A startup de dados para treinamento de inteligência artificial (IA) Micro1 atingiu US$ 500 milhões em receita bruta anualizada, após quadruplicar o valor registrado oito meses atrás, segundo informações obtidas pelo site americano TechCrunch. O crescimento ocorre em meio ao aumento da demanda de laboratórios e empresas de tecnologia por dados exclusivos para desenvolver e aperfeiçoar modelos de IA.
Segundo uma pessoa familiarizada com a empresa, ouvida pelo TechCrunch, a Micro1 retém entre 60% e 70% da receita bruta, o que coloca sua receita líquida anualizada entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões. A startup contrata especialistas de áreas como medicina, direito e ciência para trabalhar na avaliação e rotulagem de dados usados no desenvolvimento de sistemas de IA.
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Apesar do crescimento, a Micro1 ainda está atrás de concorrentes como a Mercor, que chegou a US$ 2 bilhões em receita bruta anualizada neste verão, e a Handshake, que alcançou US$ 1 bilhão no início de 2026, de acordo com o TechCrunch. O avanço da Micro1, porém, indica que o mercado pode comportar diversos fornecedores de dados, diante da expectativa de que os gastos com dados para IA continuem crescendo e possam, no futuro, se aproximar dos investimentos feitos em computação.
A empresa também busca aumentar suas margens com a produção de dados sintéticos, criados com menor participação humana. Um exemplo é a geração automatizada de descrições de vídeos. Segundo uma pessoa familiarizada com as finanças da startup, conjuntos de dados considerados “prontos para uso” podem ser vendidos a mais de um cliente e alcançar margens brutas de 80% a 90%. A prática, contudo, tem gerado controvérsia no setor, especialmente diante de críticas sobre a venda de dados a desenvolvedores chineses de IA.
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Mercado de dados ganha escala
O fundador da Micro1, Ali Ansari, afirmou no mês passado em seu perfil no X (ex-Twitter) que a empresa não vende seus dados a criadores chineses de modelos de IA. “Algumas empresas de dados humanos trabalham com adversários estrangeiros. E os resultados disso são visíveis hoje no caso do Kimi K3. Acreditamos ser vergonhoso reivindicar o domínio americano em IA enquanto vendemos milhões em dados para países com os quais temos uma competição acirrada”, disse Ansari.
A Micro1 começou como uma startup de recrutamento com IA, mas mudou de estratégia depois de identificar que clientes utilizavam sua plataforma para avaliar e selecionar engenheiros destinados ao trabalho de anotação de dados.
A empresa também desenvolve dados para diferentes aplicações de IA. Segundo declaração anterior de Ansari ao TechCrunch, especialistas da Micro1 avaliam resultados de modelos em processos conhecidos como “ginásios de aprendizado por reforço”.
A startup ainda trabalha na criação de um banco de dados de pré-treinamento para robótica, com centenas de pessoas gravando interações cotidianas com objetos dentro de suas próprias casas. Em setembro de 2025, a Micro1 levantou uma Série A que avaliou a empresa em US$ 500 milhões. O TechCrunch informou que a startup pode ter realizado uma nova rodada recentemente, com uma avaliação significativamente maior. Procurada pelo site, a Micro1 não respondeu ao pedido de comentário.
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