Pulseiras inteligentes não são exatamente uma novidade no mercado. Há pelo menos uns cinco anos já existem diversos modelos capazes de monitorar uma série de dados de saúde, como distância percorrida, calorias queimadas ou batimentos cardíacos. Entretanto, é quando as grandes companhias entram no segmento que o setor, de fato, ganha atenção por parte do público.

A Microsoft Band é a primeira aposta da empresa na área de wearables, os gadgets vestíveis que cada vez mais ganham espaço no dia a dia. Em seu primeiro produto desse tipo, a empresa optou por trazer apenas itens básicos, apostando na compatibilidade com múltiplos sistemas operacionais. O resultado não é um produto inovador, mas ainda assim ele é bastante eficiente em sua proposta.

Antes de tudo é importante deixar claro que a Microsoft Band é uma pulseira inteligente, e não um relógio inteligente, e por conta disso qualquer comparativo direto com smartwatches de outras companhias seria injusto.

Lançada em novembro de 2014 nos Estados Unidos, a pulseira inteligente segue inédita no Brasil – e sem previsão de chegada às lojas do país. Será que vale a pena investir US$ 199 e importar a Microsoft Band para o Brasil? As nossas impressões sobre o produto são o que você confere agora nesta análise.

Design

Pesando apenas 60 gramas, a Microsoft Band é extremamente leve para o seu pulso. Bastam alguns poucos minutos de utilização para que você nem perceba mais que ela está em seu braço, um aspecto bastante positivo para quem pratica esporte. Entretanto, ela não é tão flexível quanto poderia ser e, em alguns momentos, isso se torna um incômodo.

A área principal, onde está localizado o display, é larga e não se adapta com tanta naturalidade assim ao pulso. A sensação que tivemos é a de que ela “sobra” um pouco nas laterais, mesmo em pulsos de maior diâmetro. Esse pequeno incômodo é percebido com mais clareza quando você utiliza uma blusa ou camiseta de manga comprida.

A pulseira é construída de um material emborrachado e conta ainda com uma presilha de metal ajustável para que você possa abotoá-la. Graças a ela, a adaptação é perfeita, e a smartband não fica “solta”, girando no seu pulso. Há três opções de tamanho à venda: pequena (small), média (médium) e grande (large). Portanto, fique atento a essa característica antes da compra.

Mesmo após o uso contínuo na prática de exercícios, o material não retém odores ou causa marcas de suor. Pesa negativamente contra ela o fato de que a Microsoft Band não é à prova d’água. Segundo a fabricante, a pulseira é resistente a respingos de água e poeira, mas não pode ser submersa em nenhum tipo de líquido.

Tela

O display da Microsoft Band é construído em TFT e tem 1,4 polegada de espaço para exibição de conteúdo. A sensibilidade aos toques na tela não é tão apurada quanto a de um smartphone, mas ao deslizar o dedo sobre o display a resposta é um pouco melhor. De qualquer forma, esse não é um empecilho para o uso do produto.

Pode-se configurar até três níveis de intensidade de brilho (baixo, médio e alto), além de ser possível habilitar uma opção automática, que ajusta o brilho da tela de acordo com as condições de luminosidade do ambiente. Sob a luz do sol, a visibilidade é boa, e não é preciso forçar os olhos para enxergar as informações.

Bateria

A duração de bateria é um aspecto que nos surpreendeu positivamente. Usando a Microsoft Band no modo mais simples, ou seja, com o display do relógio ativo e as funções de registro de batimentos cardíacos, distância percorrida e calorias queimadas habilitadas, foi possível ficar com ela por 37 horas sem a necessidade de recarga.

Ao manter o dispositivo pareado com o smartphone – o que permite receber notificações de SMS, emails e ligações telefônicas, além de transferir automaticamente os dados salvos para o celular –, a duração da carga diminuiu para 22 horas. Já nos dias em que os modos de treinamento foram ativados, a resistência da bateria não passou das 16 horas.

Se compararmos com outros modelos do gênero, o tempo de uso é inferior, mas por outro lado ela oferece mais opções para o consumidor. Ou seja, é como se ela fosse um meio termo entre as pulseiras mais simples e os smartwatches.

Levando em consideração a proposta do dispositivo, é possível afirmar que a duração é bastante razoável e deve contemplar com tranquilidade as necessidades da maioria dos usuários. A recarga do dispositivo é feita via USB por meio de um adaptador próprio e, para completar os 100% da bateria, é preciso deixar o dispositivo plugado por um período entre uma hora e meia e duas horas.

Apps e sistemas operacionais compatíveis

A boa notícia relacionada à Microsoft Band é o fato de que ela é compatível com os três principais sistemas operacionais mobile disponíveis no mercado na atualidade. Para utilizá-la, basta que o seu smartphone conte com o recurso de Bluetooth e tenha uma das seguintes versões de SO: Android (versão 4.3 em diante); iOS (versão 7.1 em diante); ou Windows Phone (versão 8.1 em diante).

A integração entre os dados é feita por meio de um app específico gratuito, o Microsoft Health. Vale lembrar que o app está disponível apenas nas lojas norte-americanas. Portanto, certifique-se de mudar a sua região antes de fazer o download. Infelizmente, tanto a pulseira quanto o app não estão disponíveis em português por enquanto.

Por si só, o Microsoft Health já é capaz de gerenciar todos os dados coletados com a pulseira, mas, caso você queira, é possível transpor essas informações diretamente para outros aplicativos. Por enquanto, apenas quatro apps são compatíveis com o dispositivo: RunKeeper, myfitnesspal, HealthVault e mapmyfitness.

Recursos da Microsoft Band

Chegou a hora de conferir o que achamos do uso prático da pulseira Microsoft Band. Basicamente, antes de tudo você precisa pareá-la com o seu dispositivo, um processo que não vai tomar mais do que dois minutos. É importante que esse procedimento seja feito via app Microsoft Health. Feito isso, é hora de cadastrar os seus dados pessoais. Informações como peso, altura e idade são essenciais.

Em termos visuais, é possível personalizar o papel de parede (são 12 opções) e as cores (outras 12). Ao menos por enquanto, não é possível incluir novos papéis de parede. Você pode optar por deixar o mostrador do relógio sempre visível ou apagado e ativado mediante um toque no botão. Não há como ativar via toque na tela.

Os dados capturados pelos sensores do relógio são os seguintes: quantidade de calorias queimadas, número de passos dados, distância percorrida e quantidade de batimentos cardíacos. Eles ficam armazenados no próprio dispositivo e podem ser sincronizados com o app do smartphone.

A interface é ativada mediante um clique no botão principal (infelizmente, não é possível ativar mediante um toque na tela). Deslizando o dedo para os lados, você tem acesso ao menu completo, que inclui o recebimento de mensagens de texto, emails, telefonemas e notificações do sistema.

Com a Microsoft Band você traça metas específicas de treinamento, seja para quem pretende andar, correr, pedalar ou malhar na academia. Por fim, é possível controlar a qualidade do sono, mantendo ativo o dispositivo em um modo específico enquanto você está dormindo.

Qualidade e precisão das informações

Em nossos testes, a Microsoft Band se mostrou bastante precisa na captura de informações a partir dos sensores. Tanto distância percorrida quanto o número de passos dados, por exemplo, se mostraram extremamente fieis ao desempenho do usuário. Ainda melhor foi a nossa avaliação com respeito ao sensor de batimentos cardíacos.

Diferente de outros produtos, que requerem até mesmo o repouso completo do braço para que possam auferir a informação de forma correta, aqui a medição é feita em tempo real, mesmo com os movimentos do seu corpo. Comparando os resultados com os obtidos por um equipamento de uso profissional, os números foram muito coincidentes.

Aliás, informação é o que não vai faltar para o usuário. Para aqueles que procuram dispositivos mais simples, essa característica pode até ser um ponto negativo. Entretanto, o gerenciamento via app dá conta do recado e, em termos de usabilidade, este se mostra um dos melhores disponíveis dentro de sua categoria.

Vale a pena?

Sejamos bem sinceros: ao menos por enquanto, para os consumidores brasileiros, não vale a pena investir o seu dinheiro na Microsoft Band. A principal razão para isso é o fato de os apps estarem disponíveis apenas nas lojas online norte-americanas. Se para um usuários de Windows Phone e iOS a troca de região é mais simples, para quem tem Android o uso é praticamente inviável.

Agora, falando do produto em si, ficamos bastante decepcionados com a sua anatomia. A pulseira é bonita, mas bastante desconfortável para uso fora de atividades físicas. Pelo fato de não ser flexível, a impressão que se tem é a de que você está com um bracelete no pulso, tornando-a pouco atrativa para uso no dia a dia. Usar a Microsoft Band com manga comprida, por exemplo, não é nada agradável.

Por outro lado, gostamos bastante dos recursos de software. A contagem de passos e a aferição dos batimentos cardíacos estão entre as mais precisas entre os dispositivos que já testamos. O número de apps compatíveis ainda é reduzido – apenas quatro –, mas o Microsoft Health sozinho parece dar conta do recado no gerenciamento do grande volume de informações coletadas.

O preço final nos Estados Unidos, de US$ 199, também é alto para os padrões do segmento. Aparelhos como o Peeble, por exemplo, são capazes de suprir as mesmas necessidades custando menos. Sentimos falta também de uma certificação que tornasse a Microsoft Band à prova d’água. Por outro lado, o valor é equivalente ao do Gear Fit, da Samsung, e há compatibilidade multiplataforma.

Em resumo: a Microsoft Band se mostra uma entrada promissora da Microsoft no segmento de wearables, com um software eficiente, mas embarcado em um corpo com design não muito atraente. O preço ainda é alto para tudo o que é oferecido, e, para o consumidor brasileiro, os atrativos são praticamente inexistentes. Nosso conselho é esperar um pouco mais: a Microsoft Band ainda não é a melhor opção para você.

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