Uma das falhas apontadas por taxistas e outros críticos aos serviços de compartilhamento de carona é a segurança. Esse tipo de problematização cita, por exemplo, a desconfiança do passageiro sobre quem é a pessoa que está por trás do volante, e casos de violência e abusos sexuais envolvendo motoristas de serviços como Uber são infelizmente comuns.

Agora, uma nova acusação sobre a empresa mais famosa do setor envolve a companhia contratada por ela para realizar a verificação de antecedentes criminais de candidatos a motoristas nos Estados Unidos. Esse processo é feito lá pela companhia Checkr, acusada de deixar de passar 25 candidatos com “ficha suja” desde 2015 em Los Angeles e San Francisco.

A atitude relapsa da companhia consta em um processo civil movido contra a Uber, que estaria negligenciando a segurança de seus clientes. Todo esse cenário coloca em xeque todo o processo de verificação mantido pela empresa, indica reportagem do site CNET.

Economia da Uber na hora de verificar antecedentes criminais de motoristas colocaria passageiros em risco, diz site

Enquanto o processo para se tornar um taxista é muito mais burocrático e caro, a Uber demanda apenas que uma pessoa seja adulta, habilitada e que seu veículo tenha seguro, quatro portas e menos de 10 anos de fabricação. A fase de verificação da Uber realizada pela Checkr sequer coleta as impressões digitais dos candidatos, o que provavelmente colabora para falhas na busca por antecedentes criminais.

Por outro lado, os candidatos a taxistas no país são obrigados a passarem pelo processo do Live Scan, um sistema muito mais preciso e eficaz de avaliação de antecedentes. O “problema” é que ele custa US$ 50 por pessoa mais os custos com envios, enquanto o Checkr faz o seu serviço com custos variando entre US$ 5 e US$ 20 na maioria dos estados — em Nova York, regras mais restritivas elevam este preço para US$ 60 por pessoa.

Em suma, a acusação é de que a Uber estaria trocando a segurança de seus passageiros pela economia de algumas dezenas de dólares.

Mais agilidade

Em julho, a Uber informou que passaria a usar um novo sistema de avaliação em tempo real de antecedentes a fim de remover da plataforma motoristas acusados ou condenados de delitos graves, crimes violentos e agressões sexuais. A ideia do programa Axios é tanto ser mais ágil para evitar problemas quanto para devolver à plataforma pessoas que foram inocentadas na Justiça.

E no Brasil?

Todos esses processos, entretanto, dizem respeito à Uber nos Estados Unidos. O TecMundo entrou em contato com a Uber Brasil para saber mais a respeito do processo de verificação de antecedentes no país. Em nota, a companhia afirmou que o processo, aqui, é realizado por outra companhia especializada, com verificação em diversos banco de dados a fim de garantir maior segurança aos clientes.

Confira a nota na íntegra:

Os motoristas parceiros cadastrados na Uber passam por uma checagem de antecedentes criminais realizada por empresa especializada que consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o País em busca de registros de crimes ou infrações que possam ter sido cometidas.

[Atualizado às 18h34 de 31/8 para incluir a nota da Uber Brasil sobre o caso]