O presidente da China, Xi Jinping, participará pela primeira vez da cerimônia de abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), em Shangai, onde fará o discurso inaugural do evento. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 13, pelo Ministério das Relações Exteriores chinês e ocorre em um momento em que Pequim intensifica sua estratégia para acelerar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), fortalecer sua competitividade tecnológica e ampliar sua influência na definição das regras globais para a tecnologia.
A participação de Xi marca sua primeira presença presencial na conferência desde a criação da WAIC, em 2018. Nos anos anteriores, o presidente havia enviado mensagens de felicitação ao evento, enquanto o primeiro-ministro Li Qiang representou o governo nas cerimônias de abertura de 2024 e 2025.
Nossos vídeos em destaque
A edição deste ano terá duração de quatro dias e reunirá mais de 140 fóruns, cerca de 1,4 mil convidados, 1,1 mil expositores e mais de 300 lançamentos mundiais de produtos ligados à IA.
IA ganha espaço na estratégia chinesa
O protagonismo de Xi no evento reflete o peso crescente da IA na política industrial chinesa. Durante uma visita a uma incubadora de startups em Shangai, em 2025, o presidente afirmou que a tecnologia entrava em um período de "desenvolvimento explosivo" e defendeu que a cidade assumisse a liderança tanto no desenvolvimento quanto na governança da IA, segundo declarações divulgadas pelo governo chinês.
)
A estratégia também aparece no relatório de trabalho do governo para 2026, que prevê a construção de uma "nova forma de economia inteligente", a ampliação da iniciativa nacional "IA+", o incentivo à adoção comercial da tecnologia e o fortalecimento de sua governança. Desde 2023, Pequim também busca ampliar sua participação na formulação de normas internacionais para IA. Naquele ano, Xi apresentou a Iniciativa de Governança Global de IA e, na edição de 2025 da WAIC, a China defendeu a criação de uma Organização Mundial de Cooperação em IA.
O fortalecimento da política para o setor ocorre paralelamente ao avanço dos modelos chineses de IA frente aos concorrentes americanos. Dados da plataforma americana OpenRouter mostram que, no início de junho, os modelos desenvolvidos na China ultrapassaram os dos EUA em participação de tokens processados na plataforma. No mesmo período, a participação da DeepSeek quase dobrou, passando de 9% no começo do ano para 18%.
Outro indicador do avanço chinês foi divulgado pelo Índice de IA 2026, da Universidade de Stanford. O levantamento aponta que a diferença de desempenho entre os principais modelos de IA dos EUA e da China caiu para 2,7% em março, sinalizando uma redução da distância tecnológica entre os dois países em um dos setores considerados estratégicos para a economia e a geopolítica.
)
)
)
)
)
)
)