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The BRIEF

Casa Branca recua de restrições a IA chinesa após pressão do Vale do Silício

Governo dos EUA discutia sanções contra modelos chineses de código aberto, mas reação de gigantes da tecnologia levou a uma mudança de estratégia, segundo o New York Times.

Avatar do(a) autor(a): Alice Labate

schedule04/08/2026, às 18:10

updateAtualizado em 04/08/2026, às 18:12

O governo dos EUA suspendeu no fim do mês passado a adoção de medidas para restringir modelos chineses de inteligência artificial (IA) de código aberto após enfrentar resistência de empresas de tecnologia do Vale do Silício. Segundo reportagem do New York Times, a Casa Branca avaliava impor sanções comerciais e novas restrições ao uso dessas ferramentas, mas decidiu concentrar esforços em fortalecer a competitividade da indústria americana.

De acordo com o jornal americano, integrantes do governo do presidente Donald Trump discutiram nas últimas semanas uma série de medidas contra desenvolvedores chineses de IA. Entre as propostas estavam a inclusão dessas empresas em listas de restrições comerciais, a proibição de companhias americanas de computação em nuvem prestarem serviços a elas e a criação de novas regras para definir quais modelos poderiam ser utilizados por órgãos federais.

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As discussões ganharam força após o avanço de modelos chineses de código aberto, especialmente o Kimi K3, da Moonshot AI, apontado como concorrente direto das principais plataformas desenvolvidas nos EUA. O chefe do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, Michael Kratsios, acusou a empresa de copiar tecnologia americana e classificou o suposto episódio como "inaceitável". No mesmo dia, segundo o New York Times, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, chegou a considerar a aplicação de sanções.

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Disputa entre empresas de IA

Segundo a reportagem, o debate expôs uma divisão entre as principais empresas de tecnologia americanas sobre o futuro da IA de código aberto. OpenAI e Anthropic defenderam restrições às concorrentes chinesas sob o argumento de segurança nacional, enquanto Nvidia, Microsoft, Google e Meta se posicionaram contra a adoção de medidas mais duras.

Ainda de acordo com o New York Times, executivos dessas empresas mobilizaram uma campanha de bastidores, com telefonemas, videoconferências e mensagens privadas, para convencer integrantes do governo de que modelos abertos aceleram a inovação tecnológica e fortalecem a segurança cibernética. A pressão fez com que a Casa Branca recuasse da proposta e passasse a priorizar políticas voltadas ao fortalecimento dos modelos americanos.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, tornou-se uma das principais vozes desse movimento. Em julho, ele publicou pela primeira vez uma mensagem na rede X  (ex-Twitter) em defesa dos modelos de código aberto. A empresa também lançou uma aliança voltada ao desenvolvimento de ferramentas abertas de segurança para IA, que, segundo a reportagem, passou de um pequeno grupo inicial para mais de 230 participantes.

Para Christopher Padilla, ex-integrante do Departamento de Comércio dos EUA, a disputa representa uma "luta na jaula pelo futuro da indústria de IA", em que interesses econômicos e de mercado têm peso tão relevante quanto as preocupações com segurança nacional.

Procuradas pelo New York Times, a OpenAI afirmou que tanto modelos abertos quanto fechados têm espaço no desenvolvimento da IA e defendeu a criação de uma estrutura nacional para lidar com o avanço dos sistemas chineses. A Anthropic não comentou o caso. Segundo a reportagem, integrantes do setor não esperam que medidas mais duras sejam anunciadas antes da visita do presidente chinês, Xi Jinping, aos EUA, prevista para setembro.

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