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'Apple está errando': OpenAI rebate acusações de processo por segredos comerciais

Em longa publicação, a OpenAI desmentiu as acusações de que buscou informações confidenciais da Apple e publicou histórico de conversas para sustentar a argumentação.

Avatar do(a) autor(a): Igor Almenara Carneiro

schedule04/08/2026, às 10:50

updateAtualizado em 04/08/2026, às 10:51

Em uma longa publicação feita nesta segunda-feira (3), a OpenAI disse que a Apple "está errando" no processo direcionado contra a empresa. A dona do ChatGPT afirmou que a ação judicial é "descuidada, agressiva e estranhamente pessoal" e não condiz com a reputação detalhista pela qual a própria Apple é conhecida.

No texto, a OpenAI se defende de várias acusações feitas pela Apple no processo judicial aberto em julho. Na denúncia, a Apple cita que informações sobre tecnologias, projetos e produtos não lançados foram roubadas por funcionários que migraram para a OpenAI.

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A OpenAI se defendeu das acusações da Apple, e esclareceu que a marca tentou contato em fevereiro, mas para o e-mail errado. (Fonte: Berke Citak/Unsplash)

OpenAI defende os próprios colaboradores

Para sustentar a argumentação, a provedora de inteligência artificial (IA) publicou históricos de conversas e e-mails de Chang Liu, ex-funcionário da Apple e um dos profissionais citados nominalmente na ação.

Segundo a OpenAI, não foi Chang Liu quem procurou funcionários da Apple para extrair informações confidenciais — ao contrário, foram colaboradores da Apple que consultaram o ex-colega buscando ajuda para encontrar tais informações.

"A Apple agora tenta atribuir a culpa a um 'acesso residual', mas omite o fato de que esse é um problema comum na empresa, decorrente da falha em gerenciar adequadamente os acessos aos sistemas quando os colaboradores saem", argumenta a OpenAI.

"Na prática, isso significa que ex-funcionários que tentam agir corretamente ao deixar a empresa continuam tendo acesso a arquivos da Apple — mesmo sem querer ou sequer ter ciência de que esse acesso persiste", continuou o texto.

Quanto a Tang Yew Tan, outro ex-Apple citado no processo, a OpenAI foi menos expositiva, mas reforçou que o profissional "sempre deixou claro para a equipe" que não busca e não utiliza informações confidenciais de outras empresas.

A Apple acusou Tan de instruir candidatos vindos da Apple a levar componentes reais de projetos da fabricante às entrevistas e, durante o papo, solicitar mais detalhes confidenciais.

Apple errou o e-mail de contato

A Apple disse ter tentado contato com a OpenAI em fevereiro deste ano, mas não obteve resposta — a Apple, na verdade, teria errado o e-mail, apontou a dona do ChatGPT. "Agora, eles admitem que seus advogados externos enviaram um e-mail para a pessoa errada após confundirem dois sobrenomes asiáticos — e isso só aconteceu depois que chamamos a atenção deles para o fato", argumentou a empresa.

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A Apple acusou a OpenAI de instruir candidatos a trazer componentes de projetos em desenvolvimento. (Fonte: Getty Images/Ming Yeung)

"A Apple também alegou ter conversado com nosso Diretor Jurídico, algo que agora reconhecem nunca ter ocorrido. No entanto, eles continuam omitindo que, naquela ocasião, jamais mencionaram as alegações específicas que constam nesta ação judicial e que, na verdade, nos disseram que estavam 'resolvendo quaisquer questões'", disse a OpenAI.

"Gostaríamos que a Apple tivesse levantado essas questões conosco antes de entrar com a ação judicial", afirmou a OpenAI. "Levamos a sério as alegações do processo e nos oferecemos para trabalhar com a Apple na resolução da questão", continuou.

"O pedido de liminar da Apple se baseia em informações falsas e é completamente desnecessário, pois não possuímos nem queremos nenhum dos seus segredos comerciais", conclui o artigo da OpenAI.

Apenas o começo da disputa

A briga entre a OpenAI e a Apple ainda está em seus primeiros estágios. Também na segunda-feira (3), a Apple solicitou à Justiça dos Estados Unidos uma liminar para impedir que Liu e Tan acessem, adquiram, usem e divulguem supostas informações confidenciais. A empresa dá sequência ao processo judicial.

A Apple pediu que as seguintes pessoas prestem depoimento:

  • Chang Liu e Tang Yew Tan, os dois ex-funcionários da Apple já citados no processo;
  • Yu-Ting Peng, funcionário da OpenAI;
  • Mais um ex-funcionário da Apple hoje na OpenAI, ainda não identificado.

Representantes da OpenAI e da io Products, braço comercial da empresa comandado por Jony Ive, também tiveram depoimento solicitado.

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