais novidades introduzidas pela NVIDIA no final do ano passado, quando trouxe a GTX 980 para o mercado. Entre os recursos estão o VXGI e o MFAA, além, é claro, do DSR, a ferramenta de downscalling que permite que você rode um jogo em 4K em praticamente qualquer monitor.

MSI GeForce GTX 960 Gaming 2G.

A NVIDIA ainda faz uma pequena provocação, comentando que a GTX 960 é capaz de rodar a maioria dos games atuais com resolução 1080p a 60 FPS, tarefa que os consoles atuais apresentam relativa dificuldade para conseguir realizar.

VXGI – Voxel Global Illumination

A iluminação é um dos recursos mais fundamentais na hora de garantir o realismo nas cenas. A NVIDIA sabe disso e lançou junto com os novos modelos Maxwell o VXGI, sigla para Voxel Global Illumination. A nova tecnologia pode aumentar a capacidade da GPU na hora de processar efeitos de iluminação global.

Para entender como o sistema trabalha, antes é preciso entender como os voxels funcionam: enquanto um pixel representa um ponto 2D no espaço, um voxel representa um pequeno cubo do espaço 3D. Para realizar a iluminação global, é preciso calcular a luz que é emitida por todos os objetos na cena, e não apenas as luzes diretas.

VXGI – Voxel Global Illumination.

Para que isso seja feito, toda a cena é preenchida com pequenos cubos chamados voxels. Esse processo é chamado voxelização, que é o ato de determinar o conteúdo da cena em cada voxel. Ele é análogo ao processo de rasterização, que é a determinação do valor de uma cena em dadas coordenadas 2D.

No VXGI, são armazenadas duas informações em cada voxel: a) a fração de voxel que contém um objeto real; e b) por qualquer voxel que contém um objeto, as propriedades da luz que vêm do objeto (ou seja, saltando para fora dele a partir das fontes de luz primária), incluindo direção e intensidade.

Assim que a fase de cobertura dos voxels termina, são armazenadas informações em cada voxel que descrevem como a geometria física responde à luz. Isso inclui a codificação de opacidade da matéria e propriedades emissivas e reflexivas.

VXGI – Voxel Global Illumination.

Em seguida, a cena é checada novamente, desta vez verificando a iluminação direta em cada voxel não vazio. A cena é renderizada várias vezes a partir de pontos de vista de diferentes pontos de iluminação, capturando a luz que atinge cada voxel. O processo de voxelização fornece dados sobre toda a informação de luz presente na cena.

O último passo é a rasterização da cena, como ela é feita tradicionalmente. A diferença agora é que existe muito mais dados para serem utilizados nos cálculos juntamente com outras estruturas, como mapa de sombras.

De acordo com a NVIDIA, essa tecnologia pode ser escalonada para trabalhar em diferentes tipos de hardware, incluindo GPUs Kepler e até mesmo consoles de jogos. A vantagem do Maxwell é que ele já foi feito pensando nesse recurso, podendo aproveitar muito mais as novas funções. O VXGI já está presente na Unreal Engine 4 e, em breve, deverá estar nos principais motores gráficos disponíveis no mercado.

DSR – Dynamic Super Resolution

A super-resolução dinâmica não é exatamente uma novidade. Existem diversas ferramentas não oficiais que podem fazer downsampling nas imagens, mas nada se iguala ao suporte oficial por parte do fabricante.

O que o DSR pode fazer é aumentar significativamente a qualidade das imagens. Para entender como ele funciona, pense em um monitor Full HD. Agora, imagine uma imagem em resolução inferior ao do monitor. Para preencher toda a tela, a imagem precisará ser esticada, deixando as imperfeições mais aparentes.

DSR – Dynamic Super Resolution.

O downsampling funciona de forma parecida, só que ao contrário. Em vez de esticar uma imagem pequena para preencher a tela, ele espreme uma imagem grande para que ela possa ser exibida em um monitor com resolução menor que a da imagem gerada, eliminando quase que completamente as imperfeições. Isso é especialmente útil para quem pretende rodar jogos com qualidade 4K em monitores Full HD.

Para completar, uma série de filtros especiais são aplicados às imagens com o objetivo de remover quaisquer possíveis serrilhados e/ou artefatos que restarem nas imagens. A Nokia usa um processo semelhante em alguns celulares que utilizam a tecnologia PureView, como o Lumia 930. Lá, as fotos são batidas com qualidade 20 MP e depois reduzidas para 5 MP, por exemplo.

A compatibilidade é garantida pelo GeForce Experience, que configura os jogos e todos os detalhes para que você não precise se preocupar com nada. Basta selecionar o game desejado e mudar a resolução.

Apesar de a NVIDIA focar o seu marketing no 4K, é possível utilizar resoluções menores, como o 2K ou outros valores compatíveis com a sua tela, pois o sistema oferece opções diferentes de configuração para que você possa encontrar o perfeito equilíbrio entre desempenho e qualidade visual. E isso é bastante importante, pois rodar jogos nessas resoluções exige muito do hardware.

MFAA – Multi Sampling Anti-aliasing

O MSAA ou Multi Sampling Anti-aliasing é o método antisserrilhados mais comum hoje em dia. Essa técnica oferece um ótimo resultado visual, mas pode pesar um pouco em resoluções mais altas — principalmente em um hardware menos potente.

Para tentar resolver um pouco essa situação, a NVIDIA está trazendo o MFAA, que pode oferecer a mesma qualidade visual do MSAA, mas não pesa tanto na hora do processamento. Para fazer isso, o sistema aplica dois tipos diferentes de AA na imagem. Em seguida, as duas são mescladas para garantir um efeito próximo ao do MSAA, mas com uma penalidade menor no desempenho.

Outros recursos NVIDIA

Essa placa de vídeo também possui todos os recursos exclusivos desenvolvidos pela NVIDIA. Entre eles está o PhysX, um sistema que realiza os cálculos de física para trazer aos jogos efeitos mais realistas. Roupas, partículas e iluminação podem ficar muito mais detalhadas com o PhysX ativado.

Junto dele estão recursos avançados de antialiasing como o FXAA e o TXAA, capazes de garantir uma ótima qualidade visual sem comprometer muito o desempenho do sistema como um todo. O Adaptive V-Sync sincroniza as imagens com a frequência da tela para garantir a fluidez nas animações sempre que a placa tem poder de sobra. O efeito é ativado e desativado em tempo real para garantir um bom equilíbrio entre desempenho e qualidade visual.

Recursos NVIDIA.

O GPU Boost é uma tecnologia que pode aumentar o clock do processador gráfico em tempo real, oferecendo mais poder de fogo enquanto a temperatura máxima do chip não for atingida.

Testes de desempenho

Como os testes são feitos

Todos os produtos testados no TecMundo são mantidos em suas configurações originais, ou seja, com os padrões de fábrica. Algumas placas de vídeo possuem chaves físicas e, ou configurações especiais para aumentar o desempenho, mas sempre que utilizamos esses recursos, identificamos nos testes.

No caso das placas de vídeo com arquitetura Maxwell em que a alteração do Power Limit pode trazer um razoável ganho de desempenho, esse recurso não é alterado durante os testes a não ser em condições especiais e, ou, se o fabricante já enviar o produto com esse parâmetro alterado. Além disso, a temperatura limite da GPU também é mantida no padrão fornecido pelo fabricante.

Os drivers utilizados durante os testes sempre são a última versão estável disponível. A única alteração feita é a desativação do V-Sync para não limitar a taxa de quadros por segundo.

Máquina de testes

  • CPU: Intel Core i7-3930K @ 3.800 MHz
  • Placa-mãe: EVGA X79 SLI
  • Memória: 16 GB RAM quad-channel G.Skill Sniper DDR3 2133
  • SSD: Kingston HyperX 3K 480 GB
  • HD: 3 TB Seagate ST3000M001
  • Fonte: Corsair AX1500i

Jogos

Batman: Arkham Origins

Batman: Arkham Origins utiliza uma versão modificada da Unreal Engine 3 e DirectX 11 aliados a diversos efeitos especiais para garantir o visual. O game também aproveita o PhysX da NVIDIA para trazer recursos de física mais realistas.

Battlefield 4

Battlefield 4 utiliza a nova engine Frostbite 3 para trazer efeitos especiais e ambientes maiores e mais detalhados, incluindo muitas partículas, texturas de alta resolução e tessellation. Tudo isso é feito através do DirectX 11.

Crysis 3

O motor de Crysis 3 é o CryEngine 3, que desta vez apresenta uma série de novos recursos gráficos, incluindo fumaça e luz volumétricas e vegetação e tecidos dinâmicos, além de texturas em altíssima resolução. Para que tudo isso seja possível, o game roda exclusivamente com o DirectX 11.

GRID 2

GRID 2 utiliza a engine EGO 3.0, desenvolvida pela Codemasters e presente em diversos games de corrida da desenvolvedora. O jogo apresenta efeitos visuais impressionantes, incluindo batidas, efeitos de fumaça, luz e sombras.

Metro: Last Light

Metro: Last Light aproveita o poder das GPUs modernas para trazer gráficos excelentes, texturas em alta definição e muita destruição com efeitos especiais incríveis. O game é construído com a engine 4A e também é compatível com o PhysX, da NVIDIA.

Tomb Raider

O reboot chegou com diversas novidades em relação aos games anteriores da série. O mundo aberto possui muitos lugares para serem explorados, e o título trabalha com texturas em alta definição e o recurso TressFX, que garante à protagonista do jogo cabelos incrivelmente detalhados.

Sintéticos

3DMark

O 3D Mark é, talvez, o mais conhecido software de benchmark do mercado. No mundo todo, pessoas utilizam essa ferramenta para medir o desempenho de suas máquinas. A versão que usamos é dividida em três categorias, e cada uma delas apresenta um nível de complexidade diferente.

Valley Benchmark

O Valley Benchmark utiliza a Unigine para testar os limites do hardware. O software mostra uma região montanhosa com uma enorme quantidade de árvores e plantas de variadas espécies em um terreno de 64 milhões de metros quadrados. O Valley também exibe efeitos de luz e variações climáticas, colocando o poder das placas de vídeo à prova.

Heaven Benchmark

O Heaven Benchmark foi desenvolvido para explorar todos os recursos das placas de vídeo, testando os limites do hardware em situações específicas. O teste é baseado no motor gráfico Unigine e utiliza o que há de mais moderno em sistema de iluminação, física e tessellation para determinar o poder da placa de vídeo.

Computacional

Civilization 5

Civilization 5 oferece uma ferramenta de benchmarks que utiliza o DirectCompute para calcular a taxa de descompressão das texturas do jogo. Quanto mais quadros por segundo o teste apresentar, melhor é a GPU.

Luxmark 2.0

O Luxmark pertence à suíte gráfica LuxRender. O que esse teste faz é simular uma série de efeitos de ray tracing através da linguagem OpenCL.

Temperatura

Consumo energético

Durante os testes também realizamos algumas medições no consumo de energia com a ajuda de um dispositivo chamado Kill a Watt, que mede o consumo total da máquina, ou seja, quanto ela está “puxando” da tomada. As medições são realizadas em quatro momentos distintos:

  • Ocioso: máquina ligada, mas sem nenhum aplicativo em atividade;
  • Filme: filme em qualidade Full HD rodando em tela cheia;
  • 3DMark FireStrike Extreme: simula o uso normal da máquina em jogos;
  • FurMark: consumo extremo de energia, acima dos padrões normais.

A arquitetura Maxwell mostra um de seus principais pontos fortes nesses dois últimos testes: consumo energético e teperatura. Pelos gráficos podemos ver que o consumo fica bem abaixo de outras GPUs, e a temperatura se mantém abaixo dos 65 graus C mesmo em uso intenso. Nesse caso temos o conjunto de um chip que não esquenta tanto com um sistema de refrigeração adequado e até mesmo quase exagerado para essa essa placa. A grande vantagem é que o cooler passa bastante tempo desativado ou girando lentamente, o que faz dessa placa extremamente silenciosa.

Vale a pena?

A MSI fez um excelente trabalho com a sua versão da GTX 960. A própria placa de referência já se destaca por trazer os benefícios dos modelos superiores, como a eficiência, baixo consumo, potencial pra overclocks e as tecnologias da NVIDA.

No caso desse modelo analisado, contamos ainda com um ótimo sistema de refrigeração que permite que a placa vá ainda mais longe. O design também agrada, um aspecto importante pra quem se preocupa com a aparência do computador.

Com um preço competitivo – média de R$ 1.100 –, esse modelo da MSI é ideal pra quem tem uma placa de uns 2 anos e está pensando em um upgrade. Focado em quem procura um bom custo-benefício, essa GTX 960 dificilmente vai desagradar o consumidor que decidir investir nela.

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