A Boeing está no olho do furacão da aviação mundial no momento. Desde a queda do voo 302, da Ethiopian Airlines, no dia 10 de março, onde todas as 157 pessoas a bordo morreram, mais de 300 aeronaves 737 Max 8 foram tiradas de circulação.

Nesta quinta-feira (04), em um relatório preliminar sobre a queda do voo 302, os investigadores afirmaram que os pilotos tomaram todas as providências recomendadas pela Boeing e pela Agência Reguladora de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) em casos de emergência, mas, mesmo assim, não conseguiram evitar que o avião mergulhasse em direção ao solo. A possibilidade de o avião ter sido fisicamente danificado foi descartada.

A declaração é grave ao sugerir que o desastre foi mesmo causado por falha do software que controla o sistema de sustentação dos aviões.

Para controlar a inclinação da aeronave, o sistema de sustentação considerava os dados enviados por apenas um sensor de inclinação. Se este sensor enviasse uma leitura incorreta, o sistema de sustentação já entrava em ação, forçando o nariz do jato para baixo ao supor que ele estava inclinado para cima. Pior que a falha em si, é o fato do sistema se sustentação não se permitir desligar para que os pilotos controlassem a inclinação da aeronave manualmente.

Fonte: Reuters

Essa mesma falha foi citada como possível causa da queda de outro 737 Max, o Lion Air Flight 610, em 29 de outubro de 2018, que vitimou 189 pessoas.

A Boeing já anunciou uma atualização do software do controlador de voo do 737 Max 8, mas parece que haverá atrasos em sua aprovação. Além da atualização, há um novo treinamento para os pilotos para ser avaliado e aprovado, tanto pela FAA quanto pelas agências de aviação em cada país.

Em Washington, legisladores e promotores estão tentando comprovar se houve alguma irregularidade na aprovação e certificação do software do 737 Max por parte da FAA.

O relatório completo sobre o acidente do voo 302 da Ethiopian Airlines será revelado daqui a aproximadamente um ano.