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Backrooms tem potencial perdido, mas imersão vale o filme

Crítica — Backrooms transforma a famosa creepypasta em um terror intrigante, mas tímido diante do próprio potencial.

Avatar do(a) autor(a): Diana Pordeus

schedule27/05/2026, às 07:00

Um conceito tão amplo, com espaço para criar praticamente tudo que a imaginação permitir, pode acabar sendo mais limitante do que facilitador. No caso de Backrooms, o longa-metragem de terror da A24, o roteirista Will Soodik tinha muitas opções de cenários para incluir nas famosas salas amarelas, mas será que ele deu conta dessa responsabilidade?

O roteirista não estava sozinho nessa missão: o diretor do projeto é também o maior entusiasta dos backrooms. O diretor Kane Pearsons, de 20 anos, durante a pandemia, usou Blender e After Effects para criar um curta-metragem que já soma 216 milhões de visualizações no YouTube, transformando o que começou como uma creepypasta em um projeto muito mais ambicioso. O Minha Série já assistiu ao filme Backrooms: Um Não-Lugar e você pode conferir a crítica abaixo.

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Premissa interessante acompanhada pela narrativa

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Renate Reinsve interpreta Mary.

Se você gosta de explorar todas as crenças que cercam os backrooms, esse filme é para você. Um ponto forte do filme é que você nunca sabe para onde ele vai. Essa imprevisibilidade das salas amarelas consegue ser bem transportada para os ambientes externos também. Por mais que Clark (Chiwetel Ejiofor) seja o “guia principal” que nos leva aos backrooms, a narrativa de Mary (Renate Reinsve) é a mais interessante.

Explorar os espaços onde você nunca sabe o que pode aparecer, nem onde, nem quando, provoca a sensação de um escape room aterrorizante que a lenda pede. Os paralelos apresentados desde o começo por Mary ajudam a manter a curiosidade mesmo quando os personagens estão fora das salas bizarras. Clark funciona como fio condutor, mas é o complemento de Mary que deixa tudo mais profundo.

Além disso, o público acompanha os personagens na descoberta do que está acontecendo. Na maior parte do tempo você sabe tanto quanto eles, e isso auxilia no processo de imersão desse universo.

Apostas certeiras no absurdo, mas não o suficiente

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O filme poderia ousar mais dentro das salas.

O que poderia ser sua maior força, acaba sendo sua fraqueza. Isso porque todo o desconhecido dos backrooms oferece inúmeras possibilidades da história trazer absurdos para a tela, mas isso acontece com menos frequência que o esperado. A questão é que, aqui, pouca coisa seria nonsense demais. Essa é a beleza desta lenda urbana.

Apesar de explorar um pouco nesse sentido, a obra tinha um potencial de realmente surpreender o público com a força das analogias de Mary e imagens e sons dignos de pesadelos surreais. Em muitos momentos, a trilha instiga que algo vai acontecer, mas na maior parte do tempo isso resulta apenas em uma expectativa frustrada.

Direção de fotografia segura

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Muitas oportunidades de planos perdidas.

Similar ao ponto anterior, aqui também parece que faltou ambição. Apesar de existirem momentos interessantes na fotografia, como uma simulação da câmera na mão que te leva para dentro da cena e um plano que explora as cadeiras no cenário (paro aqui para não dar spoilers), ainda falta ousadia nessa direção.

Mesmo que a intenção tenha sido manter os planos estáticos similares aos presentes na história da lenda urbana, toda a proposta de fazer um filme para cinema com a A24 me faz acreditar que o Kane possuía licença poética para ir além e aproveitar todo o conhecimento tecnológico e criatividade que já provou ter.

Vale a pena assistir Backrooms: Um Não-Lugar?

O filme de Kane Pearsons está longe de ser ruim, mas parece uma introdução a um universo com muito potencial. Mesmo que tenha uma sequência (que não foi mencionada em momento algum até agora), o filme ainda poderia ter ousado mais e explorado visual e sonoramente o desconhecido infinito da lenda urbana. Mesmo com barulhos estranhos e cenas desconfortáveis, Backrooms poderia ter ido ainda mais além.

Com filmes atuais que abusam do absurdo mesmo sem necessidade, essa era uma oportunidade para realmente desafiar a imaginação do espectador e provocar o desconforto característico do vale da estranheza até o seu limite. Infelizmente, não foi dessa vez. Ainda assim, mesmo que consista majoritariamente por salas amarelas, esse é um filme que vale a pena ver no cinema. Aproveite desse escape room em formato de filme e descubra os backrooms por si mesmo.
 

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