Nem sempre a inovação vem na forma de novos produtos. O simples fato de uma empresa recriar uma tecnologia pode chamar mais atenção do que algo realmente novo.

Os gadgets móveis passaram por muitas mudanças nos últimos anos. As primeiras telas de toque começaram a ser utilizadas nos PDAs (Personal Digital Assistant) ou simplesmente computadores de mão, como os Palmtops e similares. As telas utilizavam a tecnologia resistiva e precisavam de uma “canetinha” para permitir a inserção de dados.

Com o tempo, os PDAs deram lugar aos smartphones, que tiveram as telas resistivas substituídas pelas capacitivas e, assim, as canetas foram substituídas pela ponta dos dedos. A preferência pelas interfaces de toque vem se mostrando cada vez maior, principalmente depois que os tablets invadiram o mercado.

(Fonte da imagem: Tecmundo)

A Microsoft é uma empresa que está apostando alto nas tecnologias de toque. Isso já é possível perceber no cuidado que a empresa está tendo com o Windows 8 e a nova interface Metro.

Melhorando a resposta das telas atuais

O lançamento do Windows 8 está sendo planejado para todos os tipos de equipamentos com muito cuidado. Isso porque ele deverá unir diversas plataformas: desktops, laptops e tablets poderão usufruir da integração completa. Para garantir que a experiência com as telas de toque seja primorosa, a empresa está exigindo dos fabricantes requisitos mínimos de hardware para acompanhar os sistemas que utilizarão o Windows 8.

Um dos recursos que apresentavam problemas no passado eram os gestos de toque que partiam da borda até o centro da tela. Em alguns equipamentos, esse movimento era interpretado como um simples toque, o que atrapalhava a experiência de uso. Tradicionalmente, as telas de toque têm uma tendência a funcionar melhor no centro do que nas bordas.

De acordo com a equipe de desenvolvimento da Microsoft, para resolver esses problemas, as novas telas terão um buffer de 20 pixels nas bordas, criando uma compensação do movimento e impedindo que o sistema interprete os movimentos de forma errada.

O futuro das telas de toque

A Microsoft investe, todos os anos, milhões de dólares no setor de pesquisa e desenvolvimento. Recentemente, a empresa divulgou um vídeo demonstrando a diferença que existe entre as telas capacitivas atuais e a nova tecnologia, atualmente em pesquisa.

As telas capacitivas funcionam assim: ao tocar na superfície dela com a ponta do dedo, o aparelho interpreta a conexão elétrica da pele com o componente. O processador recebe os sinais e reconhece a região que foi ativada, respondendo com o movimento dos objetos.

O problema é que esse processo todo leva entre 100 e 50 milissegundos para acontecer. Isso causa uma demora na resposta que pode atrapalhar na movimentação e deixar o processo menos natural do que deveria ser.

Essa latência de 100 milissegundos faz com que a tela responda ao seu toque somente depois que você já fez o gesto, sendo possível perceber o efeito de arrasto. É muito mais fácil ver esse problema em aplicativos de desenho, nos quais as ilustrações surgem apenas depois de você fazer o traço na tela. Atualmente, ferramentas de desenho, engenharia e arquitetura ainda não são muito eficientes nas plataformas de toque justamente por causa desse problema.

100 milissegundos: a imagem se movimenta com atraso. (Fonte da imagem: Divulgação/Microsoft)

Alguns jogos também sofrem com esse efeito, principalmente os games que precisam de comandos rápidos e ágeis. O que os programadores fazem é “enganar” o aplicativo, adicionando uma espécie de compensação do movimento para diminuir o problema da latência.

Paul Dietz, do Grupo de Ciências Aplicadas da Microsoft, sugere que a única forma de termos uma experiência realmente satisfatória com esse sistema é diminuir a latência para apenas 1 milissegundo. Para ilustrar essa situação, O grupo produziu um vídeo demonstrando esse problema de atraso e simulando um ambiente em que é possível comparar as diferentes latências: 100, 50, 10 e, finalmente, 1 milissegundo.