Com a ajuda do astro Ashton Kutcher, a Lenovo apresentou oficialmente ao público em junho de 2016 a nova linha Moto Z. Essa série veio para se juntar às letras X, E e G que a empresa herdou da Motorola em 2014. Estamos diante de três smartphones diferentes: o Z Force, o Z Play e o Z, que é aquele que vamos analisar neste artigo.

Com essa linha, a Lenovo quer estabelecer um novo patamar para o segmento top de linha. A empresa colocou o Z até mesmo acima do Moto X, que antes era considerado o flagship da família. Assim como aconteceu com o Moto X e o Moto G, a Lenovo resolveu dividir a linha Z em vários modelos, mas com um destaque principal: a modularidade. Até o momento, são quatro módulos diferentes que funcionam para todos os aparelhos da família Z, além das capas usadas para personalização.

Mas afinal, o que essa nova família tem a oferecer para os consumidores?

O smartphone Lenovo Moto Z foi gentilmente cedido por empréstimo para a realização desta análise.

Especificações técnicas

  • Sistema operacional: Android 6.0.1
  • Tela: AMOLED de 5,5 polegadas
  • Resolução da tela: 2560x1440 pixels (QHD)
  • Densidade de pixels: 535 pixels
  • Chipset: Qualcomm Snapdragon 820
  • CPU: Quad-core (2x de 1,8 GHz + 2x de 1,6 GHz)
  • GPU: Adreno 530
  • Memória RAM: 4 GB
  • Armazenamento interno: 64 GB
  • Armazenamento externo: cartão micro SD de até 256 GB
  • Câmera traseira: 13 MP
  • Câmera frontal: 5 MP
  • Bateria: 2.600 mAh
  • Conectividade: USB Type-C 1.0, Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, dual-band, WiFi Direct, hotspot, Bluetooth 4.1, GPS (A-GPS, GLONASS), NFC e Rádio FM
  • Sensores: acelerômetro, bússola, giroscópio, leitor de digitais, proximidade
  • Altura: 153,3 mm
  • Largura: 75,3 mm
  • Espessura: 5,2 mm
  • Peso: 136 gramas
  • Preço de lançamento: R$ 3.199

Lenovo Moto Z

Design

O Moto Z é um smartphone que se destaca logo de cara por causa da espessura. Estamos diante de um aparelho extremamente fino, o que causa até certa insegurança para quem vai segurá-lo. A finura também resultou no sacrifício do conector de fone de ouvido, que deu lugar a uma única entrada USB do tipo C. 

Na parte da frente, temos o mesmo design dos aparelhos da linha Moto, com destaque para o sensor de impressões digitais que estreou no G4 Plus. Esse esquema ainda causa uma desarmonia no visual, o que é reforçado pela quantidade de sensores visíveis na versão branca do Moto Z.

Lenovo Moto Z

No verso, temos uma superfície metálica muito bonita, mas extremamente suscetível à marcas de dedo. A câmera fica bem saltada e temos também os conectores usados para fazer a ligação com os snaps.

No geral, o design do Moto Z agrada, mostrando que a Lenovo também quer partir para uma pegada mais premium. Vale ressaltar a existência das chamadas Style Shells, que podem modificar bastante o visual do aparelho e até eliminar o incomodo das digitais na tampa e a câmera saltada na parte traseira.

Tela

Na parte do display, a Lenovo se destaca por deixar de lado o tradicional LCD e apostar na tecnologia AMOLED, que já havia sido usado nos Moto X. Por conta disso, a tela do Moto Z apresenta bom definição e cores muito bonitas, com um preto realmente preto e um branco que não parece cinza.

Porém, é estranho notar que o Moto Z Play, teoricamente inferior que o Moto Z tradicional, oferece o sucessor do AMOLED, o Super AMOLED. A tecnologia mais recente garante ainda mais nitidez e velocidade na resposta, o que faria todo sentido para o aparelho flagship da família Z. Quanto à resolução e tamanho, estamos diante do padrão da indústria para o que é considerado top de linha nesse segmento.

Lenovo Moto Z

Interface

A Lenovo mantém a tradição e traz uma versão do Android sem modificações na interface. O Moto Z vem equipado com o Android Marshmallow, mas é muito provável que ele seja atualizado em breve para o Nougat. A única adição que a fabricante inclui em seus smartphones herdados da Motorola é o app Moto, algo que sempre elogiamos por aqui. O Moto Z também tem um gerenciador dos Moto Snaps, do qual vamos falar daqui a pouco.

Desempenho

O mais novo smartphone da Lenovo vem equipado com um dos mais recentes chipsets da Qualcomm, o Snapdragon 820 (quad-core de 1,8 GHz + quad-core de 1,6 GHz). Porém, a redução do clock nos núcleos mais rápidos do processador nos faz lembrar um pouco do caso do G5 SE, a versão brasileira capada do top de linha da LG.

Isso não significa que o Moto Z seja um smartphone fraco. Muito pelo contrário. O aparelho consegue lidar com tranquilidade com qualquer app, apresentando um desempenho digno de sua categoria. A capacidade de rodar jogos pesados, apps rodando de forma simultânea e a velocidade da interface mostram que o Moto Z não está para brincadeira.

Os 4 GB de memória RAM, os 64 GB de armazenamento e o suporte ao cartão micro SD de até 256 GB também deixam qualquer usuário bem atendido. Mas já está na hora de as fabricantes perceberem que essa prática de trazer modelos inferiores para o público brasileiro não agradou, não importa qual seja a justificativa. Também aproveitamos para destacar que o sensor de digitais é bem rápido e preciso.

Câmera

A câmera traseira (13 MP) do Moto Z apresenta uma boa qualidade, algo que a Motorola já estava conseguindo fazer com seus últimos tops de linha. As fotos registradas possuem uma boa qualidade e o sensor não perde em desempenho e nitidez para câmeras com mais megapixels.

O modo HDR também consegue equilibrar muito bem a iluminação das fotos e o LED duplo, embora um pouco amarelado, quebra um galho em fotos noturnas. Falando nelas, as imagens registradas em ambientes escuros possuem boa qualidade, com um índice de ruído aceitável.

Com relação a câmera frontal (5 MP), o resultado é compatível com smartphones top de linha. O sensor é capaz de produzir fotos de qualidade, mas não se sobressai em nenhum ponto. O destaque vai para o flash frontal, que é bem intenso e deve ser usado com cuidado para não estragar as selfies.

O Moto Z ainda é capaz de gravar vídeos em 4K a 30 quadros por segundo ou Full HD a 60 FPS.

Bateria

O Moto Z traz uma bateria com capacidade (2.600 mAh) abaixo do que era esperado para um top de linha. Porém, o aparelho apresenta um bom gerenciamento de energia, o que acaba compensando a baixa capacidade.

No teste de stress, o Moto Z aguentou a reprodução de conteúdo por aproximadamente sete horas. Usando o smartphone no dia a dia, ele foi capaz de aguentar umas 16 horas de uso moderado e chegar ao final dele com aproximadamente 20% da carga. Vale ressaltar que Moto Z não tem bateria removível e vem acompanhado de um carregador turbo bem competente.

Lenovo Moto Z

Em nossos testes, apenas 15 minutos no carregador garantiram várias horas de uso. Já o carregamento total levou pouco mais de uma hora e quinze minutos, uma boa média para essa categoria. O destaque vai para o conector USB tipo C, algo que vai se tornar o padrão da indústria em breve.

Áudio

O Moto Z mantém o alto-falante na parte frontal, o que é bem melhor do que a saída de som na traseira do aparelho. O áudio é limpo e sem distorções aparentes, mas infelizmente não é muito alto. A experiência com o fone de ouvido é um pouco melhor e o Moto Z ainda traz um adaptador para ser conectado ao novo padrão USB.

Não é uma solução tão elegante quanto oferecer um acessório com a conexão certa logo de cara, mas vai ajudar nesse momento de transição. Afinal, quantos fones de ouvido com conexão USB tipo C você conhece? O jeito é sempre deixar o seu acessório conectado ao adaptador.

Moto Snaps

Mas o verdadeiro destaque da família Z são os Moto Snaps. Até o momento, quatro módulos principais foram anunciados até agora. Todos têm como vantagem a praticidade de uso, uma vez que é só conectar e sair usando. Nada de tirar a bateria, desligar e ligar o aparelho e esperar ele iniciar.

JBL SoundBoost | Speaker

O JBL SoundBoost é um speaker superprático que traz o nome e a qualidade da JBL. O módulo transforma o aparelho em um caixa de som estéreo e adiciona mais 10 horas de duração de bateria. O som é de qualidade e capricha nos graves, mas sofre com a falta de potência sonora do próprio Moto Z.

Moto Insta-Share Projector

Já o Moto Insta-Share Projector é o módulo que mais surpreendente ao oferecer a função de projetar uma tela de até 70 polegadas em qualquer superfície. A qualidade do acessório surpreendente e ele se mostrou ideal para mostrar fotos e vídeos para os amigos ou até assistir filmes. O módulo pode até mesmo substituir projetores mais simples que são usados para apresentações e eventos. O Moto Insta-Share Projector aguenta pouco mais de uma hora de projeção e tem bateria própria.

Incipio offGRID Power Pack

O Incipio offGRID Power Pack é um módulo de bateria que já acompanha o Moto Z nas versões comercializadas por aqui. Ele possui a capacidade de 2.220 mAh, o que é o suficiente para adicionar quase um dia de uso a mais para o smartphone. Embora tenha um perfil bem baixo, o módulo deixa o Moto Z bem mais grosso.

Hasselblad True Zoom

O Hasselblad True Zoom é o único módulo que não recebemos para análise. O acessório é capaz de adicionar zoom óptico verdadeiro de 10x, além de um flash Xenon para fotos noturnas. O módulo também conta com controles físicos para regular o obturador e o zoom.

Outros módulos

Outro acessório que não é exatamente um módulo é o já mencionado Style Shell. Essa tampa, que pode ser de madeira, couro ou nylon balístico, dá um charme ao aparelho ao mesmo tempo em que esconde os contatos magnéticos na parte traseira. 

Através da abertura da plataforma, a Lenovo quer que a própria comunidade crie módulos diferentes para o Moto Z. A empresa até oferece kits de desenvolvimento para incentivar os usuários a criarem esses novos acessórios. A iniciativa é interessante, mas ainda é cedo para dizer que vai dar certo.

Vale a pena?

O Moto Z não é o smartphone que inaugura a modularidade, mas é o que melhor implementa esse conceito até o momento. O aparelho tem suas qualidades como top de linha, mas o principal destaque são mesmo os módulos.

Porém, o preço desse adicionais pode acabar assustando um pouco os consumidores. Os módulos de projetor e câmera, se comprados separadamente, custam tanto quanto um bom smartphone intermediário. A Lenovo vende o Moto Z em um pacote que já inclui o módulo de bateria e uma capa personalizada, o que se transforma em um grande atrativo para o público.

Tudo isso por um preço (R$ 3.199) mais baixo que seus principais concorrentes, como o Galaxy S7 edge e o iPhone 7. Durante o nosso período de testes, o preço mais baixo que encontramos foi no Walmart.com, que oferecia 15% de desconto para pagamento à vista e frete grátis para toda a família Moto Z.

A Lenovo tem méritos por inovar em um segmento que frequentemente se resume a uma briga de especificações. Se você está buscando um smartphone top de linha e acredita nessa aposta da modularidade, o Moto Z com certeza é uma boa escolha para você.

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