Há pouco mais de um mês, a Lenovo trouxe a quinta geração da série Moto G, que foi apresentada durante a MWC 2017, para os consumidores do Brasil.

Desde o lançamento da nova linha aqui no país, todo mundo tem visto propagandas sobre os novos modelos em todos os lugares. O investimento por parte da fabricante é bastante óbvio, uma vez que o mercado brasileiro é um de seus principais alvos.

Com design atualizado, hardware equilibrado, nova versão do Android e câmeras de boa qualidade, a Lenovo mostra que está antenada no mercado e quer conquistar mais fãs. Nós já testamos o Moto G5 Plus e gostamos muito do produto, tanto que elogiamos diversas mudanças pontuais realizadas no aparelho.

Agora, temos o prazer de apresentar os encantos do Moto G5. O smartphone com tela menor é um intermediário "mais básico", uma vez que traz tela menor, especificações um pouco mais simples e perde em alguns truques para seu irmão maior. De qualquer forma, o Moto G5 chega com promessas de bom desempenho por um preço muito camarada.

É importante notar que eu fui o responsável pela análise do Moto G5 Plus, portanto já tenho algumas considerações que acabam sendo bastante válidas em uma comparação prévia dos produtos. Será que ele vai ser o novo campeão de vendas da Lenovo? Acompanhe os apontamentos abaixo sobre os vários aspectos do produto para descobrir!

Especificações

Design

Conforme já comentamos na análise do Moto G5 Plus, a linha Moto G teve seu design atualizado ao longo dos anos. É notável que o Moto G5 é muito diferente do Moto G4. Essa mudança no visual foi realizada nos dois novos aparelhos, então já era de se esperar que o Moto G5 também estivesse um bocado alterado.

Para manter a coerência da nova linha, a Lenovo projetou os dois modelos de forma muito similar. Os dois apresentam design quase idêntico. Talvez, as únicas diferenças estejam na tampa, que no Moto G5 é removível e não há diferença de nível na parte da câmera.

É notável o capricho da fabricante nos conceitos mais premium deste novo design. O visual é mais próximo dos top de linha do que de modelos básicos. Primeiramente, temos cores bem peculiares: Platinum (preto com alguns tons de cinza) e Ouro (um dourado bem chamativo).

Por conta da tela menor (que diminui de 5,5 polegadas do Moto G4 para 5 polegadas), o Moto G5 tem uma pegada mais confortável e uma experiência bem próxima daquela que temos no Moto G5 Plus. Felizmente, essa alteração também resultou num ajuste de peso, sendo que o Moto G5 é 10 gramas mais leve do que o Moto G4.

Tal qual o Moto G5 Plus, o modelo menor também tem uma nova proposta em sua construção. Ele ainda possui algumas partes em plástico, mas a adoção do alumínio para determinados elementos garante uma qualidade superior. Nós testamos a versão platinum e gostamos da combinação dos materiais e dos diferentes tons usados na composição visual.

A tampa fosca evita marcas de digitais, enquanto as bordas em tom cromado deixam o aparelho elegante. Vale ressaltar ainda que, assim como o Moto G5 Plus, o Moto G5 tem apenas proteção contra respingos d’água. Ele não possui certificado para acidentes mais complexos, então nada de banhos na piscina, ok?

É claro que a parte de design é muito pessoal, e muitos criticaram as mudanças. Particularmente, eu gostei bastante do novo visual, tanto que elogiei o Moto G5 Plus. E para você não pensar que estou mentindo, gostei tanto que até comprei um Moto G5 na versão dourada. Não é um modelo para uso pessoal, mas é um celular que considero muito bonito e por isso achei perfeito para dar de presente.

Tela de alta resolução

Na contramão do mercado, a Motorola resolveu levar uma experiência mais rica para seus consumidores, algo que se reflete claramente na qualidade da tela do Moto G5. Ainda que a tela tenha diminuido em 10%, a marca não reduz a resolução do display, o que é algo muito positivo para o consumidor que quer curtir vídeos e fotos com alta qualidade.

A resolução continua no Full HD, assim como era no Moto G4. Na prática, isso garante ótima definição no Moto G5, já que a densidade de pixels chega a 441 pixels por polegada. Por outro lado, assim como percebemos no Moto G5 Plus, essa qualidade elevada pode ser um tanto problemática em alguns games, já que exige mais do hardware.

As imagens dos apps, das fotos e dos games na tela do Moto G5 ficam muito nítidas. Com tamanha resolução, a experiência com o sistema é agradável e bastante confortável. Os ícones e o texto são apresentados em tamanho razoável, uma vez que o Android redimensiona os elementos para entregar uma interface mais coerente para o tamanho do display.

Com a mesma tecnologia do visor do Moto G5 Plus, o display do Moto G5 apresenta nível de brilho da tela adequado para quaisquer atividades e é forte o suficiente para garantir bom uso em ambientes com iluminação reforçada ou em dias ensolarados. Todavia, a superfície reflexiva pode atrapalhar um pouco o uso contra a luz do Sol.

O nível de contraste não surpreende muito, mas garante um colorido balanceado. Assim, as regulagens estão dentro do esperado para uma tela com tecnologia IPS, com uma reprodução de cores muito boa. Como não estamos tratando de um display AMOLED, os tons de preto ficam meio acinzentados, mas a experiência geral é satisfatória.

Meus testes com o Moto G5 foram longos, usei o celular como meu modelo principal por alguns dias. Assim, eu pude perceber que a tela é de boa qualidade para curtir vídeos, jogos e até para navegação. Meu atual smartphone tem tela de 5,4 polegadas, mas a adaptação para o Moto G5 foi rápida e não tive inconvenientes para usar o sistema ou qualquer aplicativo.

Hardware equilibrado

Diferente do Moto G5 Plus, que tem hardware robusto e quase pende para o lado dos top de linha, o Moto G5 continua como um intermediário, com uma configuração que se alinha com a de concorrentes da mesma faixa de preço. As limitações no hardware deste produto são bastante óbvias, já que a fabricante não teria como incluir melhores componentes e manter o produto acessível.

É válido constatar que o hardware do Moto G5 é bem equilibrado. O chipset aqui é o Qualcomm Snapdragon 430, modelo que foi anunciado lá em 2015. Apesar de já ter algum tempo de mercado, ele é poderoso para tarefas rotineiras, dando suporte para telas Full HD com taxas de frames de até 60 fps.

Equipado com processador de oito núcleos, que operam com clock de 1,4 GHz, o Moto G5 entrega muita agilidade na execução das tarefas. Esse chip é rápido o bastante para realizar múltiplas tarefas simultaneamente, bem como para acelerar a execução de ações únicas. A navegação na interface é fluida e a utilização da câmera, por exemplo, é muito impressionante.

A Lenovo equipou o Moto G5 com 2 GB de RAM. A polêmica se repete, mas, conforme já comentamos no review do Moto G5 Plus, a ideia é que ele não concorra com o Moto Z Play, que já é mais avançado. Sim, lá fora existe um Moto G5 com mais memória RAM, porém ele não chegará ao Brasil.

Todavia, é preciso salientar que isso realmente não faz diferença no uso do sistema e de múltiplos aplicativos. O Moto G5 não apresenta qualquer problema de travamento com vários apps abertos. Você pode usar Facebook, WhatsApp, Instagram, YouTube e dezenas de outros ao mesmo tempo; não será preciso fechar nada por uns bons dias.

Uma coisa muito legal é que a Lenovo lançou o G5 no Brasil já com 32 GB de memória de armazenamento, o que representa um passo muito importante na categoria dos intermediários, uma vez que o consumidor pode guardar milhares de fotos e músicas sem se preocupar com espaço. De qualquer forma, para quem baixa muitos filmes, é possível instalar um cartão micro SD.

Para jogos, o Moto G5 vem com o chip gráfico Adreno 505, que é um componente bem forte para rodar jogos em Full HD. Ele é levemente inferior ao Adreno 506, mas os resultados nos games mostraram que ele não deve ser um limitador para quem pretende curtir jogos pesados. Nós rodamos Asphalt Xtreme e Assassin's Creed Pirates e tivemos raros casos de quedas de frames, mas nada que atrapalhasse a jogatina.

Sobre a performance do Moto G5, eu só tenho elogios mesmo. O boot do sistema é bem rápido, os apps abrem com muita velocidade, a troca de um programa para outro é imediata. Os jogos rodam com facilidade e o aparelho não esquenta quase nada. Eu uso outro aparelho da Motorola (com hardware mais poderoso) e posso dizer com propriedade que o Moto G5 é quase tão rápido quanto um top de linha.

Novo Android e leitor de digitais

Como de costume, a Lenovo sempre lança seus aparelhos com as versões mais recentes do sistema Android. Assim, o Moto G5 vem equipado com a versão Nougat, que conta com nova interface, melhorias de segurança, novos efeitos e recurso para divisão de tela com dois apps.

Sobre o Android do Moto G5, eu só tenho elogios, já que não há como botar defeito no sistema puro da Google. Ele atende a todas as necessidades e entrega desempenho incrível, algo que é dificultado por interfaces de terceiros (e que até criticamos em celulares concorrentes). O Android Nougat está muito rápido e prático, mas o recurso de divisão de tela é bem dispensável, ainda mais em uma tela de 5 polegadas.

O novo leitor de digitais do Moto G5 é tão prático quanto o do Plus, pois já vem com as novas funções de navegação. Eu já havia elogiado a funcionalidade na análise do Plus e aproveito a oportunidade para reforçar que essa experiência de interação no sensor é realmente útil no dia a dia.

E não tem segredo mesmo: deslizou para um lado, você abre os programas recentes; deslizou para o outro, você ativa a função voltar; e um toque no sensor leva para a Home. O sensor é rápido para destravar e travar o aparelho, o que deixa muito concorrente com inveja (aliás, existem aparelhos que não fazem o desbloqueio sem um clique antes no botão Power, muito menos travam a interface com o sensor).

Benchmarks - Comparativos de performance

Como de costume, nós realizamos uma série de benchmarks para averiguar o desempenho do hardware dos smartphones. Abaixo, nós comentamos sobre três softwares que usamos como principais referenciais de performance: 3D Mark, AnTuTu Benchmark 6 e Vellamo Mobile Benchmark.

3DMark

Considerado um dos principais aplicativos de benchmark para chips gráficos (tanto em computadores quanto em celulares), o 3D Mark verifica as capacidades para renderização de texturas, polígonos, efeitos e filtros que são comumente utilizados em jogos. Para evitar distorções nos resultados, nós rodamos o Ice Storm Unlimited, que verifica a capacidade do chip gráfico independente da resolução.

AnTuTu

É muito complicado averiguar a performance geral de um celular apenas com base na experiência de uso, uma vez que as configurações de hardware atuais entregam resultados similares. Assim, a utilização de um aplicativo especializado é bastante útil. Nós costumamos usar o AnTuTu para esse tipo de tarefa, uma vez que ele testa interface, CPU, GPU, armazenamento e memória RAM.

Vellamo

Em tempos em que navegação na web se tornou a principal atividade de muitos usuários, um benchmark para averiguar as capacidades dos celulares para tal funcionalidade é de suma importância. Para tanto, nós usamos o app Vellamo Mobile Benchmark, que faz dois testes: HTML5 e Metal. O primeiro avalia o desempenho do navegador; o segundo verifica a performance da CPU para gráficos na web.

Câmeras

A câmera principal do Moto G5 tem sensor de 13 MP, o que significa fotos com alta resolução. Nesse sentido, este aparelho até se destaca diante de alguns concorrentes, incluindo seu irmão maior (o Moto G5 Plus, que vem com sensor de 12 MP), já que garante fotos com boa qualidade.

É claro que o quesito megapixels não define a qualidade da câmera e, para ser honesto, em um comparativo que eu fiz com os dois aparelho simultaneamente, o Moto G5 Plus entregou resultados melhores. Verificando questões como balanço de cores, brilho, saturação e outros, o sensor do Moto G5 Plus é bem melhor.

Agora, deixando o comparativo de lado, não dá para desmerecer os bons resultados do Moto G5. O sistema de foco automático é muito rápido, seja para cliques do tipo macro ou fotos de grandes ambientes. As imagens ficam boas até em fotos noturnas, graças à abertura da lente de 2.0, que permite fotos claras. Novamente, ele perde aqui também para o G5 Plus, mas achamos os resultados bem satisfatórios.

A câmera fronal do Moto G5 tem sensor de 5 MP, o que garante fotos razoáveis para os viciados em selfies. A lente frontal usa abertura de 2.2, o que também é suficiente para ambientes internos e até algumas fotos em locais mais escuros, mas não espere nada grandioso em capturas durante a noite.

Som mediano

É bastante raro um celular que consiga impressionar no quesito áudio — tirando, é claro, modelos como o Moto Z que contam com acessórios para incrementar a qualidade de som. Assim, se você gosta de curtir filmes no celular com o uso do alto-falante, não pode esperar muita qualidade do Moto G5.

Tal qual seu irmão maior, o Moto G5 tem componentes de som bem limitados, e podemos dizer que o áudio dele é apenas razoável. O alto-falante em cima prioriza os agudos. O volume é suficiente para ambientes pequenos e com poucos ruídos, mas não para shoppings, ônibus ou ver um vídeo em galera.

Felizmente, o sistema de som é equilibrado e não chega a apresentar distorções mesmo quando configurado para o nível máximo. É claro que, muitas vezes, a questão da sonoridade depende da fonte do som, mas nem mesmo apps de música e arquivos de alta qualidade vão apresentar grandes resultados, já que o componente tem potência limitada.

Sinceramente, também não adianta esperar muito, nesse sentido, de um celular intermediário, pois a fabricante realmente vai economizar nesse aspecto, já que as pessoas usam mais fones de ouvido. Agora, falando nisso, os fones do Moto G5 não são bons nem confortáveis. Se você vive no mundo da música, eu recomendo comprar algum modelo melhor.

Bateria na medida

Por fim, temos outra questão muito importante: autonomia de bateria. O Moto G5 vem com bateria de de 2.800 mAh, que permite a utilização do aparelho por mais de 24 horas. Obviamente, a duração da bateria depende, essencialmente, do uso do celular; esse tempo só é alcançado para uso moderado, ou seja, para redes sociais, músicas e fotos.

Por padrão, nós realizamos um teste controlado e padronizado para conferir a autonomia da bateria. Nesse processo, nós executamos um vídeo de 1 hora no YouTube, com o WiFi ligado, o brilho da tela regulado em 50% e o som ativado. Ao fim do teste, anotamos a porcentagem de bateria restante e, dessa forma, fazemos um cálculo aproximado da duração da bateria até que ela se esgote para tal tarefa.

O teste com o Moto G5 foi bem surpreendente: pudemos constatar que a bateria tem autonomia total de 9 horas para reprodução de vídeo na internet. Agora, se você vai jogar, pode ser que esse tempo reduza um pouco para 7 ou 8 horas, dependendo do game. Vale notar que o Moto G5 ainda vem com carregador rápido de 10 watts, que dá horas de bateria em poucos minutos.

Eu estou habituado com um smartphone que tem bateria de maior capacidade e uma autonomia bem maior, mas achei que os resultados do Moto G5 foram muito bons para um modelo intermediário. Acredito que este modelo esteja entre os melhores da categoria e entregue uma experiência satisfatória mesmo para quem usa bastante a internet.

Vale a pena?

Claramente, a Lenovo fez um progresso considerável na nova geração da linha Moto G. O modelo Plus já havia nos impressionado e o Moto G5 não deixou por menos, sendo um aparelho bem completo e atraente para quem pensa na questão custo-benefício. Conforme comentei, a repaginada no visual faz bastante sentido e garante novo fôlego para o aparelho que pretende continuar como um campeão de vendas na categoria.

O hardware, apesar de modesto, não deixou nada a desejar e se mostrou muito competente para o dia a dia. Além disso, eu não tenho qualquer reclamação sobre a "limitação" de 2 GB de memória RAM. Ele rodou tranquilamente os jogos e apps, sendo que mais memória apenas serviria para não precisar fechar os apps com maior frequência. Existem modelos similares com mais memória, mas esse fator não é um contra do Moto G5.

Aos interessados em um novo intermediário, posso dizer que a experiência com o Moto G5 foi muito satisfatória e não deixou quase nada a desejar, também graças ao conjunto, que entrega excelente performance. Particularmente, eu não sou fã de telas menores, mas a diminuição aqui não me pareceu um problema, já que ela não atrapalha em nada a usabilidade do produto.

No todo, o Moto G5 é um passo na direção certa, ainda mais com o novo leitor de digitais, os 32 GB para armazenamento e o Android atualizado. Na minha opinião, o maior defeito do aparelho é a falta da proteção Gorilla Glass, pois riscos podem aparecer com facilidade e a falta de uma película e uma capinha pode gerar sérios danos em casos de quedas acidentais.

Agora, se tudo isso não te convenceu, certamente o custo vai chamar a sua atenção. O Motorola Moto G5 chegou ao Brasil com preço oficial estabelecido em 999 reais! É isso mesmo, é um valor bem adequado para a proposta do produto, sendo que já há várias promoções com quase 100 reais de desconto. Se você quer muito um intermediário com bom desempenho, vai de Moto G5, que não tem erro. Parabéns para a Lenovo, que acertou na proposta!

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