A rápida adoção da inteligência artificial (IA) nas empresas trouxe um novo desafio para os departamentos financeiros: o controle dos custos gerados pelo consumo de tokens, unidades que medem as interações com modelos de IA. Segundo relatório da Accenture, divulgado nesta quarta-feira, 29, muitas companhias estão ampliando o uso da tecnologia sem ter visibilidade sobre os gastos envolvidos, o que tem levado diretores financeiros a reavaliar estratégias de expansão e monitoramento.
De acordo com o estudo “A inteligência artificial está no seu balanço de resultados. A maioria das empresas só lê metade dele”, a dificuldade vai além da área tecnológica e envolve questões de gestão e governança.
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“O custo dos meus tokens de código na nuvem está disparando, essa é uma conversa que tenho constantemente com o diretor financeiro”, afirmou Lan Guan, diretora de IA e Dados da Accenture e coautora do relatório à revista Fortune. “Os clientes estão prontos para escalar a IA, mas então se deparam com essa barreira de custo inesperada”.
Guan relata que muitos executivos recebem apenas faturas consolidadas de serviços de nuvem, sem informações detalhadas sobre quais áreas, produtos ou equipes estão consumindo mais recursos.
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Um caso citado pela executiva envolve uma varejista que implementou sistemas de recomendação baseados em IA em lojas-piloto e registrou uma conta mensal de nuvem de milhões de dólares, impulsionada principalmente pelo consumo de tokens. Embora as vendas tenham aumentado, os custos não haviam sido projetados previamente.
Tokenomics entra na agenda dos CFOs
A Accenture defende que as empresas adotem a chamada “tokenomics”, disciplina que relaciona o uso de IA à geração de valor para o negócio. Cada comando, resposta ou ação realizada por agentes autônomos consome tokens e, à medida que as aplicações se tornam mais sofisticadas, esse volume pode crescer de milhares para milhões ou até trilhões de unidades.
O tema ganha relevância em um momento de expansão acelerada da tecnologia. O Goldman Sachs estima que os investimentos globais relacionados à IA devem superar US$ 800 bilhões em 2026. Apesar disso, apenas 23% dos executivos entrevistados pela Accenture afirmaram obter valor amplo e sustentável da IA em suas organizações.
Internamente, a própria consultoria processa cerca de 8,7 trilhões de tokens por semana e desenvolveu um sistema para direcionar tarefas aos modelos mais adequados, estratégia que, segundo a empresa, pode reduzir custos para cerca de um sexto do valor associado ao uso exclusivo de modelos mais avançados.
Para enfrentar o problema, a Accenture propõe uma estrutura baseada em três etapas: identificar onde ocorre o consumo de tokens, otimizar a arquitetura tecnológica e manter monitoramento contínuo dos gastos. A consultoria afirma que uma análise interna mostrou que o uso de uma ferramenta de IA cresceu 113 vezes em apenas dez semanas e que 19% dos usuários responderam por cerca de 80% dos custos.
“Esse comportamento isolado, multiplicado por toda a força de trabalho, é o que faz com que os custos de consumo aumentem silenciosamente”, disse Guan à Fortune. Segundo a executiva, controlar essas despesas exigirá atuação conjunta das áreas de finanças, tecnologia e segurança cibernética. “A escalabilidade da IA não precisa significar custos exorbitantes. Mas é preciso construir a infraestrutura necessária para isso”.
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