Certamente não faltará quem diga, ao se deparar com Identity, que talvez não haja sentido em entrar em um jogo simplesmente para levar para um ambiente online a mesma labuta do dia a dia — sem magias, sem criaturas antropomórficas, sem masmorras superlotadas de criaturas absurdas.

Mesmo a estes, entretanto, deve ser difícil disfarçar certo interesse ao se deparar com a nova proposta da Asylum Entertainment — além do que, cá entre nós, talvez você não tenha, aqui fora, a mesma mobilidade social que é prometida pela desenvolvedora... De forma que a ideia de um jogo, de um MMORPG digno do título, ainda deve ser bastante válida. Mesmo que, em vez de uma espada +10, você possa batalhar por um caminhão para ganhar o próprio sustento.

Ademais, o sucesso da proposta no Kickstarter mostra que, de fato, há um número grande de interessados. Embora não tenha sido nenhuma das tradicionais exorbitâncias encontradas na plataforma, a equipe passou com folga dos US$ 150 mil pretendidos, garantindo, de acordo com a promessas na página, que o produto final seja lançado mais rapidamente e também com mais atenção aos detalhes.

O cotidiano em ambiente online

Aliás, detalhes. Quando se fala de simulação de um cotidiano em Identity, isso realmente deve ser entendido em sentido estrito. Em outras palavras, embora existam restrições aqui que tradicionalmente não são encontradas em títulos online de massas (você não poderá sair voando e nem vai conseguir disparar raios com os punhos), há também um detalhamento e uma finesse que devem ser praticamente inéditos no nicho.

Em primeiro lugar, nada aqui é dado. Caso queira levar uma boa vida na região fictícia dos EUA recriada pela Asylum Entertainment, você precisará arrumar algo para fazer. Mas, sem problemas, há inúmeras opções, todas com graus variados de investimento, retorno, comprometimento... E legalidade.

Trabalhe, ganhe dinheiro e tente se virar

De acordo com a proposta da Asylum Entertainment, Identity deve colocá-lo no que poderia ser facilmente confundido com várias cidades ocidentais típicas. Uma vez ali, entretanto, em vez de simplesmente admirar a paisagem — com regiões tanto urbanas quanto campestres —, você terá que dar um jeito de ganhar a vida.

Basicamente, é possível fazer isso de duas formas. Tanto há em Identity carreiras por meio das quais um avatar esforçado pode se desenvolver (e ganhar cada vez mais dinheiro) quanto há trabalhos rápidos; “bicos” que podem ajudar a levantar algum dinheiro rápido para continuar tocando a vida.

Universo virtual construído por pessoas reais

As possibilidades para essas duas formas de ganhar a vida, entretanto, devem existir às dezenas no universo de Identity — tanto por vias legais quanto por meios moralmente condenáveis. Dessa forma, o game permitirá que você assuma carreiras como policial, como traficante, como caminhoneiro, como comerciante etc.

E o mais interessante? Todo o universo de Identity deve ser construído e constantemente remoldado por seres humanos — por pessoas de carne e ossos, cada qual ajudando a compor a sociedade virtual do game. Caso o seu personagem se junte com outros para roubar um banco, por exemplo, é certeza que os policiais que vão persegui-los serão todos controlados por outros jogadores.

Cada uma das carreiras disponíveis inclui ainda seus próprios planos de desenvolvimento profissional. Sem grandes segredos aqui: é exatamente o que se vê no mundo real — trabalhe bem ou agrade as pessoas certas para conseguir galgar estratos sociais e financeiros.

Sem fases ou árvores de habilidades

Ademais, ao criar semelhante interação, a ideia da Asylum Games é que você não tenha a impressão de que simplesmente joga o mesmo jogo de novo, e de novo, e de novo. “Aqui se foram todas as restrições que poderiam mantê-lo distante do conteúdo que você gostaria de jogar”, consta na descrição do game no Kickstarter.

“Em vez de níveis e habilidades de personagem ditando o que você pode fazer, Identity foca nas suas ações, construindo um personagem no entorno do que você acha divertido.” Em outras palavras, em vez do seu avatar dentro do jogo, serão as suas habilidades próprias que determinarão o sucesso dentro da sociedade do jogo.

“Como um cidadão, você poderá abrir negócios, juntar-se a gangues para controlar territórios, ser proprietário de uma imobiliária ou mesmo se tornar governador e ditar as próprias regras.” De acordo com a desenvolvedora, a utilização de I. A. (inteligência artificial) dentro do MMORPG deve ser mínima. “Idendity trata de diversão, liberdade, interação social e tanta coisa para fazer que você jamais se sentirá entediado.”

Um mundo dinâmico

Conforme já mencionado, Identity baseia seu conceito de MMORPG em uma região fictícia dos EUA. E há de um tudo aqui. Além de centros urbanos com comércio, entretenimento e serviços variados, o mundo do game também inclui várias áreas rurais, onde é possível, por exemplo, costruir uma fazenda — de onde sairão os víveres que abastecerão a cidade, garantindo ainda o sustento do proprietário.

Além de variado, entretanto, o mundo de Identity deve ser também bastante dinâmico. Dessa forma, esqueça aquela ideia de um mundo enorme que é eternamente o mesmo em cada canto, em cada construção. Os locais aqui se alteram sob a pressão humana, com pontos construídos, destruídos e remodelados — de maneira que, ao menos em determinado servidor, as coisas devem seguir em um processo constante de transformação.

Minha casa, minha jogada

Caso você adquira uma casa na fazenda, por exemplo, tanto será possível mantê-la inalterada (“rústica”, alguém poderia dizer) quando conduzir sobre a casa e sobre o terreno reformas e melhorias. Ademais, a Asylum Entertainment também garante que essas construções serão únicas no universo do jogo... De maneira que mais ninguém terá a sua casa em determinado servidor.

“Toda e qualquer casa dentro do mundo de Identity pode ser comprada pelo jogador”, consta no referido texto. Naturalmente, há um preço pela exclusividade e, para os demais, um bom apartamento (ou um cubículo) deve ser a solução — já que não deve haver limite para esse tipo de moradia.

Mobiliário totalmente funcional

Uma vez adquirido o seu canto, chega a hora de preenchê-lo da forma que lhe pareça melhor. Entretanto, em vez de simplesmente comprar geladeiras, TVs e computadores para compor o ambiente da casa, Identity pretende que você possa, de fato, utilizar essas coisas todas.

Portanto, assistir a um filme na sua novíssima televisão realmente envolve a tarefa — um filme realmente será exibido integralmente. O mesmo vale para as comidas da geladeira, para os computadores (em que deve ser possível até mesmo instalar programas) e demais peças de mobília.

Itens, ambientes e avatares personalizáveis

Caso a personalização lhe pareça mais atraente, entretanto, também é possível espalhar suas próprias criações artísticas pela casa — digamos, aquela sua belíssima criação em óleo sobre tela que — quem sabe? — pode valer milhões em alguns anos.

A despeito da decoração da sua própria moradia, entretanto, Identity também possibilitará a forja de itens variados para venda em lojas. Nisso se incluem tanto as referidas obras de arte quanto peças de vestuário personalizadas, joias e acessórios variados. O resultado não apenas deve garantir o “ganha pão” dos jogadores como também deve tornar o ambiente social do jogo muito mais personalizado.

Voz sobre IP (e com karaokê)

Dada a natureza essencialmente social da experiência de qualquer MMORPG — e de Identity, em particular —, obviamente a criação da Asylum Entertainment terá a comunicação como um de seus focos. Entretanto, a desenvolvedora não imagina seus cidadãos virtuais esfacelando teclados durante um bom papo.

“Por que os MMORPGs ainda utilizam velhas tecnologias?”, pergunta retoricamente a equipe responsável pelo game. “Embora a opção de se comunicar por texto deva sempre estar presente, Identity traz [a tecnologia] de voz sobre IP como seu carro chefe, permitindo que você realmente converse por meio do seu personagem.”

Longe de ser apenas aquelas frases soltas ditas em sessões multiplayer, entretanto, as conversas no game da Asylum serão intimamente atreladas ao avatar dentro do jogo. Dessa forma, espere que o seu representante online realmente mova os lábios enquanto fala em seu nome (embora certo ceticismo torne inevitável algum questionamento sobre a precisão dessa funcionalidade no jogo final).

Mas as utilizações devem ir além do papo-furado eventual com concidadãos. Na verdade, seu avatar também poderá utilizar telefones, megafones, transmissores de rádio e microfones — sim, incluindo a possibilidade de encarar uma embaraçosa sessão de karaokê no estabelecimento mais próximo.

Veículos e formas de transporte

De acordo com os desenvolvedores, o mundo virtual de Identity deve ser suficientemente grande para que você considere fortemente alguma ferramenta de locomoção. “Os veículos vão do comum e barato, como a bicicleta, aos supercarros luxuosos e aos iates — para aqueles entre vocês que conseguirem construir impérios.”

A Asylum Entertainment também fala em carros com reações físicas e visuais “meticulosamente realistas”. Além de cobrir a necessidade do próprio transporte, entretanto, alguns veículos também trazem formas de investimento. Um caminhão, por exemplo, pode transportar itens variados (legais ou ilegais) por um preço — valor que deve cobrir o risco de assaltos na estrada... Com bandidos igualmente controlados por jogadores de carne e ossos.

Armas “tão reais quanto possível”

A mesma promessa feita pela Asylum para os veículos também vale para as armas dentro do universo do jogo. “(...) As armas em Identity são feitas para se assemelhar e funcionar da forma mais próxima possível com suas versões reais, em que se inclui o dano que podem causar.”

A observação também vale para o acesso. Caso não pertença ao corpo policial da cidade, por exemplo, você provavelmente terá dificuldades para conseguir uma arma — desafio tanto maior quanto mais destrutivo for o armamento almejado. Entretanto, sempre há contrabandistas dispostos a negociar armas pesadas por um bom preço.

Atualizações frequentes

É verdade que não muito foi revelado de Identity até o momento — de forma que, neste momento, não há muito mais do que o discurso visionário da Asylum. Entretanto, uma vez que o jogo seja concluído e lançado, a desenvolvedora promete novas atualizações de tempos em tempos. E isso tanto para corrigir erros quanto para expandir a experiência do título.

“Sendo um Identity um MMORPG, será necessário, como em nenhum outro jogo, que nós mantenhamos atualizações constantes com novos conteúdos e funcionalidades ao longo dos anos.” O estúdio garante que o foco não será fazer dinheiro com novas expansões, mas apenas pequenos acréscimos em intervalos regulares. “Vocês terão novos brinquedos e atualizações praticamente uma vez por semana, de forma que sempre haverá novo para alimentar as expectativas.”

Quanto desse discurso efetivamente será transformado em linhas de código, polígonos virtuais, texturas e rotinas variadas? Difícil dizer, sobretudo quando se considera o nível de elaboração sugerido pelo estúdio. Entretanto, não há porque não empurrar algumas fichas para o centro da mesa — acreditando que, talvez, possa estar aí o novo fôlego para um gênero que anda um tanto cansado há algum tempo.

Identity deve ganhar versões para PC e Mac. Ainda não há uma data prevista para o lançamento.

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