A Geração Z tem impulsionado uma nova tendência no mercado de tecnologia ao trocar smartphones por celulares básicos, conhecidos como "dumb phones". O movimento acompanha a busca por reduzir o tempo de exposição às telas e às redes sociais e já começa a refletir nas vendas desses aparelhos, que devem registrar crescimento global até o fim da década, segundo projeções do setor.
De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center divulgada em 2024, quase metade dos adolescentes afirmou estar conectada à internet praticamente o tempo todo. Em resposta a esse cenário, cresce o interesse pelo chamado detox digital, prática que incentiva períodos longe das telas para reduzir distrações e tornar o uso da tecnologia mais consciente. Nesse contexto, aparelhos com funções limitadas, voltados principalmente para chamadas e mensagens, voltam a ganhar espaço.
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Segundo relatório da consultoria Research and Markets, o mercado global de celulares básicos deve passar de US$ 39,11 bilhões em 2025 para US$ 49,66 bilhões em 2030. O interesse também tem sido impulsionado pelas redes sociais.
Hashtags como #bringbackflipphones e movimentos como Bring Back Blackberry estimularam a procura por modelos antigos ou inspirados nos aparelhos populares dos anos 1990 e 2000.
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A fabricante Light informou à CNN ter ultrapassado a marca de 100 mil usuários de seus aparelhos, enquanto a suíça Punkt afirmou vender cerca de 50 mil celulares por ano. Já a HMD, responsável pelo licenciamento da marca Nokia, disse à emissora que as vendas de seus celulares flip dobraram entre 2022 e 2023.
Tecnologia retrô e uso mais intencional
O interesse pelos celulares básicos faz parte de um movimento mais amplo de valorização de tecnologias consideradas retrô. Além desses aparelhos, jovens da Geração Z têm demonstrado maior interesse por iPods, fones de ouvido com fio, discos de vinil, fitas cassete, câmeras analógicas e equipamentos de marcas como Kodak e Polaroid. O fenômeno é associado à chamada cultura "newtro", surgida na Coreia do Sul e baseada na reinterpretação de produtos e estéticas do passado.
Especialistas apontam que, para essa geração, o retorno a dispositivos mais simples não está ligado à nostalgia, já que muitos desses jovens não viveram a época em que essas tecnologias eram comuns. O objetivo seria recuperar uma relação mais equilibrada com os dispositivos digitais, reduzindo a influência de algoritmos, notificações constantes e plataformas que disputam a atenção dos usuários durante todo o dia.
O movimento também ocorre em um momento de transformações na própria internet. Com o avanço da inteligência artificial (IA) e mudanças em serviços tradicionais de busca, cresce a percepção de que o ambiente digital está cada vez mais automatizado e voltado ao consumo contínuo de conteúdo. Nesse cenário, aparelhos com recursos limitados aparecem como uma alternativa para quem deseja diminuir a dependência dos smartphones sem abandonar completamente a comunicação móvel.
Embora os jovens adultos da Geração Z liderem essa tendência, o interesse por celulares básicos também cresce entre pais que procuram dispositivos mais simples para os filhos, limitando o acesso às redes sociais. Para o site SlashGear, o fenômeno indica uma mudança na forma como diferentes públicos enxergam a tecnologia: em vez de rejeitá-la, buscam utilizá-la de maneira mais intencional e com menos interferência na rotina.
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