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The Post: como melhor apreciar o filme de Spielberg, Hanks e Streep (crítica)

schedule23/01/2018, às 23:09

Existem algumas maneiras de se apreciarThe Post: A Guerra Secreta, filme de Steven Spielberg indicado ao Oscar e que estreia nesta semana nos cinemas brasileiros.

Uma delas é compreender a relevância de se resgatar a história por trás dos Pentagon Papers, documento ultrassecreto do governo norte-americano que foi publicado pelo The New York Times e, em seguida, peloThe Washington Post, revelando as mentiras e manipulações envolvendo a Guerra do Vietnã.

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Ao recontar essa passagem da história dos Estados Unidos para o público atual, Spielberg estabelece uma crítica não apenas aos abusos de poder, mas também ao governo atual de Donald Trump pela forma como ele vem tratando os diversos veículos de jornalismo. As acusações de Trump contra a mídia parecem assustadoramente semelhantes às brigas de Nixon contra os jornais da época.

undefinedTom Hanks e Meryl Streep em The Post: A Guerra Secreta. Fonte da imagem: Divulgação/Universal Pictures

Nesse sentido,The Post ressoa atual, contundente e necessário para o momento de “fake news” em que vivemos, mostrando a importância da pesquisa e da investigação jornalística como um dos recursos para fiscalizar as atividades governamentais. E nunca é demais dizer que um país só será democrático se tiver uma imprensa livre.

Para nós aqui no Brasil, essa mensagem do filme coloca o dedo em outra ferida quando lembramos que não temos mais a necessidade de diploma universitário para o exercício da profissão de jornalismo no país – o que por um lado pode parecer um ato de democratizar os meios de produção, mas, por outro, permite a descaracterização das práticas e éticas.

Outra leitura possível sobre The Post está no retrato da personagem de Meryl Streep, a dona do The Washington Post na época, Kay Graham, uma pioneira na liderança em um mercado de trabalho ainda dominado por homens. Kay é sucessivamente julgada pelo seu conselho, e a sua capacidade de tomar decisões é questionada pelos empregados. Logo, torna-se impossível não se sensibilizar por sua luta e suas conquistas.

undefinedMeryl Streep como Kay Graham em The Post: A Guerra Secreta. Fonte da imagem: Divulgação/Universal Pictures

Dito tudo isso, é também possível imaginar como The Post poderia ser uma obra melhor nas mãos de outro diretor. Basta comparar o filme com o recente Spotlight – Segredos Revelados, que também trazia uma trama de investigação jornalística, mas com muito mais energia e criatividade fílmica.

Spielberg pode ser um diretor consagrado, mas pesa a mão no comando dessa produção, tornando algumas cenas piegas, exagerando no sentimentalismo e entregando sequências clichês sobre a corrida dos jornais para publicar os Pentagon Papers. O cineasta parece empregar a fórmula mais convencional do dicionário cinematográfico, sem gerar um tratamento diferenciado para The Post, o que faz o resultado perder um pouco o impacto.

Em linhas gerais, o tema e a história do filme certamente merecem voltar à discussão social e não podem ser esquecidos. Com Steven Spielberg, Meryl Streep e Tom Hanks, osPentagon Papers retornam para o conhecimento do grande público; contudo, com um refinamento de conteúdo e linguagem, The Post poderia ser tão escandaloso quanto um documento ultrassecreto.

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