O Predador: A Caçada (Prey) é um bom filme mesmo? (Análise e crítica)

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Já vou começar dizendo que, se você é fã da franquia O Predador e meio que já tinha desistido dela depois do lançamento do mediano O Predador, filme de 2018, não desanime, pois ainda há esperança!

E essa luz no fim do túnel começou recentemente, com o lançamento de O Predador: A Caçada (Prey), quinto filme da franquia e que estreou em julho de 2022 diretamente no Hulu, nos Estados Unidos, e no Star+, no Brasil.

Pois é, Prey não apenas faz justiça à franquia e se apresenta como o melhor filme da série desde o original, lançado em 1987, como nos mostra que ainda há, sim, boas histórias para serem exploradas dentro do universo de O Predador.

Neste vídeo/texto, portanto, faço uma análise narrativa e crítica completa de O Predador: A Caçada e conto tudo sobre esse baita lançamento de 2022!

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O que é O Predador: A Caçada? (SEM SPOILERS)

Sem mais delongas, vamos começar a falar de O Predador: A Caçada, novo filme dessa franquia icônica do cinema, que foi dirigido por Dan Trachtenberg e roteirizado por Patrick Aison.

Para quem não sabe, a obra não foi para o cinema, mas, sim, lançada diretamente no streaming. Mas isso não impediu que Prey fizesse um sucesso bem grande entre os fãs e críticos. Muito pelo contrário.

De acordo com o próprio Hulu, que é um dos serviços de streaming da Disney e a plataforma na qual o filme estreou nos Estados Unidos, O Predador: A Caçada foi o maior lançamento da história do canal em termos de audiência.

E, apesar de a Disney não liberar o número exato de quantas pessoas assistiram o longa desde sua chegada, dá para imaginar, obviamente, que o evento foi algo bem acima da média e até do esperado.

Isso, claro, se estende também aqui para o Brasil, já que o filme estreou na mesma data em terras verde e amarelas, só que no Star+, outro serviço de streaming da Disney e lar de produções do Hulu.

Todavia, mais do que apenas apresentar bons números de audiência, O Predador: A Caçada também parece ter agradado bastante os fãs da franquia, que são bem exigentes.

Então, a pergunta que fica é: será que Prey é tudo isso mesmo, hein?

Bem, antes de eu te contar o que eu achei do filme e fazer aquela famosa análise narrativa e crítica, vamos responder àquela perguntinha básica: Jean, o que é esse tal de O Predador: A Caçada, afinal de contas?

Trama de O Predador: A Caçada (Prey)

Pois bem, O Predador: A Caçada se passa no comecinho dos anos 1700, em 1719, para ser mais exato, e acompanha a vida da tribo Comanche, que conta com uma jovem guerreira e caçadora em formação, chamada Naru.

No filme, Naru, que é a protagonista da história, batalha contra os costumes da própria tribo em que nasceu, já que, por ser mulher, todos esperam que ela assuma uma figura mais passiva dentro daquele universo, cuidando dos demais, fazendo remédios, cozinhando, etc.

Mas o grande sonho de Naru, na verdade, é ser uma brava guerreira e caçadora, papel que, na trama, é destinado exclusivamente aos homens da tribo.

Inclusive, o irmão de Naru, Taabe, é um dos grandes guerreiros do povo Comanche e um cara super celebrado dentro de seu mundo devido às suas habilidades.

Só que Naru não deixa barato, não, e treina diariamente para se tornar a guerreira que ela tanto sonha em ser, mesmo que isso atraia alguns olhares tortos de seus semelhantes.

Nesse cenário, o irmão dela é quem mais a ajuda em sua missão, até defendendo a jovem em muitos momentos dos demais homens e caçadores da tribo, que acham que ela não deveria estar entre eles.

E não que Naru precise de proteção, porque o filme deixa bem claro que ela sabe se virar muito bem sozinha e que não desistirá de ser exatamente o que quer ser.

E eis que, de repente, em meio a tudo isso, o maior desafio que a Naru e a tribo Comanche já viram dá as caras na selva.

Sim, é o Predador, que chega para uma nova caçada.

Mas a única pessoa que percebe a chegada desse ser estranho é justamente Naru. Porque, até então, todos acreditavam que as mortes que começam a aparecer na região, tanto de pessoas quanto de animais, seriam obra de um leão ou de algum outro animal de grande porte.

E adivinha quem vai atrás das respostas? Sim, ela novamente, Naru, acompanhada de seu cachorro, Sarii, que a ajuda nessa busca pelo temido extraterrestre assassino.

A partir daí, com todo o povo Comanche em perigo, Naru precisa não apenas quebrar as tradições da tribo e se tornar de vez uma grande caçadora, mas se provar perante um inimigo que é muito mais poderoso do que qualquer ser humano ou animal.

ATENÇÃO: A PARTIR DE AGORA, ESTE TEXTO TERÁ SPOILERS DO FILME O PREDADOR: A CAÇADA (PREY). NÃO CONTINUE SE VOCÊ AINDA NÃO ASSISTIU.

Análise narrativa e crítica de O Predador: A Caçada (COM SPOILERS)

Bem, vamos começar desconstruindo um pouco a narrativa de O Predador A Caçada.

Primeiramente, a divisão entre os três atos de Prey é bem definida e construída, com pontos de virada bem legais, especialmente o do primeiro para o segundo ato. Mas eu já falo mais sobre ele.

Começando, portanto, pelo primeiro ato, temos a famosa apresentação de universo, personagens e do problema. Aquela velha fórmula que você já viu em centenas de outros filmes, mas que se faz necessária para situar o espectador.

Já de início, somos inseridos dentro do universo da obra, que nos mostra um pouco da selva, da tribo e até uma caçada de Naru, o que já estabelece, mesmo que timidamente, o ritmo e o tom de ação de Prey, bem como os dons da protagonista.

Aqui, também já entendemos os desafios de Naru, que quer se tornar uma grande guerreira e caçadora, apesar de toda a desaprovação de sua tribo.

Então, já no primeiro ato, o filme coloca as cartas na mesa e revela alguns dos temas que se propõe a discutir, como a questão de papéis entre homens e mulheres, o que alguém pode ou não fazer, como antigas tradições podem e precisam, sim, ser revistas, etc.

Além disso, a primeira parte de O Predador: A Caçada também abrange a apresentação de outros personagens importantes para a trama, como Tabee e Sarii (ambos já citados neste texto), bem como suas relações com a protagonista.

Também não podemos esquecer da apresentação do problema que a protagonista precisará “resolver”, que atende pelo nome de Predador.

Nessa sequência, gostei muito da virada para o segundo ato, que é representada pela cena em que Naru decide ir atrás do Predador, que até então era desconhecido, e nada contra a corrente e às descrenças em relação a ela.

Isso é retratado de uma maneira muito interessante, com Naru caminhando na direção contrária à da fila de mulheres que segue para cumprir seus “papéis” e desempenhar suas “funções do dia” logo pela manhã.

Uma clara alusão à quebra de padrão e de estereótipo que o filme quer discutir, e uma forma de mostrar que, mais do que nunca, Naru está pronta para ir atrás daquilo que acredita.

PreyO Predador: A Caçada (Hulu/20th Century Studios)

Logo, partimos para o segundo ato, no qual Naru, finalmente, encontra o Predador, ou, melhor dizendo, descobre que o responsável por toda a matança no local não é um animal, mas, sim, um ser bizarro, que ela acredita ser um monstro proveniente de algumas lendas da tribo Comanche.

Agora, a caçada, que dá título ao filme, começa de vez.

E o que é legal no desenvolvimento da obra é que, ao mesmo tempo em que vários embates entre Predador e seres humanos (ou Predador e presas) começam a rolar, também vemos o crescimento de Naru.

Ou seja, enquanto as cenas mais sangrentas e instigantes de ação estão comendo soltas, o roteiro de Prey não esquece de mostrar como Naru está amadurecendo e ficando cada vez mais pronta para enfrentar o Predador.

O que se dá na prática, com ela inserida no meio da ação, acompanhando de perto tudo o que está acontecendo e, claro, tentando sobreviver.

Inclusive, ela assiste o Predador matar seu irmão de camarote. O que é terrível, por um lado, mas configura um artifício de roteiro eficiente, que acaba servindo como uma virada de chave tanto para ela quanto para o terceiro ato do filme.

É nesse ponto em que ela faz, de vez, a transição para seu modo caçadora, que tem muito mais a ver com inteligência do que com força bruta.

Aliás, esse é outro ponto muito bom do roteiro, que se preocupa em mostrar que a força de um grande caçador nem sempre vem do corpo, do físico, e que a mente, a esperteza e a inteligência também são essenciais para o sucesso.

Pensando nisso, há algumas cenas que pintam muito bem essa ideia e a reforçam ao longo da produção.

Por exemplo: a cena em que Naru está caçando pela primeira vez com o grupo de homens, e, graças ao seu plano, Taabe consegue matar uma leoa, mesmo que Naru tenha falhado na execução anteriormente.

O próprio Taabe ressalta o ponto forte de Naru na cena em que ambos estão amarrados ao tronco de uma árvore, dizendo que ela sempre foi muito mais inteligente do que ele.

E é por causa dela, de novo, inclusive, que eles escapam.

No terceiro ato do filme, por fim, há a grande batalha entre Naru e Predador.

Nesse ponto da narrativa, o roteiro de Prey já deixou claro que o Predador não só é extremamente forte, mas também gosta de criar estratégias para caçar e tem armas muito mais letais do que seus adversários.

Ou seja, querer vencê-lo em um embate franco, no um contra um, na base da força bruta, é quase impossível. Afinal, nem mesmo um urso gigantesco conseguiu essa proeza, muito menos o melhor caçador do povo Comanche, que era o Taabe.

Naru, entendendo isso, se utiliza de sua arma mais letal, que é sua esperteza para caçar, e cria um plano para tornar o Predador em presa.

Plano que dá muito certo e fecha o arco de Naru e do filme de uma maneira bem satisfatória, com a caçadora retornando para sua tribo com a cabeça decepada do Predador em mãos. Uma clara referência aos crânios que o predador coleta como troféus.

Agora, contudo, quem trouxe a taça para casa foi Naru, que prova que não só é capaz de caçar, como de proteger a si mesma e a todos ao seu redor.

PreyO Predador: A Caçada (Hulu/20th Century Studios)

Conclusão

Resumindo o que eu achei de O Predador: A Caçada (Prey): o filme é realmente o melhor desde o original, e faz bastante justiça a todo o hype que vem recebendo.

O roteiro, apesar de simples e bem direto, é desenvolvido de maneira competente, especialmente ao discutir algumas questões bem relevantes e apresentar uma protagonista interessante e com um excelente arco.

Boas cenas de ação, boa direção, easter eggs, cachorro fofinho que não morre no final (ainda bem) e uma ponta de esperança para essa franquia tão celebrada.

Definitivamente, assistir O Predador: A Caçada foi bem empolgante e eu espero que os próximos filmes com o alienígena sigam os acertos que esse teve.

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