Sex/Life: série picante da Netflix se perde em trama arrastada (crítica)

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Imagem: Netflix/Reprodução

ATENÇÃO: SPOILERS À FRENTE!

Na última sexta-feira (25), a Netflix disponibilizou aos seus assinantes uma série cheia de cenas picantes e muita tensão sexual. Trata-se de Sex/Life, que assim como outras produções presentes no catálogo da plataforma, traz uma história recheada de momentos eróticos para envolver os espectadores.

Contudo, Sex/Life tem sérios problemas de concepção e realização, mesmo que seu elenco seja interessante e tenha bons momentos em cena. Dessa maneira, confira mais detalhes sobre a produção com a nossa crítica completa!

Sex/Life: o que achamos da nova série da Netflix?

Criada por Stacy Rukeyse, a produção possui uma trama relativamente simples, mas que aborda algumas nuances conflituosas no meio do caminho de um jeito duvidoso. Inicialmente, os espectadores conhecem Billie Connelly (interpretada por Sarah Shahi), uma mulher casada que possui uma vida confortável ao lado do marido (Mike Vogel) e seus filhos.

(Netflix/Reprodução)(Netflix/Reprodução)Fonte:  Netflix 

No entanto, há uma pequena tentação em seu caminho, que se chama Brad Simon (Adam Demos), um ex-namorado e amante extremamente sedutor que volta a invadir seus pensamentos mais profundos. Apesar de ter momentos de plena união com seu marido, Brad lhe chama a atenção de todas as formas possíveis, sobretudo quando as provocações passam a ser verídicas.

Nesse sentido, a produção aposta em evidenciar uma visão crítica sobre a insatisfação conjugal e a monogamia, se propondo a trazer reflexões necessárias em certas passagens e sequências. Mas tudo isso acaba soando muito superficial em uma análise mais elaborada, tendo em vista que os personagens não conseguem avançar minimamente em uma evolução contínua.

A trama é baseada diretamente no livro 4 homens em 44 capítulos, de BB Easton, e possui um diário como principal fio condutor. É por meio dos escritos de Billie que diversas construções estilísticas vão se formando na tela.

Os oito episódios, todos dirigidos por mulheres, têm méritos notáveis em questões técnicas, como o uso da luz neon para propiciar um clima de mistério e sedução e também dos planos gerais para se distanciar de determinadas emoções exageradas vistas em cena. Mesmo assim, nada parece beneficiar a narrativa de forma efetiva.

E isso é bem perceptível quando os escritos de Billie mostram uma certa infelicidade em sua vida rotineira de comercial de margarina — algo que soa bastante vazio em uma construção pregressa da série.

Dessa maneira, apesar de querer mais nessa relação, nada é feito ou dito efetivamente, apenas sentido e guardado. O que poderia trazer nuances e camadas sólidas para o desenvolvimento da personalidade desta protagonista acaba sendo jogado fora em muito pouco tempo.

(Netflix/Reprodução)(Netflix/Reprodução)Fonte:  Netflix 

Com isso em mente, fica a sensação de que os produtores queriam apenas um pretexto para colocar o elenco nu diante da câmera e chamar a atenção pela polêmica de mais uma história picante no streaming. É preciso ser mais do que apenas uma trama de provocações inconsistentes diante de um público cada vez mais crítico e observador.

Ainda ao se apegar aos clichês mais corriqueiros, como as personalidades dos vizinhos de Billie ou de Brad, fica a sensação de que não houve qualquer esforço para trazer algo de novo e interessante para os espectadores, partindo apenas de uma história superficial, que poderia ser trabalhada em algum aspecto mínimo para servir algo além de cenas puramente sensuais.

Em abordagens completamente esquecíveis, Sex/Life poderia ser mais, discutir mais, abraçar mais e se entender mais. No entanto, prefere se alimentar de poucas ideias e conflitos básicos, se esquecendo até mesmo de seu título, que embora seja composto por apenas duas palavras, carrega muitos significados que, em nenhum momento, são encontrados na narrativa.

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Fontes

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