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The BRIEF

Anthropic e OpenAI acusam China de copiar IA e alertam para riscos aos EUA

Empresas afirmam que grupos chineses usam técnica de "destilação" para reproduzir modelos avançados de IA, reduzindo custos e ampliando preocupações com segurança nacional e competitividade.

Avatar do(a) autor(a): Alice Labate

schedule13/07/2026, às 13:30

updateAtualizado em 13/07/2026, às 14:11

A disputa pela liderança global em inteligência artificial (IA) ganhou um novo capítulo com acusações de que empresas chinesas estariam copiando modelos avançados desenvolvidos nos EUA. A Anthropic e a OpenAI afirmam que companhias da China utilizam a técnica conhecida como "destilação" para treinar sistemas próprios a partir de respostas geradas por modelos americanos, o que, segundo elas, ameaça a vantagem tecnológica dos EUA e pode trazer impactos para a segurança nacional.

Em carta enviada em 24 de junho ao Comitê Bancário do Senado dos EUA, a Anthropic acusou a Alibaba de realizar um roubo "descarado" de IA por meio da destilação. A empresa afirma ter identificado a geração irregular de 28,8 milhões de respostas do chatbot Claude entre 22 de abril e 5 de junho, utilizando quase 25 mil contas fraudulentas. Segundo a companhia, o método permite criar modelos competitivos com muito menos tempo e investimento do que o necessário para desenvolver uma IA de ponta do zero.

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As acusações reforçam alertas que já vinham sendo feitos por empresas americanas. Em fevereiro, a OpenAI declarou que a DeepSeek promovia "esforços contínuos para se aproveitar indevidamente" de seu trabalho. No mesmo período, o Google informou ter observado um aumento de atividades maliciosas ligadas à China, Irã, Coreia do Norte e Rússia envolvendo IA.

Destilação entra no centro da disputa tecnológica

A destilação é uma técnica amplamente utilizada pela própria indústria de IA para tornar modelos mais eficientes. O problema, segundo especialistas ouvidos pelo The New York Post, surge quando uma empresa utiliza respostas de um concorrente para treinar seu próprio sistema sem autorização.

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"Isso permite que adversários estrangeiros clonem o aluno mais inteligente da turma por uma ninharia", afirmou Theresa Payton, ex-diretora de informações da Casa Branca durante o governo George W. Bush. "Eles estão efetivamente contornando as proibições de chips dos EUA usando nosso próprio modelo de IA multibilionário para construir o seu próprio".

Segundo fontes próximas à Anthropic ouvidas pelo The New York Post, a empresa vem comunicando regularmente a Casa Branca, o Congresso e órgãos ligados à segurança nacional sobre ataques desse tipo. De acordo com uma dessas fontes, a diferença tecnológica entre EUA e China hoje seria de aproximadamente seis a nove meses.

"Se hoje dissermos que a China está cerca de 6 a 9 meses atrás de nós em modelos de vanguarda, acreditamos que, se eles não fossem capazes de refinar ou fossem menos eficazes, provavelmente estariam mais perto de 18 meses de atraso. Essa diferença de meses faz uma enorme diferença", disse.

As preocupações também envolvem possíveis impactos militares e estratégicos. Segundo fontes citadas pelo jornal americano, a Anthropic chegou a desativar temporariamente modelos considerados mais avançados após preocupações da Casa Branca sobre o potencial uso dessas tecnologias pela China. Para especialistas, se os ataques continuarem, adversários dos EUA poderão reduzir a vantagem americana na corrida da IA e ampliar capacidades relacionadas a ataques cibernéticos e sistemas autônomos.

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O governo Donald Trump também passou a tratar a destilação como uma questão estratégica. Em abril, o Escritório de Ciência e Tecnologia da Casa Branca publicou um memorando afirmando que "entidades estrangeiras, principalmente sediadas na China", estariam envolvidas em campanhas deliberadas e em escala industrial para roubo de tecnologia.

No mesmo mês, Michael Kratsios, conselheiro de tecnologia da Casa Branca, anunciou medidas para ampliar o compartilhamento de informações sobre ataques, fortalecer a cooperação entre governo e empresas privadas e responsabilizar agentes estrangeiros envolvidos nesses casos.

No Congresso americano, parlamentares discutem novas regras para restringir o acesso da China a tecnologias avançadas. O Comitê Seleto da Câmara sobre a China defende projetos como a AI Overwatch Act, que exigiria autorização do governo para vendas de chips avançados de IA a países considerados de risco. "O esforço da China para desenvolver seus próprios modelos de IA é motivado por roubo, não por inovação. Isso representa uma ameaça para nossas empresas de tecnologia e nossa segurança nacional", afirmou o presidente do comitê, John Moolenaar, ao The New York Post.

Para especialistas, além das implicações para a segurança nacional, a prática também ameaça o modelo de negócios das empresas americanas ao permitir que concorrentes chineses ofereçam sistemas com desempenho próximo ao das principais IAs dos EUA por uma fração do custo.

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