O futebol de várzea é uma das expressões mais autênticas da paixão brasileira pelo esporte. Agora, essa cultura popular ganhará destaque nacional com Várzea: Onde Nasce o Futebol, nova série documental da Netflix que estreia em 20 de junho.
A produção mergulha nos bastidores dos campeonatos amadores, dos personagens que movimentam os bairros e das histórias que ajudaram a moldar o futebol brasileiro. Para quem quer chegar preparado ao lançamento, vale entender melhor como surgiu e por que a várzea continua tão importante.
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Se você já ouviu falar dos famosos "terrões" ou conhece algum time do seu bairro, provavelmente já teve contato com esse universo. Enquanto a crítica completa da série já está disponível no Minha Série, reunimos algumas curiosidades para entender a dimensão desse fenômeno que vai muito além das quatro linhas.
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1. A várzea existe há mais de 120 anos e ajudou a popularizar o futebol no Brasil
Embora o futebol tenha chegado ao Brasil no final do século XIX, a prática da modalidade em campos improvisados começou praticamente ao mesmo tempo. Segundo pesquisadores ouvidos pela revista Pesquisa FAPESP e pelo Museu do Futebol, uma das primeiras partidas registradas aconteceu em 1895, na região da Várzea do Carmo, em São Paulo, em um jogo promovido por Charles Miller.
O nome "futebol de várzea" surgiu porque muitos desses campos ficavam em áreas próximas a rios, como o Tietê e o Pinheiros. Quando os terrenos secavam após períodos de cheia, moradores aproveitavam os espaços para organizar partidas e competições de forma espontânea.
Durante as primeiras décadas do século XX, a várzea se tornou um espaço de inclusão para operários, imigrantes, trabalhadores e populações negras que muitas vezes não encontravam espaço nos clubes mais elitizados. Mais do que um esporte, ela ajudou a construir laços comunitários e serviu como ferramenta de ocupação e transformação dos bairros.
2. Existem mais de 3 mil times cadastrados e até torneios femininos
A dimensão da várzea impressiona até quem acompanha futebol regularmente. Apenas na Grande São Paulo, a Federação Paulista de Futebol de Várzea reúne mais de 3 mil equipes cadastradas e mais de 400 campos vinculados às competições.
Para muitos moradores da periferia, o time do bairro desperta uma identificação tão forte quanto os grandes clubes profissionais. Essa ligação acontece porque os atletas, dirigentes e torcedores fazem parte da mesma comunidade, criando uma sensação de pertencimento difícil de reproduzir no futebol de elite.
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O futebol feminino também tem uma presença histórica na modalidade. A Copa da Rainha, por exemplo, tornou-se uma das maiores competições femininas de várzea do mundo, enquanto centenas de equipes femininas seguem ativas em São Paulo, mesmo diante de desafios financeiros que afetam parte dos torneios.
3. Muitos jogadores conciliam a bola com outras profissões
Uma das maiores diferenças entre a várzea e o futebol profissional está na rotina dos atletas. A maioria dos jogadores precisa trabalhar em outras áreas para garantir renda e sustento durante a semana.
Segundo o produtor executivo Felipe Britto, essa realidade faz parte da essência da modalidade. “Eles dependem desses outros trabalhos para sobreviver”, explica o executivo ao comentar a realidade de boa parte dos atletas amadores.
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Em muitos casos, os jogadores atuam por mais de uma equipe ou participam de diferentes campeonatos simultaneamente. A várzea também conta com disputas para diversas faixas etárias, desde categorias de base até competições master voltadas para veteranos.
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4. A várzea sustenta muito mais gente do que apenas os jogadores
Os campeonatos movimentam uma verdadeira economia local. Além dos atletas, a modalidade gera renda para ambulantes, cozinheiros, organizadores de eventos, lavadeiras de uniformes e diversas outras pessoas que dependem dos jogos.
Felipe Britto destaca que o impacto social vai muito além do campo. “É um ecossistema que depende muito da várzea, então a comunidade toda se ajuda muito. É uma entrega grande de todos, porque é muito importante para eles que o time continue, para que continue havendo jogos. É uma forma de sustento da comunidade”, afirma.
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Nos últimos anos, grandes empresas também passaram a enxergar o potencial econômico da modalidade. Competições patrocinadas por marcas privadas atraem milhares de torcedores, distribuem premiações relevantes e ajudam a profissionalizar parte da estrutura dos campeonatos.
5. Raphinha, Cafu e Endrick são alguns dos craques revelados na várzea
Muito antes de chegarem aos maiores estádios do mundo, diversos jogadores famosos deram seus primeiros passos nos campos de terra dos bairros onde cresceram. Um dos exemplos mais conhecidos atualmente é Raphinha, que começou sua trajetória na várzea de Porto Alegre.
O diretor Alec Cutter revelou que uma das entrevistas mais marcantes da série foi justamente com o atacante brasileiro. “Foi muito legal ouvir o Raphinha falando sobre essa comunidade e o carinho que tem por esses times”, contou o cineasta sobre a conversa realizada na casa do jogador, na Espanha.
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Outro personagem importante do documentário é Cafu, que nunca escondeu suas origens na várzea. O ex-lateral eternizou essa ligação ao comemorar o pentacampeonato mundial vestindo uma camisa com a frase “100% Jardim Irene”.
A lista de estrelas formadas nos campos amadores também inclui Endrick, que teve contato com a várzea ainda na infância ao lado do pai, Douglas Ramos. Histórias como essas ajudam a explicar por que os campeonatos de bairro continuam sendo vistos como um dos maiores celeiros de talentos do futebol brasileiro.
Várzea: Onde Nasce o Futebol chega na Netflix em 20 de junho, sábado. E aí, você vai assistir? Comente nas redes sociais do Minha Série!
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