Uma entrevista feita pelo The Wall Street Journal ao CEO da Lenovo Yan Yuanqing revelou que a empresa está passando por um bocado de dificuldades em sua tarefa de reviver a Motorola. O motivo? Aparentemente, a empresa chinesa subestimou as diferenças culturais e de modelos de negócios entre ela e a famosa companhia norte-americana.

Na época, a aquisição feita pela Lenovo – que custou 2,91 bilhões de dólares – tinha como objetivo permitir à companhia se expandir, ao mesmo tempo em que criava produtos premium para o mercado chinês com a marca Moto. A compra também foi motivada pelo próprio governo da China, que queria que as companhias investissem mais no exterior, e do fato de que a Lenovo, na época, era a mais vendida no mercado do país.

Nós subestimamos as diferenças da cultura e do modelo de negócios

Hoje, no entanto, a situação mudou drasticamente. Da terceira maior fabricante de smartphones do mundo em números de envios, a companhia caiu para a oitava posição, o que fez com que ela não apenas tivesse seu primeiro relatório de perdas desde 2009 em 2016, como também obrigou a cortar dois mil funcionários nos EUA.

“Nós subestimamos as diferenças da cultura e do modelo de negócios” disse Yuanqing, admitindo as dificuldades com a companhia.

Quando o mesmo truque não funciona duas vezes

É importante notar que, apesar dos problemas com a Motorola, a Lenovo tem um bom histórico em salvar empresas; foi o que ela fez, por exemplo, com a IBM e seus ThinkPads, que acabaram por salvar a companhia.

A mesma tática não funcionou com a Motorola, contudo. Ao tentar levar os aparelhos Moto ao mercado chinês, a Lenovo percebeu estar atrasada: o país já estava saturado de smartphones com custo mais acessível. Com isso, a companhia tentou seguir para o mercado de celulares mais poderosos, mas isso também não funcionou, visto que o custo dos aparelhos os colocou na faixa de preço dos iPhones.

Acima, você pode conferir os números da Lenovo antes e depois da aquisição da Motorola

Se isso quer dizer que a Motorola (ou talvez até mesmo a Lenovo) está destinada a fracassar? Felizmente, parece que não vai ser o caso. Graças à volta da linha Moto com seu Moto Z, a empresa apresentou ótimas vendas, o que deixou o presidente da gigante confiante de que ainda há fôlego para essa “batalha”.

Resta torcer para que as esperanças do figurão se mostrem verdadeiras. Afinal, ninguém quer que uma empresa tão grande e importante para a história dos celulares como a Motorola acabe virando passado.

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