O monitor desenvolve papel fundamental em nossos computadores, afinal sem tal elemento não temos acesso à interface do sistema ou a qualquer recurso que seja acessível exclusivamente através da parte gráfica.

A maioria das pessoas não liga muito para este componente fundamental no computador. No geral, basta que ele exiba imagem com qualidade (com um equilíbrio razoável entre brilho, contraste e saturação) para que o consumidor fique satisfeito.

Todavia, há uma parcela do público que é mais exigente. É claro que estamos falando dos entusiastas e gamers. Para essas pessoas, um monitor deve oferecer mais do que o básico, sendo um componente capaz de propiciar o melhor resultado possível em aplicativos e jogos que trabalham com taxas de atualização mais elevadas.

Problemas diversos acontecem quando o display não é capaz de acompanhar o conteúdo que deve ser reproduzido (bem como pode acontecer o inverso). A falta de sincronia entre a placa de vídeo e o monitor é um problema que normalmente pode ser ajustado com recursos como o V-Sync e tecnologias como a G-SYNC da NVIDIA.

Entretanto, há um pequeno inconveniente que não é facilmente ajustado e que acaba incomodando os jogadores mais exigentes. Durante a jogatina em títulos que reproduzem uma grande quantidade de frames por segundo (fps), é muito comum que os monitores acabem mostrando o Motion Blur.

Você deve conhecer o Motion Blur de outros lugares, como na fotografia, onde vemos o “borrão do movimento”. Em alguns casos, esse elemento é utilizado propositalmente, mas no caso dos monitores ele aparece de forma inconveniente e não é facilmente corrigido. Entretanto, há uma tecnologia que promete solucionar tal problema. Hoje, vamos falar do LightBoost.

Como funciona?

Essa tecnologia apareceu pela primeira vez no kit 3D Vision da NVIDIA. Trata-se de uma ferramenta que funciona com o uso de retroiluminação estroboscópica. Pelo nome parece coisa de outro mundo, mas decompondo as palavras você pode entender que é um sistema de iluminação pulsante (como ocorre nos estroboscópios) posicionado atrás do monitor.

A iluminação estroboscópica serve para eliminar o rastro de movimento (Motion Blur) nos monitores com tecnologia LCD — o que vale para os modelos LED, já que eles também usam a tecnologia LCD. Diversos modelos com taxa de atualização de 120 Hz trazem um sistema de atualização que usa esse tipo de iluminação.

Basicamente, a retroiluminação é desligada enquanto o display aguarda pela transição entre um pixel e outro (isso ocorre em milésimos de segundos, ainda mais quando tratamos de um jogo que roda a 120 frames por segundo) e ligada novamente quando os quadros estão totalmente formados.

A luz estroboscópica geralmente é ainda mais veloz do que a transição entre pixels, o que garante a eliminação do efeito Motion Blur, já que os pixels são rapidamente eliminados, evitando a criação de um borrão temporário.

A LightBoost da NVIDIA, na verdade, é um pouco diferente, já que ela foi projetada tendo as imagens tridimensionais como foco, mas isso não quer dizer que essa tecnologia só funcione para conteúdos 3D. Há formas de habilitá-la para gráficos 2D, sendo totalmente dispensável o uso dos óculos da fabricante de placas de vídeo. No vídeo abaixo, você pode conferir a diferença (em câmera lenta) entre um monitor comum e outro com LightBoost:

Além da eliminação do Motion Blur, essa funcionalidade deixa os vídeos mais fluidos do que outras tecnologias que apenas sincronizam os gráficos com a taxa de atualização de 120 ou 144 Hz. No fundo, isso acaba sendo benéfico para o jogador, que pode reagir de forma mais rápida e ter uma experiência mais satisfatória.

É evidente que, como qualquer outra tecnologia, essa também tem suas vantagens e desvantagens. Ao arrumar um problema, a tecnologia LightBoost acaba criando outros. Alguns dos principais inconvenientes são a redução no nível de brilho e a degradação na qualidade das cores. Ela também requisita mais poder de processamento da GPU.

O que eu preciso para usar a LightBoost?

A primeira dúvida que você possivelmente deve ter diz respeito aos requisitos de hardware. Bom, nesse sentido, a tecnologia LightBoost é extremamente restritiva, o que significa que pouquíssimos jogadores podem desfrutar desse benefício.

Para poder utilizar essa funcionalidade, seu monitor precisa ser devidamente desenvolvido para a tecnologia, ou seja, ele precisa ter uma série de componentes eletrônicos que garantem o funcionamento do LightBoost. Veja abaixo quais são os modelos compatíveis:

  • ASUS: VG248QE, VG278H, VG278HE
  • BENQ: XL2411T, XL2420T, XL2420TX, XL2420TE, XL2720T
  • Acer: HN274HBbmiiid
  • Samsung: alguns modelos de 120 Hz trazem suporte a tecnologias similares

Quanto aos requisitos de hardware, é importante comentar que, apesar de a LightBoost ser desenvolvida pela NVIDIA, essa funcionalidade pode ser aproveitada tanto com chips gráficos GeForce quanto modelos Radeon.

Conforme indica o site BlurBusters, o LightBoost pode ser ativado facilmente com o uso do programa ToastyX StrobeLight, o qual permite ligar ou desligar a função com um simples atalho. Como se trata de um programa que não é proprietário da NVIDIA, ele acaba garantindo que a funcionalidade opere sem grandes problemas nas placas da AMD. Confira as placas compatíveis:

  • NVIDIA GeForce GTX 680
  • NVIDIA GeForce GTX 780
  • NVIDIA GeForce GTX 780 Ti
  • NVIDIA GeForce TITAN
  • AMD Radeon equivalente ou superior aos modelos supracitados

É importante deixar claro que essa tecnologia depende apenas das capacidades da placa de vídeo (modelos muito antigos certamente não poderão aproveitar essa vantagem) e do monitor, portanto ela pode ser utilizada em qualquer jogo. Basta ativar a ferramenta ToastyX StrobeLight e aproveitar a qualidade visual notável.

Será que vale a pena?

Nós não testamos a tecnologia LightBoost para dar a certeza de que ela é uma divisora de águas, portanto não podemos dizer se vale a pena ou não usar essa funcionalidade — e, mesmo que tivéssemos analisado um produto compatível, a resposta para tal questão ainda dependeria das suas necessidades.

Entretanto, considerando apenas as questões de investimento em hardware (os monitores e as placas de vídeo para esse tipo de tecnologia têm preços elevados) e os contras apontados pelos sites especialistas, podemos dizer que é ela é bem restrita a jogadores mais exigentes.

Uma coisa que dá para colocar em pauta aqui é a questão do V-Sync ativado em conjunto com o LightBoost. Muitos jogadores usam essa função para garantir que o jogo esteja sempre sincronizado e rodando com fluidez. Ocorre que, para usar as duas funcionalidades simultaneamente, você precisa de uma placa gráfica capaz de rodar jogos a 120 fps fixos.

Se considerarmos a resolução Full HD, por exemplo, uma configuração capaz de manter esse desempenho acaba custando muito caro. De qualquer forma, para os endinheirados de plantão, essa tecnologia vem para agregar e pode ser uma boa ideia. Você já experimentou o LightBoost? Pretende investir nesta funcionalidade?

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