Nos desenhos japoneses, não é raro que heróis que não se dão muito bem acabem se juntando para combater um inimigo poderoso ou perigo maior. Agora, parece que essa trama clássica foi transportada para o mundo real por meio de uma parceria bastante surpreendente no setor de motocicletas: eternas concorrentes, Honda e Yamaha anunciaram que devem unir forças na fabricação de novas motocicletas no Japão. Lembra como você ficou emocionado quando Goku e Vegeta finalmente se aliaram para enfrentar Buu? É mais ou menos isso.

Se as duas empresas são os heróis da história, o vilão não poderia ser outro senão um mercado de motos que anda cada vez mais concorrido e que vem encolhendo ano a ano no país. Sendo assim, não precisa se preocupar com fusões nem nada do tipo, pois ambas as fabricantes só estão chegando a um acordo que deve dar uma boa sobrevida a elas ao mesmo tempo que aquece a indústria. Segundo o plano, a ideia é que, a partir de 2018, a Honda passe a produzir scooters de 50 cilindradas para a sua rival.

Imagine essa cena em uma página dupla de mangá!

Com essa estratégia em prática a estrutura básica dos modelos Tact e Giorno devem passar a servir de base para as Yamaha Jog e Vino. Felizmente, para os consumidores nipônicos, a colaboração inusitada entre as companhias não deve parar por aí, já que o contrato assinado na última quarta-feira (5) também indica que ambas podem trabalhar em conjunto para criar suas próximas linhas de scooters utilitárias – voltadas principalmente para entregas – e desenvolver versões elétricas desse tipo de veículo.

A Giorno de hoje pode ser a Vino de amanhã

As bicicletas elétricas e os minicarros vêm sendo vistos como os principais algozes das simpáticas motocicletas de baixa cilindrada

Por falar nessa tecnologia, são as bicicletas elétricas e os minicarros que vêm sendo vistos como os principais algozes das simpáticas motocicletas de baixa cilindrada, fazendo com que apenas 400 mil unidades delas tenham sido vendidas em todo o Japão no ano de 2015. Esse é um patamar risível se considerarmos que, na década de 1980, o número de vendas de motos dessa categoria chegava a 3,26 milhões anuais. “O mercado para essa classe única de motocicletas é implacável”, analisou Shinji Aoyama, COO da Honda.

União local, expansão global

Para a Yamaha, que disputou por décadas uma verdadeira guerra contra a sua adversária, a parceria chega como uma bênção e deve ajudar a fazer com que a fabricante se acerte antes de emplacar seus planos de expansão – que, assim como os da Honda, visam a regiões lucrativas como África e outras localidades emergentes. Katsuaki Watanabe, diretor-executivo da companhia, acredita que, sem recorrer ao seu principal competidor, a Yamaha teria muita dificuldade em seguir adiante ou mesmo em se adaptar às novas regulamentações ambientais.

Combater inimigos em comum vale a união temporária

Assim, embora a dupla junte suas forças apenas no Japão – já que o mercado internacional é ainda menos adepto das motocas de 50cc –, a empreitada deve render bons frutos em sua operação global, permitindo que ambas se preparem para enfrentar as cada vez mais ousadas e numerosas montadoras chinesas e indianas. E aí, será que essa história vai dar certo mesmo ou poderemos ver um final não tão feliz quanto nos animes?