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The BRIEF

Robôs chineses buscam transformar euforia dos humanoides em uso comercial

Fabricantes exibem máquinas em tarefas de logística e produção em Pequim enquanto investidores ampliam apostas no setor.

Avatar do(a) autor(a): Alice Labate

schedule20/08/2026, às 17:30

Fabricantes chineses de robôs humanoides tentam transformar a onda de interesse em torno da tecnologia em aplicações comerciais concretas. Na Conferência Mundial de Robótica, em Pequim, empresas apresentaram máquinas capazes de separar encomendas, embalar celulares e executar tarefas domésticas, em uma tentativa de mostrar que os equipamentos podem deixar as demonstrações para o público e passar a operar em ambientes de trabalho. As informações são da Reuters em matéria publicada na quarta-feira, 19.

Mais de 300 empresas, a maioria chinesas, participam do evento, que segue até domingo e reúne mais de 2 mil produtos, segundo os organizadores citados pela Reuters. A conferência acontece em um momento de forte interesse de investidores pelos humanoides, vistos como uma possível nova frente de crescimento para a indústria chinesa e também como parte da disputa tecnológica com os EUA.

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Na quarta-feira, a Unitree, uma das principais fabricantes chinesas do segmento, viu suas ações dispararem quase seis vezes em sua estreia na Bolsa de Xangai, após seu IPO ser mais de 8 mil vezes subscrito por investidores de varejo, segundo a Reuters.

A movimentação também atraiu fornecedores estrangeiros. Madison Huang, executiva da Nvidia e filha do presidente-executivo da companhia, Jensen Huang, fez uma visita não anunciada à conferência e acompanhou demonstrações de robôs. A RealSense, empresa americana de sistemas de visão para robôs, também participou do evento.

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Da demonstração à operação

"Consideramos a China um mercado muito estratégico para nós", disse à Reuters Mike Nielsen, diretor de marketing da companhia. "Está se tornando o centro da tecnologia humanoide." Segundo a reportagem, a visita de Huang ocorreu apesar das restrições dos EUA à exportação dos chips mais avançados de inteligência artificial (IA) da Nvidia para a China.

Os fabricantes apresentados na conferência já começam a testar os humanoides em atividades industriais. A Leju demonstrou robôs movimentando e classificando caixas e informou, segundo a Reuters, que seus equipamentos são usados em fábricas europeias e chinesas.

A Robotera afirmou ter mais de 100 robôs de triagem de encomendas em 15 armazéns na China. Já a DexForce mostrou máquinas embalando celulares em uma linha de montagem; de acordo com a empresa, os robôs operam desde o início do ano em uma fábrica da Lens Technology, fornecedora de componentes para Apple e Huawei. "Em teoria, os seres humanos são os mais hábeis", disse à Reuters Nicole Yang, da DexForce, "Mas muitos trabalhadores em fábricas não estão dispostos a fazer esse tipo de trabalho entediante".

O principal desafio, agora, é provar que essas máquinas conseguem funcionar de forma confiável e contínua fora de demonstrações controladas. A Lumos Robotics já utiliza robôs na montagem de módulos em sua fábrica e pretende ampliar o uso para a montagem final, segundo seu presidente-executivo, Yu Chao.

A X Square Robot, voltada a tarefas domésticas, também está testando seus equipamentos em centenas de residências neste ano, depois de uma implantação de até um mês, com planos de iniciar a comercialização gradual no próximo ano. Para Mike Nielsen, da RealSense, as empresas com maior possibilidade de avançar serão aquelas capazes de colocar os robôs em ambientes de produção ativos. "Os ciclos de produção de robôs são mais próximos de seis a oito meses, e não de três a quatro anos", afirmou à Reuters.

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